Políticas de Drogas

Quem pode prescrever cannabis medicinal?

Aqui, entenda quem pode prescrever cannabis medicinal de acordo com a legislação atual brasileira, as regulações da Anvisa e o Conselho Federal de Medicina.

A cannabis medicinal já é, para alguns, uma realidade no Brasil. Falamos para alguns porque, devido aos valores altos de importação e burocracias, nem todos conseguem ter acesso a ela. Por sorte, nos últimos anos, o aumento do interesse tanto por parte de pacientes quanto de médicos têm tornado a medicina canábica mais difusa e aceita por aí. Mas sempre surge aquela dúvida: quem pode prescrever cannabis medicinal? Qualquer um?

Primeiro, precisamos entender que a cannabis medicinal no Brasil é uma verdadeira salada mista. O acesso a ela envolve regulações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do próprio Conselho Federal de Medicina (CFM), que inclusive já tentou barrar os médicos de fazer tal tipo de prescrição. Depois de muita pressão popular, o órgão voltou atrás.

Então, se você também tem várias dúvidas em relação à prescrição de cannabis medicinal, venha entender com a gente.

Que médico pode prescrever cannabis medicinal?

Atualmente, no Brasil, qualquer médico com inscrição ativa no Conselho Federal de Medicina (CFM) pode receitar cannabis medicinal para um paciente. Não importa a especialidade: psiquiatras, neurologistas, e até mesmo profissionais da odontologia, como dentistas e cirurgiões, podem indicar a substância como primeira via de tratamento caso achem adequado.

O produto prescrito pode ser comprado diretamente em estabelecimentos licenciados no país, de acordo com a RDC 327/2019 da Anvisa, ou importado através de autorização do mesmo órgão, como implica a RDC 660/2022. O tratamento com canabinoides ainda pode ser recebido através de Associações de Pacientes ou mesmo através do Sistema Único de Saúde. Aqui, explicamos como!

Quando você encontra um médico prescritor, o processo é geralmente bem simples. Você marca a consulta, explica seus sintomas e se houveram tentativas anteriores de tratamento com remédios diferentes, e entende se a maconha medicinal se encaixa ou não no seu caso. Se a resposta for positiva, você sai com a receita em mãos. Conseguindo essa receita, basta entrar no site da Anvisa para requerir autorização de importação – ou buscar um fornecedor brasileiro.

Caso queira buscar tratamento com canabidiol ou cannabis in natura através do SUS, atualmente, o único caminho é a judicialização. Esperamos que essa realidade mude logo!

Onde posso encontrar um médico prescritor?

Existem associações e clínicas especializadas, com médicos habilitados a prescrever. Imagem: Girls in Green.

Hoje em dia, já não é mais tão complicado de encontrar um médico que prescreve cannabis medicinal. Mas é sempre bom ficar de olho para evitar golpes, como já vimos acontecer bastante por aí

Para encontar um médico prescritor confiável, a gente recomenda:

  • entrar em contato com uma associação, como a Abrace, a Apepi, a AMA+ME, a Flor da Vida, a Santa Cannabis, a Accura e tantas outras espalhadas pelo Brasil. Dependendo da escolhida e do seu caso, é possível receber o óleo produzido pela própria associação. Além disso, nelas, você pode participar de palestras e outros eventos para aprender mais sobre o uso medicinal da planta;
  • encontrar uma clínica habilitada próxima a você, como a Gravital ou a Higashi.

Nesses espaços, é possível conseguir o contato de um médico da especialidade que você precisa consultar. A gente sempre recomenda seguir as indicações de amigos e conhecidos também. É sempre bom já contar com uma boa experiência anterior como referência!

Apenas o óleo de canabidiol é prescrito?

