Cultivo

Viroide Latente do Lúpulo (HLVD) na maconha: quais seus sinais?

Sim: existem alguns vírus na natureza que também atacam a nossa querida maconha. Aqui, vamos falar sobre o viroide latente do lúpulo ou HLVd, que tem causado nas plantações norteamericanas.

Quando pensamos em problemas com a maconha, imaginamos pulgões, ácaros e até mofo. Entretanto, atualmente, é outro mal que tem afetado as plantações: o viroide latente do lúpulo, ou HLVd. Mas o que seria esse problema e quais são suas implicações para quem cultiva? Será que ele também afeta o usuário?

Um estudo estima que até 90% de toda maconha plantada na Califórnia está infectada com HLVd, o que já causou perdas de quase $4 bilhões em colheitas. Outra pesquisa, conduzida pelo Dr. Zamir Punja da Universidade Simon Fraser, descobriu que 40% das flores de maconha vendidas em dispensários canadenses testaram positivo para HLVd. Felizmente, o HLVd não é prejudicial para nós, seres humanos.

Se você planta ou se interessa por essa temática, é importante estar por dentro do viroide latente do lúpulo, como ele afeta a plantinha e quais as formas como ele se espalha nos cultivos. Vem com a gente entender!

Afinal, o que é o viroide latente do lúpulo (HLVd)?

O viroide latente do lúpulo (HLVd), como já dá pra entender pelo próprio nome, já é bem comum em plantações de lúpulo do mundo todo. Porém, para o terror dos cultivadores, ele passou a se espalhar para a cannabis, causando reduções significativas na produção, concentrações de canabinoides e lucros nos Estados Unidos e Canadá. 

A situação é tão complexa que alguns especialistas começaram a chamar o HLVd de “COVID da maconha”. O ponto positivo, para quem é apenas um apreciador, é que ele não passa para humanos. Ufa!

Mas, para quem planta, o HLVd pode ser um verdadeiro terror. Esse viroide circular de cadeia simples é semelhante aos vírus, pois depende completamente do metabolismo da planta hospedeira para se replicar. No entanto, ao contrário dos vírus, os viroides não possuem uma camada protetora, como um revestimento proteico. Na verdade, os viroides são os menores patógenos de plantas conhecidos, medindo aproximadamente 40nm de tamanho.

Quais os sintomas em cada fase do cultivo?

O vírus se manifesta de formas diferentes em clones, plantas na vega e na flora. Imagem: Canva.

Como qualquer outro problema na nossa plantinha, o viroide latente do lúpulo (HLVd) apresenta diferentes sintomas de acordo com a fase de desenvolvimento na qual a maconha se encontra. Aqui, a gente vai listar os principais sinais para que você possa ficar de olho:

Na fase de propagação:

Quando estamos falando em clones, podemos observar que o comprimento das raízes e a sua emergência são significativamente reduzidos no caso de mudas retiradas de plantas-mãe infectadas com o HLVd. Essa redução no desenvolvimento das raízes resulta em um crescimento mais lento e raízes de baixa qualidade. 

Esse problema no desenvolvimento das raízes também pode tornar as plantas mais suscetíveis a patógenos como o fusarium e o pythium. Elas se tornam mais fracas, de maneira geral.

Durante a vegetação:

Na vega, os sinais já são mais claros numa possível infecção pelo viroide latente do lúpulo. As plantas com HLVd durante a fase vegetativa frequentemente apresentam um crescimento retardado, incluindo sintomas como:

  • Ramificação lateral;
  • Caules bem frágeis;
  • Folhas menores e mais estreitas, descoloridas e deformadas;
  • Espaçamento internodal mais curto;
  • Odor semelhante a folhas em decomposição.

