GIRLS IN GREEN

Uma planta mãe pode ajudar muito no seu cultivo, tornando ele mais barato e prático. Aqui, vamos dar algumas dicas de como escolhê-la e dos cuidados que você deve ter com ela.

Quando começamos a falar sobre propagação de plantas, precisamos lembrar que a maconha pode se reproduzir tanto de forma sexuada, com as sementes, quanto assexuada, com seus clones. E não podemos falar sobre clonagem sem falarmos da planta mãe, que pode dar origem a centenas (ou até milhares) de outras plantinhas se você souber mantê-la da forma certa.

Nós somos fãs da clonagem por inúmeros motivos. Um deles é que ela nos permite replicar um fenótipo exato e fazer um cultivo mais uniforme e padronizado, o que ajuda muito quando estamos falando sobre genéticas para fazer haxixe. Mas outro ponto muito bom é que elas podem tornar o custo do seu cultivo mais baixo, já que elimina os custos com sementes — que podem acabar sendo bem altos!

Mas, para ter uma planta mãe perfeita, precisamos prestar atenção em alguns pontos. Muitos deles já explicamos por aqui, em um artigo sobre caça por fenótipos, mas também existem todos os cuidados que devemos ter depois de encontrar esse corte que vai dar origem a tantos outros. Hoje, vamos explicar os principais para você poder replicar por aí.

Vamos lá?

Foto colorida de um técnico fazendo o processo de clonagem em plantas mães
Propagação: tirando clones das plantas mães

O que é uma planta mãe de maconha?

Uma planta mãe é uma planta de maconha da qual você pode tirar clones. As mães devem ser saudáveis ​​e robustas, já que vão passar 100% da sua genética para os clones. Então, leve em consideração de que, se você tiver uma planta mãe doente, seus clones também serão doentes. 

As plantas-mãe sempre permanecem no estágio vegetativo à medida que os clones são cortados, e podem ficar assim por anos e anos. É importante lembrar que não se corta uma planta de maconha durante a flora: isso pode fazer com que o clone se transforme em um hermafrodita, além de prejudicar a planta em processo de floração.

É possível manter uma planta mãe por ciclos e ciclos sem que ela passe pela flora, mantendo-a apenas para tirar mudas. Isso é bom caso você cultive pelos tricomas: assim, você pode manter aquela maconha especial que tem ótimo rendimento e dá um concentrado lindo e gostoso no final do ciclo.

Outro método que alguns cultivadores usam é tirar os clones de um conjunto de plantas-mãe e depois virá-las para o estágio de floração. A próxima geração de clones é cultivada e, quando eles ficarem grandes o suficiente, os cortes serão retirados deles antes de serem transformados em flores. Como os clones são geneticamente idênticos, cada geração será uma cópia exata da mãe da primeira geração e de todas as mães subsequentes.

As plantas-mãe de maconha dão consistência genética: cada nova geração de clones vai apresentar o mesmo sabor, aroma, efeitos e outras características. Os clones também geralmente crescem na mesma proporção que a mãe, produzindo um produto de qualidade semelhante.

Além disso, clones garantem que todas as suas plantas sejam fêmeas, para que você não gaste tempo (e dinheiro) cultivando sementes, sexando plantas e descartando machos. Show, né?

O que procurar em uma planta mãe de maconha

Como a genética é idêntica entre uma planta mãe e um clone, é importante escolher uma boa planta para ser mãe. Uma planta murcha, ou que não produz boas flores, não é o ideal!

Os cultivadores geralmente procuram uma planta mãe que apresente:

  • Crescimento robusto e vigoroso;
  • Ótimos aromas e sabores, e aqueles terpenos mais exóticos;
  • Grandes rendimentos (seja de flor ou de haxixe);
  • Tricomas densos e resinados;
  • Resistência a indicadores biológicos e mofo.

O legal de ter uma (ou mais de uma) planta mãe é que você nunca mais vai ficar sem maconha para cultivar. Mesmo que você não mantenha sua mãe na vega para sempre, é possível planejar seus ciclos para que, quando seus clones estiverem prontos para a colheita, sua planta mãe esteja pronta para produzir mais mudas. 

Você pode escolher sua planta favorita para começar esse processo. Mas, caso você ainda não tenha nenhuma em mente, a gente dá as dicas para começar do zero. 

Bora?

Foto colorida de um cultivo com 3 plantas mães sendo podadas
Plantas mães em um cultivo legalizado da Califórnia 

Passo 1: encontre uma variedade para virar sua planta mãe

A primeira coisa que você precisa fazer é pensar em sua variedade favorita — uma que você já experimentou e é exatamente aquilo que você está procurando (ou pelo menos chega bem perto disso). 

Muitas pessoas preferem procurar uma variedade com alto rendimento, enquanto outras procuram um sabor particular, facilidade de cultivo, resistência… Há um mundo inteiro de variedades, efeitos, sabores e propriedades, então pense bem e analise os fatores que mais importam para você.

