GIRLS IN GREEN

Manter suas plantinhas livres de bioindicadores dá trabalho, mas a recompensa é uma colheita muito mais proveitosa. Aqui, vamos contar a você quais são os principais “bichinhos” para se ter cuidado e as técnicas do controle de pragas integrado!

Seja você uma/um grower de primeira viagem ou experiente, os bioindicadores no seu grow podem ser um grande pesadelo. Lagartas, aracnídeos e até fungos podem sim danificar plantações de qualquer tamanho – desde um único vasinho até áreas extensas de plantio – e tornar colheitas praticamente infrutíferas, causando vários prejuízos.

Mas isso não significa que você precise pulverizar trinta tipos diferentes de veneno na verdinha! Agrotóxicos podem até “fazer seu trabalho”, mas contaminam o solo com poluentes e metais pesados, podem atingir lençóis freáticos e reservas subterrâneas de água, e fazer mal para a saúde de quem consome. Então, já sabe: é bad na certa.

Existe um método bastante usado na agricultura orgânica e regenerativa que se chama controle de pragas integrado (IPM). Além de ser mais sustentável, ela conta com vários níveis diferentes de controle para deixar seu grow, seja indoor ou outdoor, bem protegido contra seres vivos potencialmente perigosos para as plantinhas.

Para te ajudar a identificar possíveis bioindicadores e entender os melhores jeitos de prevenir e evitar que se espalhem, fizemos esse post recheado de informações. Vem com a gente aprender tudo isso!

Entenda: elas são comuns

Vamos começar com o óbvio: no ambiente, sempre existiram e sempre irão existir esses organismos que querem se aproveitar das nossas plantinhas. Entretanto, nos cultivos outdoor, a própria natureza nos ajuda fazendo um controle biológico – seja com insetos benéficos que são predadores dos não benéficos ou com outras plantas ao redor, como ervas daninhas, para onde elas podem se deslocar. Pensando em fazendas, inclusive, monoculturas são bem mais propensas a sofrer com pragas do que um lugar com mais biodiversidade.

Já no cultivo indoor, as coisas são diferentes. Ali, estamos brincando de sermos a Mãe Natureza. Temos um ambiente controlado onde a entrada de qualquer bichinho desses pode resultar em uma infestação. O ideal é termos um ambiente estéril e controlado, mas para isso é necessário tomar diversos cuidados! Afinal, prevenir é melhor do que remediar – e não queremos ninguém perdendo crops inteiras.

Algumas dicas principais de prevenção são:

  • Invista na vedação do seu grow: sele quaisquer fendas ou rachaduras, bem como portas e janelas, e coloque um bom filtro sobre qualquer entrada de ar.

  • Cuidado com as roupas: se você estiver ao ar livre, troque de roupa antes de entrar na sala de cultivo para evitar que potenciais intrusos tenham acesso.

  • Evite que seus animais de estimação acessem sua área de cultivo: eles podem carregar todos os tipos de insetos patógenos e transferir para as plantinhas quando em contato com elas!

  • Mantenha o local de cultivo limpo, esterilizado e organizado. Lave e esterilize todas as ferramentas e recipientes, e não esqueça de lavar as mãos antes de manusear as plantas!

Quem tem um cultivo indoor pode passar anos e anos sem ver um bichinho sequer só seguindo essas dicas de exclusão. Mas no outdoor, é claro, a situação muda de figura: é impossível excluir totalmente as pragas da sua vida quando se está tão exposto a tudo. Então, é necessário conhecer as técnicas de controle de bioindicadores!

Dois tipos de controle

Aqui, vamos falar mais sobre dois tipos de controle: o convencional, que é o mais conhecido e usado em larga escala, mas não-orgânico, e o controle integrado de pragas (IPM), o nosso preferido por ser mais sustentável!

Convencional (não-orgânico)

Já de primeira vamos dizer que não recomendamos esse processo. Pode ser fácil mas definitivamente é o mais prejudicial para a Mãe Natureza.

Nessa técnica, usa-se uma combinação de produtos que funciona bem em conjunto, com o apoio de um calendário que alterna esses produtos. É bastante comum na agricultura convencional e de larga escala, e tem o lado bom e o lado ruim. É bom pela praticidade, já que não tem muito segredo, é só seguir um calendário certinho. O problema é tratar sem levar em consideração a população de bioindicadores, simplesmente aplicando insumos, contaminando o ambiente sem precisar e ainda matando os possíveis insetos benéficos.