Por fim, na floração:

Na floração, existem outros sinais de infecção por HLVd, e eles são bastante aparentes. Inclusive, a concentração de viroide detectável é maior durante a flora do que na fase vegetativa. Os pesquisadores ainda não têm certeza do motivo pelo qual isso acontece, mas isso pode ter algo a ver com o estresse adicional que as plantas passam.

Plantas infectadas por HLVd durante a floração parecerão menores do que as plantas saudáveis, e também podem apresentar amarelamento inesperado das folhas próximas aos locais das flores. São os sinais mais “chamativos” de que a maconha está com o problema.

Além de produzir flores menores, as plantas infectadas por HLVd também produzirão menos canabinoides (até 50% a menos). Imagens capturadas por microscópio eletrônico pelo Dr. Punja mostram que plantas infectadas por HLVd possuem tricomas subdesenvolvidos, o que afeta a produção de resina — e é especialmente triste para os hash makers.

Como o viroide latente do lúpulo se espalha?

Normalmente, o HLVd é transmitido por meio de ferramentas, equipamentos e trabalhadores que tiveram contato com plantas infectadas. Ele também é transmitido por meio de clonagem de uma planta-mãe infectada. E, como os sintomas do HLVd nem sempre são óbvios na fase vegetativa, pode ser difícil identificar plantas-mãe infectadas — especula-se que seja por isso que o viroide se espalhou tanto e tão rápido.

Como o HLVd está altamente concentrado nas raízes, ele pode se espalhar através da água em sistemas hidropônicos. Plantas saudáveis que compartilham água com plantas infectadas podem adquirir o viroide, mesmo sem contato direto entre as raízes.

Além disso, experimentos mostraram que o HLVd pode ser transmitido por meio de sementes, seja por meio de machos infectados cruzando com fêmeas saudáveis ou machos saudáveis cruzando com fêmeas infectadas. Em ambos os casos, o HLVd foi detectado na casca e dentro da semente! Que zica, né?

O HLVd se move sistematicamente por toda a planta ao longo de um período de aproximadamente 6 semanas. Ele entra no floema, que é o tecido que transporta água e nutrientes na planta, e viaja para as raízes. Em seguida, já pode ser encontrado por toda a planta.

Experimentos conduzidos pela equipe do Dr. Punja na Universidade Simon Fraser mostraram que:

  • 2 semanas após a inoculação, o HLVd pode ser detectado nas raízes;
  • 4 semanas após a inoculação, o HLVd pode ser detectado em folhas jovens;
  • 6 semanas após a inoculação, o HLVd pode ser detectado em toda a planta.

Existe algum jeito de curar plantas infectadas?

Existe remédio para o viroide latente do lúpulo ou HLVd? Imagem: Girls in Green.

Infelizmente, não existe uma cura para esse problema.

O melhor método para eliminar o HLVd de um cultivo é por meio de um processo de teste e remoção das plantas infectadas. Segundo o Dr. Zamir Punja, sua equipe fez esse processo ao longo de sete meses e conseguiu reduzir a taxa de positividade em sua instalação de 35% para 7%. 

A cultura de tecidos também pode ser usada para produzir clones livres de viroides. No entanto, é um processo longo e trabalhoso. Além disso, nem essa técnica é sempre eficaz. A terapia térmica também não é uma opção. 

No fim, a melhor forma de lidar com o problema é a prevenção. Por isso:

  • Os cultivadores devem sempre esterilizar ferramentas, equipamentos e as mãos com uma solução de água sanitária a 10% antes de iniciar o trabalho em uma nova planta.
  • As plantas-mães devem ser sempre testadas antes de gerarem novas mudas para garantir que estejam produzindo clones limpos.

E aí, achou essas informações úteis? Compartilhe com seus amigos que cultivam — já que o vírus pode aparecer mesmo nas sementes, até quem compra de bancos internacionais pode acabar se deparando com esse viroide. Nós esperamos que ele não afete o seu plantio.

Para mais informações sobre maconha, haxixe, Redução de Danos e muito mais, nos siga lá no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

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