GIRLS IN GREEN

Todo mundo tem aquela playlist que adora ouvir na chapadeira. Mas será que você já percebeu em quais músicas a cannabis faz uma participação especial? Aqui, a gente te conta umas curiosidades sobre esse tema!

Que a música e a cannabis são ótimas companheiras a gente sempre soube. Afinal, são muitos os sucessos nacionais e internacionais que tratam da temática, e vão de artistas como Rihanna, Wiz Khalifa, Snoop Dogg, até Marcelo D2 e Armandinho. Mas e aquelas canções enigmáticas, cheias de mistérios e metáforas, que a gente canta mas nem sabe muito bem do que se trata?

Bom, algumas delas são sobre nossa querida erva – e nós estamos aqui para te mostrar! Prontos para se surpreender? Vamos ouvir alguns sucessos que falam sobre maconha e talvez você nem tenha percebido!

Mão segurando um baseado com piteira de vidro, mesa ao fundo com garrafa e taça de vinho
Baseado com piteira de vidro

Músicas sobre cannabis em português

Tim Maia – Chocolate

Essa aqui é uma música bem ambígua, digamos assim. Segundo correm as histórias, Lá pelo ano de 1971, Tim estava com sua carreira em pleno vapor. Por isso, surgiam vários convites para comerciais, produção de jingles e aparições na TV. Eis que surge o convite da Associação Brasileira dos Produtores de Cacau, pedindo que ele compusesse uma canção para ser veiculada como tema de uma campanha de incentivo ao consumo de chocolate.

Tim, segundo Nelson Motta, na biografia “Vale Tudo – Tim Maia, O Som e a Fúria de Tim Maia”, curtiu a ideia e topou a empreitada. E foi assim que nasceu a clássica “chocolate, chocolate, chocolate / eu só quero chocolate”.

Entretanto, em um lado não tão convencional da história, essa seria uma referência não apenas a esse delicioso produto do cacau, mas ao haxixe – o pretinho, também chamado de chocolate. Infelizmente, a gente não pode perguntar para a lenda qual a versão está certa, mas a gente pode puxar a lenha para o nosso assado! Afinal, nosso querido Tião defendeu a legalização da cannabis até em programa de TV.

Erasmo Carlos – Maria Joana

Uma lindíssima canção de amor, certo? Mas a musa é um pouco menos convencional do que as outras da mesma época. De 1971, mesmo ano da música anterior, a Maria Joana já vem mostrando o clima setentista no mundo – a “paz e amor” dos movimentos hippies e, também, o resgate da cannabis. Mesmo tendo sido lançada em época de ditadura, os versos mostram que a plantinha encontrava seus meios de fazer a cabeça dos artistas brasileiros.

“Só ela me traz beleza / nesse mundo de incerteza / quero fugir mas não posso / esse mundo inteirinho é só nosso. / Eu quero Maria Joana / eu quero Maria Joana / eu vejo a imagem da Lua / refletida na poça da rua / e penso da minha janela / eu estou bem mais alto que ela”.

Além de tudo, é pura poesia essa letra.

O Rappa – Dia de Feira

Essa música, lançada em 1996, fez parte da vida de qualquer brasileiro que curtia ouvir uma rádio – e foi tocada plenamente desde o seu lançamento até meados dos anos de 2010. A verdade é que ela virou uma clássica do pop rock nacional, e todo mundo sabe um bocado da letra. “É dia de feira, quarta-feira, sexta-feira, não importa a feira-a”.

Mas você já parou pra prestar bem a atenção nos outros versos? Vamos lá: “vem maluco, vem madame / vem Maurício, vem atriz / pra comprar comigo […] Tô vendendo ervas / que curam e acalmam / tô vendendo ervas / que aliviam e temperam / mas eu não sou autorizado / quando o Rappa chega / eu quase sempre escapo / quem me fornece / é que ganha mais / a clientela é vasta / eu sei! / Porque os remédios normais / nem sempre / amenizam a pressão”.

Bom, acho que a gente tá sabendo bem quais eram essas ervas, né?