Esse sistema pode existir tanto na agricultura orgânica quanto na convencional. Mas vale lembrar que não é porque está escrito “orgânico” no rótulo de um produto que ele é positivo para o meio ambiente! Existem substâncias que podem ser bem prejudiciais para a população de abelhas, por exemplo, mesmo sendo opções orgânicas – por isso, faça uma boa pesquisa completa antes de aplicar qualquer insumo.

Infográfico ilustrando a pirâmide do manejo de pragas integrado
Manejo de pragas integrado

Controle integrado de pragas (IPM)

O controle integrado de pragas é mais sustentável e consiste em um programa um pouco mais complexo, mas cheio de benefícios para suas plantinhas e seu grow de forma geral. Ele passa por diversos níveis para evitar a necessidade do uso de produtos em excesso. Na realidade, o uso de qualquer químico é o último recurso.

Exclusão:

A base da nossa pirâmide começa na prevenção, que consiste em excluir qualquer coisa prejudicial antes de chegar na planta. Aqui, a principal estratégia é vedar bem o grow, garantindo que nada do ambiente externo entre em contato com as suas plantas.

Existem várias outras estratégias para ajudar: trocar a roupa antes de entrar no seu local de cultivo, limpar os sapatos, não trazer clones de outras pessoas antes de fazer uma quarentena, e por aí vai.

Outro aspecto curioso é que a própria seleção genética pode ser considerada uma forma de prevenção. Por exemplo, escolher uma planta que seja mais resistente a fungos ou mesmo a pulgões vai ajudar a garantir que as pragas não as ataquem. Em alguns ambientes a pressão de pragas pode ser alta, então vale a pena estudar os seus arredores para ser mais fácil identificar pragas e fazer as escolhas corretas. Quando você tiver um bioindicador constante, variar as strains pode ser uma opção.

Cultura:

Esse é o segundo nível do controle integrado, e também funciona a nível de prevenção, mas com um maior foco na higiene e limpeza do grow. É essencial ter um ambiente higiênico para eliminar fontes de comida desses bichinhos.

Deixe sempre o seu grow limpo. Quando fizer podas e desfolhação, leve todas essas folhas para fora do seu espaço de cultivo (podem servir de comida para os indicadores). Não largue alimentos perto das suas plantas, latas de refrigerante ou outras bebidas. Em linhas gerais, nada que não precise estar ali. Também é importante manter todos os materiais bem limpinhos, inclusive tesouras antes de fazer podas!

A parte mais importante é o monitoramento: olhar o substrato, o ambiente e todas as plantas todos os dias é ideal para identificar problemas em fase inicial e poder controlá-los. Uma estratégia de monitoramento legal são as armadilhas de colas, também conhecidas como STICKY CARDS – o que fica no cartãozinho alerta sobre os bioindicadores presentes no seu grow.

 Foto de um cultivo de cannabis indoor, em vasos, com Sticky cards amarelos em cada vaso, para capturar pragas
Sticky cards para capturar pragas no cultivo de cannabis

Mecânico:

É a primeira forma de agir quando já encontramos um problema e se resume em usar nossas belas mãos. Essa estratégia pode usar bastante do nosso tempo, mas ser bem eficiente e evitar a necessidade de uso de remédios. A realidade é: nesse caso, removemos manualmente os bichinhos. Por exemplo, se for pulgão, dá para tirar um por um. Se forem mites, remover as folhas e fazer podas ajuda muito na diminuição da sua incidência. Alguns outros controles mecânicos são as armadilhas de cola citadas acima (sticky cards).

Biológico:

O controle biológico é uma das técnicas mais impressionantes do controle integrado de pestes. Por isso, muitos growers tendem a ir direto nele. O ideal não é contar 100% com ele, afinal ele ajuda mas não dá conta de tudo, principalmente se já houver uma grande infestação.  Nessa fase, é hora de promover uma verdadeira batalha da cadeia alimentar, usando insetos benéficos que sejam predadores do bioindicador que está em ataque.

Também existem algumas características ambientais que você deve ficar atento, como condições de umidade e temperatura, já que cada inseto tem a sua preferência e isso é uma dica essencial na hora de lidar com esses bichinhos. E lembre-se: é necessário escolher o melhor controle biológico para você, mas não colocar todos os que você acha que vão ajudar juntos, já que pode virar uma batalha de insetos que não é necessariamente positiva para as suas plantas!

É importante lembrar que existe um triângulo: ambiente, planta e bioindicador. A planta é a hospedeira, enquanto o ambiente tem as condições físicas que eles precisam para se desenvolver. Se a gente eliminar um desses fatores, fica mais fácil de se livrar do inseto que está atacando. Trocar a temperatura, umidade, pode ser uma forma de se livrar de alguns bioindicadores específicos. Estude bem sobre o inseto que você tem.

