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Se você adora um skincare canábico, já deve ter se deparado com o CBA. Mas o que é e de onde vem esse composto que muitos relacionam com a maconha? Vem investigar!

O que é, o que é: está se popularizando nos rótulos de cosméticos brasileiros, é bem “marketado” para o público maconhista mas não vem da maconha? A gente tá falando do Cannabinoid Active System, ou CBA. Desenvolvido pela empresa Beraca, que se posiciona como referência no desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para a indústria dos cuidados pessoais.

Mas ter nome de canabinoide e não conter maconha pode parecer algo bem confuso. O que rola com o CBA e por que alguns vem dizendo que ele pode “substituir o CBD”? Será que isso é verdade?

Se você nos acompanha por aqui ou pelo Instagram, deve saber que a gente se amarra em um skincare — ainda mais se for canábico. Inclusive, nos mercados legalizados, essa junção de cosméticos com a nossa plantinha favorita já é uma realidade bastante comum e promissora. Entretanto, no Brasil, os entraves legais impossibilitam tudo isso, e as alternativas, como o CBA, passam a surgir.

Vem com a gente entender melhor o que é o Cannabinoid Active System e o que já sabemos sobre ele.

O que é o CBA?

O Cannabinoid Active System, ou CBA, é um ativo natural produzido a partir de óleos essenciais provenientes da flora amazônica. Em sua composição, são encontrados componentes que interagem com o nosso Sistema Endocanabinoide (SEC) — e, por esse motivo, ele recebeu esse nome relacionado à planta. 

Os componentes em comum, encontrados tanto na maconha quanto no CBA, são:

  • Os terpenos cariofileno e humuleno;
  • O ácido linoleico;
  • Ácido graxo da mesma família do ômega-6.

O CBA é testado e seguro para uso?

Por enquanto, não existem estudos que comprovem todos os possíveis benefícios ou mesmo pontos negativos da substância — já que ela é relativamente nova e foi lançada no mercado em 2020. Entretanto, antes de ser liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), a substância passou por vários testes. Dentre eles, a Beraca afirma que alguns se destacaram:

Ação anti-inflamatória 

Utilizando o CBA em um microambiente inflamado, foi possível observar a diminuição de 55,4% dos níveis da interleucina IL-1β, e redução de 25,2% dos níveis da interleucina IL-6 nas culturas de células de pele humana. Essas interleucinas sinalizam inflamações em nosso organismo, e os resultados mostram que a substância pode reduzir essas respostas e proteger a pele. 

Reparação de tecidos

Outro teste foi realizado com culturas de células humanas sob estímulo do ácido lipoteicóico, agente inflamatório que provoca estresse no tecido cutâneo. Com o CBA, foi notado um aumento na fabricação de β-endorfina (um neuropeptídeo de grande poder analgésico) de 92,9%, o que indica que ele também auxilia na reparação tecidual.

Tiago Cordeiro, responsável pela área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Beraca, afirmou ainda que o ácido linoleico, presente na composição do Cannabinoid Active System, facilita a absorção em todas as camadas da pele e torna a ação do princípio ainda mais poderosa.

Quais os benefícios do CBA?

A partir destes testes promovidos com o Cannabinoid Active System, alguns dos benefícios destacados em sua atividade foram:

  • Promoção do bem-estar, conforto e relaxamento da pele;
  • Redução nos processos da inflamação e potenciais que auxiliam na cicatrização, por conta do aumento na produção de beta-endorfinas;
  • Possível ajuda nos tratamentos para a dermatite atópica, amenizando as lesões e coceiras desconfortáveis provocadas pela condição;
  • Melhorias estéticas, desde a redução de manchas cutâneas e regeneração celular até a saúde capilar.

Além dessas vantagens para quem o utiliza, o CBA ainda é visto como um ativo mais ecológico, sustentável e natural. Entretanto, por ser bastante novo no mercado, ainda é necessária uma investigação mais profunda para entender seus efeitos a longo prazo.

O CBA pode substituir o CBD?

