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POD FAZ MAL? ENTENDA OS VAPES DE NICOTINA

Marketados como uma solução “saudável” para o tabagismo, os vapes de nicotina tomaram o mercado. Mas será que o pod faz mal? Aqui, vamos falar sobre isso!

Tem de morango, baunilha, cereja, piña colada, frutas vermelhas, menta… os vapes de nicotina aparentemente chegaram para ficar, mesmo não sendo regulados no Brasil. E isso nunca nos impediu de nada, não é mesmo? Mas existem diversas questões que nos intrigam em todo esse rolê. A primeira e mais importante é: será que ele é mesmo melhor que cigarro para a saúde? O quanto o pod faz mal?

Os vapes, pods, cigarros eletrônicos ou e-cigs ganharam bastante atenção nos últimos anos. Isso porque a ideia inicial desses dispositivos era ajudar a galera a parar de fumar. No entanto, o que aconteceu é que as pessoas não apenas podem estar consumindo mais nicotina, como também indivíduos mais jovens têm começado a consumi-la. Uma pesquisa americana mostrou que mais de dois milhões de estudantes do ensino fundamental e médio do país reportaram usar vapes em 2021.

E então, será que o vape é essa maravilha toda que a propaganda diz ou um belíssimo tiro no pé quando o assunto é Redução de Danos? Por faz mal ou não? É isso que vamos tentar responder por aqui hoje! Vem com a gente entender.

 

O que tem no pod?

Um “vape” ou cigarro eletrônico é um dispositivo movido a bateria. De forma bem similar aos vaporizadores de maconha, ele aquece uma solução líquida (também chamada de e-líquido ou e-juice) para criar um aerossol que o usuário inala. 

As substâncias comuns encontradas nos e-líquidos incluem:

  • Nicotina: extraída do tabaco, é a substância principal encontrada tanto nos cigarros tradicionais quanto nos cigarros eletrônicos. Ela é responsável pelo desejo de fumar e pode causar sintomas de abstinência bem chatos.
  • Aromatizantes: são adicionados para fornecer diferentes sabores aos e-líquidos, tornando o vaping mais agradável. No entanto, muitos desses aromatizantes não são regulamentados. Eles podem conter produtos químicos que podem ser prejudiciais à saúde.
  • Outros produtos químicos: aí entramos em um grande problema. A composição exata dos e-líquidos pode variar, mas eles podem conter uma variedade de outros produtos químicos, como propilenoglicol, glicerina vegetal e aditivos diversos. Alguns estudos também sugerem a presença de produtos químicos potencialmente prejudiciais, como acetato de vitamina E, formaldeído e metais pesados.

Portanto, embora o vaping possa ser considerado “menos prejudicial” do que fumar um caretinha, ainda há preocupações significativas com relação à segurança. Isso acontece especialmente devido à presença de substâncias químicas desconhecidas e não regulamentadas nos e-líquidos. 

 

E o pod faz mal?

pod faz mal
Afinal, ele é melhor ou pior que os cigarros? Imagem: Canva.

Com base em muitas (e bota muitas) pesquisas, os vapes têm o potencial de causar danos à saúde de várias maneiras. Algumas das principais são:

  • Efeitos no coração e nos pulmões: estudos sugerem que os pods podem ter efeitos negativos no coração e nos pulmões. A inalação de nicotina e outros produtos químicos presentes nos e-líquidos pode aumentar a pressão arterial. Além disso, pode acelerar a frequência cardíaca e causar danos aos tecidos pulmonares. Isso pode levar a um maior risco de doenças cardíacas, derrames, doenças pulmonares crônicas e outros problemas cardiovasculares e respiratórios.
  • Efeitos no desenvolvimento cerebral: o uso de nicotina durante antes dos 25 anos pode, assim como nossa plantinha querida, ter efeitos prejudiciais no desenvolvimento do cérebro. Pesquisas apontam que ela afeta a função cognitiva, o controle de impulsos e o humor. 
  • Riscos para a saúde oral:  o uso dos pods também pode ter efeitos negativos na saúde oral. Algumas pesquisas apontam o risco de cáries, doenças gengivais e irritação das mucosas da boca e da garganta. Além disso, o contato prolongado com os vapores químicos pode levar a danos aos tecidos bucais e respiratórios.
  • Exposição a produtos químicos desconhecidos: como a gente já disse antes, a composição exata dos e-líquidos pode variar. Muitos dos produtos químicos presentes nos vapores ainda não foram completamente estudados em termos de seus efeitos a longo prazo na saúde. Isso significa que os usuários de vapes estão potencialmente expostos a substâncias químicas desconhecidas e não regulamentadas, que podem representar riscos significativos para a saúde.

Então, embora os vapes possam ser considerados uma alternativa menos prejudicial aos cigarros tradicionais para os fumantes que desejam parar, ainda existem preocupações importantes sobre seus potenciais efeitos adversos à saúde!

 

Pod vicia?

Sim, o vape pode viciar! A principal responsável por isso é nossa velha conhecida nicotina, que foi repaginada nos vapes para parecer mais bacaninha, de boa. Mas a nicotina é uma substância que afeta o cérebro e nossos neurotransmissores de várias maneiras, levando a relações problemáticas difíceis de largar.