Centenas de joaninhas exercendo controle biológico em uma planta de cannabis cultivada indoor
Joaninhas em ação Fonte: vessellifescience

Químico:

O uso químico na cannabis NÃO É RECOMENDADO. Certos produtos podem ser usados em algumas fases, mas a maioria não, principalmente na flora. É comum que no mercado tradicional vendam-se inúmeros produtos que não são positivos para as plantas. E precisamos lembrar que fumar algo impregnado de agrotóxicos pode ser muito pior do que comer: na digestão, ainda temos algumas possibilidades de filtrar e quebrar as toxinas, enquanto ao fumar elas vão direto para o pulmão além de passarem pelo processo de combustão o que pode levar a formação de inúmeras toxinas.

O máximo de controle químico recomendado são as famílias de piretaminas, apenas na fase da vegetação ou no início da flora. A substância não tem toxicidade contra os mamíferos, e se degrada rapidamente na presença de luz, um sinal que não estará presente no produto final.

Glossário de bioindicadores mais comuns

“Ok, meninas. Mas como eu identifico o bichinho que tá atacando minhas plantas?”

Se você não tem tanta experiência assim e não faz ideia do que pode estar acabando com a alegria do seu grow, não tema! Aqui, separamos algumas das mais comuns para te ajudar a se livrar dessas danadas:

Ácaro branco do algodão

O ácaro branco, ou Polyphagotarsonemus Latus, é um novo bioindicador em jardins de cannabis e é cada vez mais comum. Eles são bem pequeninos – por isso, é bom usar uma lupa na hora de inspecionar as plantas. A olho nu, você só notará uma grande infestação, grupos de locais de ovos e danos reveladores. De perto, o ácaro frequentemente parece uma gota de orvalho amarelo-claro ou transparente com pernas minúsculas.

Os ácaros brancos do algodão causam dois tipos de danos que são ótimas pistas para identificá-los. O primeiro geralmente é “stipling”, que é um padrão de pontos amarelos nas folhas. Esses são os pequenos locais de alimentação da infestação. As folhas ficam mais escuras e, conforme o tempo passa após o ferimento inicial, os locais tornam-se amarelos, cinzas ou mesmo necróticos. Essas folhas manchadas de amarelo, com uma torção e/ou amarelecimento de um novo crescimento, são os segundos sinais de dano. Isso é resultado da alimentação dos ácaros.

Como prevenir

A prevenção de ácaros pode ser complicada, já que é difícil saber exatamente de onde vieram em muitos casos. Podem vir com o vento, material vegetal infectado ou serem depositados por animais. Uma das fontes mais prováveis de infecção é a importação de clones infectados. Por esse motivo, muitos produtores começam a plantar apenas a partir da semente.

Como remediar

O Neoseiulus Californicus, d, é um predador vigoroso e eficaz que bota um ovo para cada 4-6 unidades de alimento. Funciona em quase todas as plantas, de rosas a morangos, cannabis e alfafa.

Outras maneiras naturais são usar ácido cítrico, ou óleos herbais de canela, cravinho, hortelã-pimenta, alecrim ou tomilho. O óleo de nim/neem também é bom, mas já foi ligado à morte de abelhas!

Foto de microscópio do predador Neoseiulus Californicus
O predador Neoseiulus Californicus Fonte: ainfo

Ácaros Aranha Vermelha

Os ácaros mais conhecidos como aranha vermelha são o bioindicador mais comum associado à cannabis, e também um dos mais potencialmente devastadores. São pequenos aracnídeos que geralmente vivem na parte inferior das folhas, onde perfuram a superfície e sugam seus nutrientes.

São muito difíceis de identificar a olho nu, mas folhas infestadas mostram pontilhado em sua superfície superior, pequenos pontos brancos que algumas pessoas podem confundir com mofo ou bolor. Ácaros aranha também formam pequenas teias, então se você ver algo que se parece com teias de aranha em miniaturas em suas plantas, você pode ter certeza que você tem uma infestação significativa.

Como prevenir

Os ácaros aranhas prosperam e se reproduzem rapidamente em ambientes quentes e secos. Para diminuir a infestação, baixar as temperaturas e elevar a umidade do seu quarto. Embora existam muitos miticidas comerciais disponíveis, a maioria é bastante tóxica e nunca deve ser usada em plantas de cannabis.

Como remediar

O piretro é um inseticida e repelente natural derivado de flores secas de crisântemos, que é muito eficaz em matar ácaros. Três aplicações com intervalos de 5-10 dias devem ser suficientes para eliminar completamente a infestação. Ele não é recomendado para plantas com flores.