Ainda que possua uma relação com nosso Sistema Endocanabinoide e aja nos receptores CB1 e CB2 do nosso corpo, responsáveis por manter a homeostase (ou seja, o equilíbrio de todas as nossas funções), o CBA e o canabidiol (CBD) são coisas bem diferentes — e devem ser tratados como tais. 

Por isso, a gente não acredita que ele venha substituir o CBD, e sim ser uma solução mais viável frente ao proibicionismo.

Enquanto o CBD e outros fitocanabinoides ainda só são permitidos com muita burocracia através de autorizações especiais da ANVISA, o CBA, por não ser proveniente da cannabis, acaba tendo um passe livre para a utilização na indústria brasileira. Hoje, ele ainda é bastante voltado para a área dos cosméticos. 

Foto de produtos de skincare canábico, dispostos em frente a uma janela, com plantas como decoração
Produtos de cannabis para skincare fonte: beauty

No futuro, após mais estudos, quem sabe?

Mas é bastante importante destacarmos as diferenças-chave entre as duas substâncias:

  • O CBD é um fitocanabinoide. Ou seja, ele é encontrado apenas na maconha. Quando utilizado em forma full-spectrum, junto de outros componentes canábicos, passa por uma interação chamada de Efeito Comitiva, ou Efeito Entourage, na qual tem seus pontos positivos exaltados, enquanto os negativos são atenuados. Já o CBA não apresenta essa possibilidade, e é produzido em laboratório (a partir de óleos essenciais naturais).
  • Enquanto o CBD é estudado e testado há décadas, ainda sabemos bem pouco em relação ao CBA para atestarmos 100% sua eficácia. Estamos ansiosas para ver cada vez mais pesquisas com esse composto!
  • A ação do CBA, por enquanto, está mais restrita à área da cosmetologia. Já o CBD pode ser usado de diversas maneiras — não apenas em cosméticos, mas em suplementos alimentares, tinturas e óleos medicinais, lubrificantes íntimos, vaporizadores, dentre outros. A extensão de sua atuação é maior e mais variada do que a do CBA.
Foto de frascos de produtos de beleza da Haskell, da Linha capilar ‘CBA Amazônico’. Os frascos estão dispostos entre plantas e pedaços de toras de árvores
Linha capilar ‘CBA Amazônico’ é a nova aposta da Haskell Fonte: doisamaiscosmetica

Devo testar o CBA?

Por sua composição ser bastante natural e contar com terpenos e ácidos já testados e seguros para uso, a gente não vê nenhum motivo para não experimentar cosméticos que contam com o Cannabinoid Active System em suas formulações! Ele pode não vir da maconha, mas ser algo bastante benéfico para o organismo — então vale a pena ficar de olho.

Algumas marcas que contam com linhas desenvolvidas com o CBA são:

  • Haskell;
  • Lola Cosmetics;
  • Simple Organic;
  • Griffus;
  • Jardim Exotico;
  • Portier;
  • Weeco.

Mas atenção:

Cosméticos formulados a partir do CBA não possuem fitocanabinoides! Portanto, tenha cuidado e pesquise bastante sobre as marcas, seus componentes e processos. Afinal, muitos utilizam do marketing voltado para os maconhistas de uma forma não tão legal e até enganosa, que leva muitos a gastarem uma boa grana em produtos “canábicos” que, de cannabis, só tem o nome.

E aí, gostou desse conteúdo? A gente realmente espera que, nos próximos tempos, saiam mais pesquisas e estudos envolvendo o Cannabinoid Active System para contarmos as novidades a vocês. Por enquanto, a gente acredita que vale o teste! Por trazer uma fórmula natural e totalmente brasileira, o CBA já é por si só bastante inovador — e uma conquista de um mercado que, infelizmente, ainda não conta com os fitocanabinoides de forma legal e acessível.

Bora mudar isso, né?

Se você já testou e curtiu o CBA, conta aqui pra gente nos comentários. Não esquece também de nos seguir no nosso Instagram @girlsingreen710 para saber mais sobre maconha, haxixe, Redução de Danos, mercado legal, e muito mais.

Até a próxima!

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