Quando uma pessoa usa seu pod e inala a nicotina, ela é rapidamente absorvida pela corrente sanguínea através dos pulmões e transportada para o cérebro. Uma vez no cérebro, a nicotina atua sobre receptores no sistema nervoso, ativando a liberação de neurotransmissores, como a dopamina, que estão envolvidos na regulação do humor e prazer.

Essa liberação de dopamina cria uma sensação de recompensa, que pode ser muito gratificante para o usuário. Com o tempo, o cérebro se adapta à presença constante da nicotina, tornando-se mais tolerante a ela. Isso significa que o usuário precisa de doses cada vez maiores de nicotina para sentir os mesmos efeitos, levando a um ciclo de aumento do consumo.

Além disso, o uso repetido de nicotina pode levar à alteração da função cerebral e à sensibilização dos circuitos de recompensa. Isso vai tornando o desejo de nicotina mais intenso e difícil de resistir. Essa adaptação neurobiológica contribui para o desenvolvimento da dependência física e psicológica à nicotina. Assim, o usuário fica propenso a experimentar sintomas de abstinência quando não consome a substância.

 

Vapes de nicotina e adolescentes

Coloridos e com sabores diferentes, eles chamaram a atenção de um público beeeem mais jovem! Imagem: Canva.

O uso de vapes por adolescentes apresenta uma série de riscos significativos para a saúde e bem-estar desses jovens. A exposição à nicotina durante a adolescência, como a gente já mencionou, pode interferir no desenvolvimento normal do cérebro. Assim, afeta áreas responsáveis pelo controle de impulsos, aprendizado, memória e tomada de decisões. Isso pode levar a problemas de desenvolvimento cognitivo e comportamental a longo prazo. 

Além disso, os adolescentes são particularmente suscetíveis à dependência de nicotina devido à sensibilidade do cérebro em desenvolvimento aos efeitos da substância. O uso de vapes durante a adolescência pode levar à rápida dependência física e psicológica, tornando os jovens mais propensos a desenvolver um padrão de uso compulsivo e dificultando a cessação do hábito no futuro. 

Além disso, o pod pode fazer mal para a saúde pulmonar e cardiovascular dos adolescentes. A inalação de vapores químicos pode causar irritação nos pulmões, inflamação e danos aos tecidos respiratórios. A nicotina presente nos e-líquidos pode aumentar a pressão arterial e o risco de problemas cardíacos, contribuindo para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares precoces. 

O uso de vapes durante a adolescência também pode estar associado a efeitos negativos na saúde mental e bem-estar emocional dos jovens. A dependência de nicotina pode aumentar o risco de desenvolver transtornos de ansiedade e depressão. Ou seja: quando o assunto é vape, o negócio é esperar, assim como a maconha!

 

FAQ

O que são vapes e pods de nicotina?

Vapes e pods de nicotina são dispositivos eletrônicos que vaporizam uma solução líquida contendo nicotina, aromatizantes e outros produtos químicos. Eles são projetados para fornecer uma alternativa ao tabagismo tradicional, oferecendo uma experiência sem fumaça.

Como funcionam os vapes e pods de nicotina?

A maioria dos vapes e pods de nicotina consiste em um dispositivo eletrônico alimentado por bateria que aquece uma bobina ou atomizador. A solução líquida, conhecida como e-líquido ou e-juice, é vaporizada pela bobina e inalada pelo usuário através de um bocal.

Quais são os ingredientes nos e-líquidos?

Os e-líquidos geralmente contêm nicotina, aromatizantes (como frutas, mentol, doces, etc.), propilenoglicol (PG), glicerina vegetal (VG) e, às vezes, água e outros aditivos. No entanto, a composição exata pode variar entre diferentes marcas e produtos.

POD FAZ MAL? Quais são os riscos para a saúde?

O uso pods de nicotina pode estar associado a vários riscos para a saúde. Eles incluem dependência de nicotina, danos pulmonares, problemas cardiovasculares, irritação na garganta e boca. Potencialmente, podem causar efeitos adversos ao desenvolvimento cerebral, especialmente em adolescentes.

Os vapes e pods de nicotina são seguros?

Embora muitos defensores dos vapes argumentem que eles são menos prejudiciais do que os cigarros tradicionais, não há consenso científico sobre sua segurança a longo prazo. Eles ainda apresentam riscos para a saúde, especialmente quando usados por pessoas que nunca fumaram antes.

Os vapes e pods de nicotina podem ajudar as pessoas a parar de fumar?

Alguns estudos sugerem que os vapes podem ajudar fumantes a abandonar o hábito de fumar. Mas sua eficácia como ferramenta de cessação do tabagismo ainda não está totalmente estabelecida. Além disso, o uso de vapes por não fumantes, especialmente por adolescentes, é preocupante e pode levar ao tabagismo futuro.

Quais são os riscos específicos para adolescentes?

Os adolescentes são particularmente vulneráveis aos efeitos do vaping devido ao desenvolvimento cerebral em andamento. O uso de nicotina durante a adolescência pode afetar negativamente o desenvolvimento cognitivo e aumentar o risco de dependência de nicotina e tabagismo futuro.

O que é a EVALI (E-cigarette or Vaping Product Use-Associated Lung Injury)?

A EVALI é uma condição grave de lesão pulmonar associada ao uso de e-cigarettes ou produtos de vaping. Ela foi associada principalmente ao uso de produtos de vaping contendo THC e vitamina E acetato como agente espessante. Os sintomas incluem falta de ar, tosse, dor no peito, náusea e vômito.

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