Nos casos de plantas com flores, é recomendado o uso de óleo de nim/neem.

Foto macro do ácaro, mais conhecidos como aranha vermelha
O ácaro, mais conhecidos como aranha vermelha fonte: geaseeds

Mosquitos de fungo (fungus gnat)

Os mosquitos de fungo são moscas de pernas longas, acinzentadas ou pretas, que normalmente têm 2-4mm de comprimento e lembram mosquitos minúsculos. Suas larvas são brancas ou transparentes, com 4-6mm de comprimento, e vivem no meio do cultivo, onde se alimentam de raízes, matéria orgânica e fungos.

Uma infestação severa levará a uma folhagem pálida e uma perda geral de vigor, que deixa as plantas suscetíveis a doenças, especialmente o apodrecimento das raízes. Enquanto mosquitos adultos não danificam diretamente a planta, eles são vetores de doenças, e também facilmente ficam presos em flores resinosas.

Como prevenir

Mantenha a umidade baixa e certifique-se de não encharcar a planta – essas são dicas fundamentais na prevenção de infestações de mosquitos de fungo!

Mas a maneira mais eficaz de prevenir ou interromper uma infestação é colocar uma barreira física sobre o meio de cultivo. Uma camada de areia de 5cm e perlita vai impedir que mosquitos adultos depositem ovos na plantação.

Como remediar

Aqui também indicamos como forma de combate o pretor e o óleo de neem, mas devem ser aplicados várias vezes e podem ter efeitos negativos nas raízes das plantas. Outra opção é utilizar armadilhas com fitas adesivas, que podem ser usadas para pegar mosquitos adultos antes que coloquem centenas de ovos em suas plantinhas. Mais uma estratégia são comprar algumas strains específicas de nematóides para ajudarem no controle biológico, essa é a estratégia que sempre uso aqui no meu cultivo caseiro na Califórnia.

Foto macro do mosquito de fungo pousado sobre uma folha
Mosquito de fungo Fonte: geaseeds

Ácaros-aranha (spider mites)

Os ácaros-aranha são muito comuns e são os bioindicadores mais graves no jardim de cannabis. Dificilmente são visíveis a olho nu, visto que têm apenas 1,5 mm de comprimento. Eles são aracnídeos (parentes das aranhas) e, como outros aracnídeos, têm quatro pares de pernas e nenhuma antena. Como as aranhas, eles têm dois segmentos corporais. Suas cores variam do vermelho, marrom e preto ao amarelo e verde dependendo da espécie e da época do ano. Eles são tão pequenos que a maioria desses detalhes são visíveis apenas com uma lente de aumento. Além disso, eles produzem uma teia fina de seda.

Eles vivem principalmente na parte inferior das folhas, mas podem ser encontrados nos buds. Eles também podem ser encontrados movendo-se ao longo de sua teia prateada, de folha em folha e até de planta em planta. Assim como outros ácaros, eles perfuram a superfície das folhas e sugam o líquido das células. Essas perfurações aparecem nas folhas como pequenas manchas amarelas/marrons rodeadas por folhas amareladas.

Identifique a infestação por pequenos pontos nas folhas. Eles podem ser vistos como pontos coloridos na parte inferior da folha. Conforme a população cresce, eles produzem teias que os ácaros usam como escudo protetor contra predadores, um berçário para seus ovos e uma ponte de pedestres entre galhos ou plantas.

Como prevenir

Quase todas as infestações de ácaros-aranha entram no jardim em uma planta infestada, através do sistema de ventilação ou por jardineiros que carregam os caroneiros para o jardim. Use um filtro de poeira fina (pelo menos 300 mícrons) no sistema de ventilação e nunca entre no espaço de cultivo usando roupas que estiveram recentemente ao ar livre, especialmente em um jardim. A melhor prática é manter os animais de estimação afastados também.

O óleo de neem é frequentemente usado como preventivo, mas sempre preste atenção nas teias e nas manchas marrom-amareladas que os ácaros deixam ao se alimentar. As plantas-mãe infectadas transmitem ácaros em seus clones, por isso é especialmente importante observar os ácaros no quarto-mãe. Ao detectar sintomas de ácaros, tome medidas imediatamente.

Cultivar a partir de sementes em um ambiente interno é um ótimo começo para a prevenção em um cultivo indoor. Além disso, não introduza plantas de outros espaços, ou coloque novas plantas em quarentena por várias semanas.