Agora, o importante é encontrar a melhor versão específica da planta que você escolheu. Isso pode ser complicado, e você precisa ter sorte para encontrar o fenótipo perfeito. O processo é complexo, e você vai levar no mínimo (ênfase em NO MÍNIMO) de cinco a seis meses apenas para encontrar a planta mãe perfeita. Para isso, você deve germinar algumas sementes e cultivar cerca de dez plantas da mesma variedade.  

Clones enraizados

Legenda: Clones enraizados

Alt text: Foto colorida da mão da Alice segurando um clone enraizado, com outros clones ao fundo 

Passo 2: clone as plantas e coloque-as para florescer

Cultive suas sementes germinadas como faria com qualquer outra planta. Após 18 horas de luz por cerca de um mês e meio, você pode começar a tirar seus clones. Certifique-se de que você foi paciente e esperou sua planta estar bem desenvolvida e com boas raízes; se você tentar clonar plantas muito pequenas, pode perdê-las. 

Tire cerca de quatro clones de cada planta, se puder.

Depois de ter seus clones prontos, enraizados e em desenvolvimento, você pode movê-los para uma área de crescimento onde eles também podem ser colocados sob 18h de luz e começar a florescer suas sementes originais. Mantenha seus clones vivos enquanto suas plantas florescem e você começará a ver qual deles é o mais parecido com o que deseja.

Etapa 3: teste seus clones

Essa é a melhor parte do processo! 

Com todas as plantas colhidas, chame alguns amigos e peça a opinião deles sobre as variedades que cultivou. Una esse feedback às suas próprias observações e escolha apenas os melhores fenótipos para continuar cultivando. 

Normalmente, você acaba com uns três ou quatro realmente bons. Esse pequeno e seleto grupo é o que vai continuar gerando clones nas próximas rodadas. Os outros cortes podem ser descartados ou doados. A gente sabe que machuca jogar qualquer plantinha fora, mas isso vai permitir que você concentre todos seus esforços e energias no que realmente importa — até encontrar seu unicórnio!

Imagem colorida de uma planta de maconha sendo podada
Planta de maconha sendo podada

Etapa 4: cultive sua planta mãe

Agora que você encontrou a variedade e o fenótipo perfeitos, é hora de cultivar sua planta mãe. 

Pegue o clone (ou clones) escolhido e faça o topping, que é basicamente a poda do topo da planta. Depois que os topos crescerem, você terá que cortar as pontas dos galhos apenas uma vez, deixando dois outros brotos embaixo de onde você podar para garantir que mais dois galhos possam crescer de onde você cortou. Entende? A gente fala mais sobre o topping aqui, e pode ser interessante dar uma lida.

A gente diz isso porque é melhor dar a forma desejada para sua plantinha antes de tirar os clones. Quando suas plantas estiverem prontas para serem podadas novamente, você precisa podar as folhas superiores em vez das inferiores, para que a planta cresça mais no topo. Continue cultivando a planta dessa forma e você vai ficar com cerca de 40 cálices apontando para cima, criando clones bonitos e retos, o que torna tudo mais simples (mesmo que agora pareça complicado).

Passo 5: mantendo sua nova planta mãe

Agora que você tem sua preciosa planta mãe, você precisa mantê-la viva. Em primeiro lugar, lembre-se de que ela deve ficar em um quarto de vega, com iluminação controlada para evitar a floração.

Outro ponto importante é que as plantas-mãe vão precisar de uma dieta especial. Existem fertilizantes específicos para elas, mas certifique-se de preferir as opções orgânicas. Então, anote algumas dicas nesse quesito:

  • Minimize o uso de nitrogênio, especialmente nitratos. Isso aumentará a proporção carbono-nitrogênio, permitindo maior armazenamento de carboidratos e um corte enraizado mais saudável. 
  • Escolha um fertilizante com uma proporção de 1:1 de nitrogênio para potássio, pois o potássio desnecessário tende a exacerbar os problemas associados aos desequilíbrios de nitrato. 
  • Outro elemento essencial no regime de fertilizantes de uma planta mãe é o cálcio. 
  • Outros aditivos legais para as plantas-mãe incluem aminoácidos, ácidos húmicos e fúlvicos e bioestimulantes, como extratos de algas marinhas. 

Se você notar que sua planta para de crescer de repente é porque ela encheu o vaso de raízes e precisa de um transplante. Você precisará transplantá-la constantemente até chegar em um vaso de 20L. A partir daí, você vai podar as raízes e transplantá-las de volta para um vaso de 11L, para que ela possa crescer um pouco mais. A planta ficará triste por alguns dias, mas vai voltar ao seu estado normal lá pelo terceiro dia. 

Você precisará fazer isso a cada 5 meses ou mais.

E aí, gostou de saber disso? A gente espera que tenha ajudado você a entender como a planta mãe de maconha pode ser uma mão na roda de quem cultiva. Se tiver alguma dúvida, é só deixar aqui nos comentários ou falar com a gente lá no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

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