Armandinho – Folha de Bananeira

Ok, admitimos que essa é BEM difícil de ninguém ter reparado a associação. Em 2002, Armandinho era mais conhecido pelo sul do país, e seu estilo de reggae e surf music começavam a ganhar mais notoriedade. Foi nesse ano que ele lançou grande parte das canções que ainda são famosas hoje – como Ursinho de Dormir e Rosa Norte. No mesmo CD, tínhamos também a música Folha de Bananeira:

“Fuma, fuma, fuma folha de bananeira / Fuma na boa só de brincadeira / Fuma, fuma, fuma folha de bananeira / Fuma na boa só de brincadeira / Seu guarda, cê não pode me prender / É só um fino que eu acabo de ‘comer’ / Cê chegou tarde, o que posso fazer? / Sou de menor e cê não pode me prender”

Claramente, essa música ganha um novo entendimento pós-canábico. Mas, na maior inocência, garanto que muitos cantavam por aí (inclusive eu) sem saber o significado.

Músicas sobre cannabis em inglês

D’Angelo – Brown Sugar

O ritmo contagiante de Rick James também traz inúmeras referências à cannabis. Em Brown Sugar, faixa título de seu álbum de 1995, ele descreve uma garota chamada “Brown Sugar” com tantos detalhes amorosamente vívidos que parece que ele está se apaixonando. “Fico chapado com o seu amor, não sei como me comportar”, diz ele, ocasionalmente mudando para um falsete extático. O efeito é tão inebriante que é fácil perder de vista a metáfora e acreditar que ele está falando, de fato, de uma mulher.

Mas não se deixe enganar por essa voz incrivelmente suave – ao contrário do que ele diz na letra, seus olhos dificilmente estão vermelhos por causa do sexo.

Black Sabbath – Sweet Leaf

A tosse de Tony Iommi no início de “Sweet Leaf” já avisa do que a banda está falando – afinal, quem nunca deu aquela engasgada com a fumaça dessa doce plantinha? Em toda a canção, Ozzy declara seu amor: “eu te amo, doce folha / embora você não possa ouvir”. Ele ainda fala que essa folha o apresentou a sua própria mente, e que, quando sua vida estava vazia e triste, foi ela que mostrou a ele uma nova visão que o libertou.

Bom, nem todo mundo esperaria uma música tão romântica do Príncipe das Trevas, mas a gente acha incrível que ele a tenha feito – especialmente sabendo que é para a cannabis.

The Beatles – Got to Get You Into My Lif

Lançada em 1966, essa música alegre e fofa geralmente é considerada uma das músicas românticas mais otimistas da banda. E não é por menos: ela foi escrita pensando na cannabis – pelo menos segundo o que conta Paul McCartney.  Segundo ele, Got to Get You into My Life foi a canção que escreveu quando foi apresentado à maconha.

“Eu tinha sido um rapaz da classe trabalhadora bastante heterossexual, mas quando começamos a entrar na maconha, parecia-me bastante edificante. Não parecia ter muitos efeitos colaterais, como álcool ou alguma outra coisa, como pílulas, que eu praticamente evitei. Eu meio que gostava de maconha. Eu não tive dificuldade com isso e para mim foi uma expansão da mente, literalmente, expansão da mente. Então, ‘Got to Get You Into My Life’ é realmente uma música sobre isso, não é para uma pessoa, é realmente sobre maconha”, disse ele a Barry Miles para o livro de 1997 “Paul McCartney: Many Years from Now”. Quem diria?!

Bob Dylan – Rainy Day Women #12 and 35

Segundo Dylan, ele nunca escreveu e nunca escreveria uma música sobre drogas – mas não é o que nos diz a sabedoria popular. Em 1966, ele lançou a canção Rainy Day Women #12 and 35, cujo refrão diz que “todo mundo deveria ficar chapado” (everybody must get stoned), e, então, todos tiraram suas próprias conclusões. A galera old school aponta também que “mulher em dia chuvoso” é uma gíria tradicional para baseado, enquanto a galera da nova escola fala que 12 vezes 35 é igual a 420.

Ele, irredutível, manteve a versão de que “stoned”, na verdade, não se referia a estar chapado, e sim a ser apedrejado – e que era uma questão bíblica. Mas em quem a gente acredita? A escolha é definitivamente sua.

E aí, curtiram esse tema? A gente ama a música, a arte e todas as expressões – canábicas ou não. É sempre interessante perceber o quanto nossa plantinha permeia as relações artísticas e a cultura como um todo, mostrando que, mesmo em meio ao proibicionismo, permanece viva!

Você tem alguma sugestão para aumentar essa lista de hinos da cannabis? Deixa pra gente aqui nos comentários!

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