Como remediar

Os ácaros-aranha prosperam em climas secos. O aumento da umidade nos estágios vegetativos e de floração inicial pode retardar o aumento da população. Além disso, o sabonete inseticida mata muitos ácaros, diminuindo a população e os danos, mas não elimina a população. O piretro é eficaz contra algumas populações de ácaros, mas outras desenvolveram imunidade a ele. Chá de canela e cravo e pesticidas herbais podem ser boas alternativas.

Outra maneira de controlar esses bichinhos são predadores, como Persimilis, Mesoseilus longipes, Neoseiulus fallacis, Feltiella acarisuga e Stethorus punctillum.

Mais alternativas são crisálidas verdes, percevejos piratas minúsculos, Beauveria bassiana, capsaicina, dióxido de carbono, óleo de canela, óleo de coentro, óleo de peixe, alho, óleos herbais e de horticultura, limoneno, Saccharopolyspora spinosa (bactéria benéfica) e óleo de gergelim.

Foto macro do ácaros-aranha, andando no caule de uma planta
Ácaros-aranha, do inglês spider mite Fonte: pt.sel

Pulgões

Talvez o bioindicador de cannabis mais difícil de eliminar seja a filoxera, ou pulgões – são minúsculos insetos que se alimentam de raízes de plantas.

Com cerca de 1mm de comprimento e variando de cor entre amarelo, verde a laranja acastanhado, os pulgões de raízes podem ser frequentemente confundidos com mosquitos de fungo, pois alguns pulgões adultos desenvolvem asas.

As raízes das plantas ficam amarelas, incham e depois endurecem à medida que os pulgões das raízes se alimentam delas, levando a infecções fúngicas secundárias e pontos mortos na planta. Eventualmente, as plantas ficam atrofiadas e os rendimentos são diminuídos.

Como remediar

Uma vez que a infestação ocorre, pode ser quase impossível eliminar os pulgões das raízes de suas plantas. O tratamento número um é um inseticida composto do fungo Beauveria bassiana. É um fungo que existe naturalmente nos solos no mundo todo, e que causa uma doença fatal em vários insetos agindo como um parasita.

Pode ser utilizado em conjunto com óleos cítricos, neem e piretro, mas com cautela para evitar danos à planta. Outra opção são os nematóides predadores, que também podem ser bastante eficazes no controle de pulgões de raízes.

Foto macro de uma comunidade de pulgões se aproveitando de uma planta
Pulgões fonte: fundecitrus

Trips ou tripes

O trip, especificamente a espécie Frankliniella occidentalis, é um inseto que constitui um dos bioindicadores mais comuns da cannabis. Ele pode atuar como um vetor e transmitir doenças à planta.

O pequeno inseto alado, que alimenta a seiva da planta, se hospeda no meio das folhas e dentro dos buds, e as temperaturas quentes favorecem a aparência deles. Os sintomas que causam são manchas brancas e prateadas nas folhas e até mesmo podem se deformar com seus ataques.

A praga afeta principalmente os cultivos internos.

Como remediar

  • Controle cultural: colocar armadilhas adesivas azuis nos permitirá detectar facilmente a presença de tripes em nosso cultivo.

  • Luta biológica: existem vários predadores de trips que podem ser usados para eliminá-los, como Amblyseius barkeri, Amblyseius cucumeris ou Amblyseius degeneraus.

  • Fitossanitários: você pode usar produtos como o óleo de Neem, que atua como preventivo e, ao mesmo tempo, age ativamente contra a praga já instalada.

    Foto macro do inseto tripes sobre uma planta
    Trips ou tripes Fonte: thrips-id

Conclusão:

É: o controle de bioindicadores pode ser um pouco “pé no saco” e nos dar um trabalhão, mas tudo vale a pena para ver nossas plantinhas se desenvolvendo bem e dando origem a buds lindos e cheirosos. Ficou com alguma dúvida? Chama a gente aqui nos comentários ou no Instagram (@girlsingreen710). Lá, você também pode ver a nossa live salva com com o agrônomo e grower @brunocg310, que inclusive foi uma das principais fontes desse texto cheio de informações!

Até a próxima!

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ghenrique.fotografia@gmail.com
1 ano atrás

Pode fumar flores de uma planta que praguejou?

Matheus Canela
Matheus Canela
1 ano atrás

Pode fumar flores de uma planta que praguejou?

Até onde poderei ver um curso ..........
Até onde poderei ver um curso ..........
10 meses atrás

Quero ter abelhas e mamangavas num quintal urbano de 100 m2

Rogerio Grillo
Rogerio Grillo
9 meses atrás

Oi, pessoal! Pode-se usar extrato de PIMENTA contra pragas na Cannabis?

Selma
Selma
3 meses atrás

Minha planta está enrrugando as folhas e murchando totalmente o que devo fazer