Não necessariamente! Embora o óleo de canabidiol (CBD) seja uma das formas de administração mais buscadas quando o assunto é maconha medicinal, às vezes mais THC se faz necessário para tratar condições específicas. Por isso, atualmente, já é possível conseguir, através de receita médica:

  • flores in natura;
  • concentrados de cannabis;
  • óleos isolados de CBD ou THC;
  • cápsulas com óleo de cannabis;
  • óleos ou tinturas full spectrum;
  • produtos de uso tópico;
  • dentre outros.

Quem irá decidir qual o melhor meio de uso, frequência e dosagem para o seu caso específico será seu médico, junto com você. Por isso, é bem importante encontrar um bom profissional da saúde. Ele deve levar em consideração seus sintomas e aspectos pessoais na hora de fazer a receita. 

Também é importante lembrar que, como qualquer medicamento, a cannabis medicinal pode pedir um tempo de adaptação e ajustes na dosagem. Cada corpo e sistema endocanabinoide se comporta de uma maneira diferente, e é essencial respeitar essas variações!

Quem pode usar cannabis medicinal?

Existem muitas condições que podem ser tratadas com a cannabis medicinal. Imagem: Canva.

Qualquer pessoa que conte com uma doença, distúrbio ou sintomas que podem ser tratados com canabinoides pode receber esse tipo de tratamento. E, como a gente já sabe, a lista é grande, e inclui:

Se você conta com algum desses problemas, ou mesmo se o que você busca tratar não se encontra nessa lista, entre em contato com um médico prescritor para avaliar se o tratamento com cannabis medicinal é uma boa opção para você!

Existem contraindicações ou efeitos negativos?

Sim, assim como qualquer tratamento médico, o uso de cannabis medicinal também pode ter contraindicações e potenciais efeitos negativos. É importante que os pacientes estejam cientes desses aspectos antes de iniciar qualquer tratamento com cannabis medicinal. Aqui estão algumas informações importantes a serem consideradas:

  • Reações adversas: alguns pacientes podem experimentar reações adversas ao usar cannabis medicinal, embora os efeitos colaterais geralmente sejam considerados leves a moderados. Esses efeitos colaterais podem incluir sonolência, tontura, boca seca, alterações de humor, fadiga, problemas de memória e concentração, além de distúrbios gastrointestinais.
  • Interações medicamentosas: a cannabis medicinal pode interagir com outros medicamentos que o paciente esteja tomando. É importante informar o médico sobre todos os medicamentos, incluindo de venda livre e suplementos alimentares, para evitar possíveis interações prejudiciais.
  • Efeitos psicoativos: alguns produtos à base de cannabis podem conter THC (tetra-hidrocanabinol). Ele pode causar efeitos psicoativos, como alterações de percepção, euforia e ansiedade em algumas pessoas. Portanto, é importante que o médico ajuste a dose e a composição do produto para minimizar esses efeitos, se necessário!
  • Riscos para grupos específicos: alguns grupos de pacientes, como gestantes, lactantes, pessoas com histórico de doenças psiquiátricas graves ou com histórico de abuso de substâncias, podem apresentar maiores riscos ao usar cannabis medicinal. Nesses casos, é necessário avaliar cuidadosamente os benefícios e os potenciais riscos antes de iniciar o tratamento.

É fundamental que os pacientes discutam abertamente com seus médicos sobre seus históricos médicos, condições específicas e preocupações antes de iniciar qualquer tratamento com cannabis medicinal. Os médicos são os profissionais adequados para avaliar os riscos e benefícios individuais e fornecer orientações personalizadas.

E aí, gostou dessas informações?

A gente espera que elas sejam úteis, e que você consiga encontrar o profissional que você está buscando. A gente sabe o quanto é necessário ter um bom acompanhamento, e que caiba no nosso orçamento também! Aqui no Girls in Green, temos uma página apenas com profissionais antiproibicionistas que cuidam da saúde mental, e muitos fazem preços sociais para quem tá com a grana mais curta. Já deu uma olhadinha? A gente recomenda demais!

Para saber mais sobre maconha, haxixe, Redução de Danos, psicodélicos e muito, mas muito mais, siga a gente lá no nosso Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

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