Mesma planta, diferentes formatos e efeitos: entenda quais as principais diferenças entre a cannabis e o haxixe, nosso amado concentrado.
Quando falamos de maconha, existem diversos universos a serem explorados. Um deles é o dos concentrados – diferentes formas de haxixe e extrações que têm ganhado espaço no mercado contemporâneo da cannabis e no coração dos maconhistas mais experientes. Mas nem todo mundo sabe o quanto a planta e a extração podem oferecer dois caminhos completamente distintos, mesmo vindos da mesma fonte.
No Brasil, enquanto a cannabis é bem disseminada, poucos usuários têm acesso ao haxixe. Entre não-usuários, também é comum nem saber que o hash vem da planta! Por isso, sabemos que podem surgir muitas dúvidas sobre qual é a melhor forma de chapar, mas também sobres as dificuldades de obter um concentrado canábico de boa qualidade dependendo do mercado irregular.
Enquanto isso, em vários países e culturas ao redor do mundo, as flores de maconha são deixadas de lado por conta do hash. Marrocos, Afeganistão, Líbano e Índia são apenas alguns dos exemplos – onde o haxixe traz não apenas a história e a tradição de seus povos, mas também significados profundamente espirituais. É curioso até observar que, aos olhos de muitos muçulmanos, o consumo de concentrados é muito mais bem visto do que o de álcool – que é um pecado, de acordo com suas crenças.
Aqui, vamos aproveitar esse espaço para explicar as principais diferenças entre essas substâncias, que parecem tão similares e tão distantes ao mesmo tempo. Vamos nessa!
Para começar: entendendo a maconha e o haxixe
De maneira simples, podemos dizer que a maconha são as flores secas e não processadas da planta feminina de cannabis, enquanto o haxixe (ou concentrado) é a resina da planta feminina de cannabis, formada pelos tricomas, que foi separada do resto da maneira vegetal, tanto por meios mecânicos ou químicos.
A maconha pode ter várias formas: flor, soltinho, prensado… Mas, de forma geral, o termo se refere à planta pronta para o consumo.
Já o haxixe tem um leque muito mais variado de formatos. Podemos dividir primeiramente entre os concentrados feitos com solvente, como o BHO, ou os feitos sem solvente, que incluem o charas, o dry sift, o bubble hash (ou ice water hash, ice-o-lator, water hash), rosin de flor ou de haxixe. Mas todos eles seguem o mesmo princípio e objetivo: tricomas da planta de cannabis em sua forma pura.
Diferenças na produção da maconha e do haxixe
A maconha e o haxixe são feitos da mesma planta, mas o processo de como os dois são criados e os resultados de cada um são muito diferentes. Para produzir maconha, a forma de cannabis mais comum, são realizadas as seguintes etapas:
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Secar as flores (e às vezes as folhas mais tricomadas) da planta;
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O produto seco já está pronto para uso medicinal ou adulto.
Para produzir haxixe, as etapas são mais complicadas, como por exemplo o haxixe ice e o dry sift (haxixe seco):
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Secar as flores (e às vezes as folhas mais tricomadas) da planta, ou transformá-las em fresh frozen (que é coletar após a colheita, com a planta ainda fresca);
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Filtrar a planta com uma peneira ou com bolsas de filtragem para separar a flor e a resina;
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Coletar a resina manualmente ou com uma máquina (esta etapa libera óleo e cria uma textura pegajosa);
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Juntar a resina coletada
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Prensar a resina coletada
O único processo que se diferencia mais dessas etapas é o do charas, que é feito com plantas vivas ou recém colhidas utilizando apenas as mãos.
Diferentes níveis de THC no haxixe e na maconha
Embora haxixe e maconha venham do mesmo lugar, os dois são bastante diferenciados pelos níveis de canabinoides, como THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol), que cada produto contém. A maconha é a forma de cannabis com a qual a maioria das pessoas está familiarizada, mas na verdade é a menos potente.
O THC, canabinoide conhecido por dar os efeitos mais entorpecentes da planta, é encontrado em um nível máximo de 25 a 30%. O hash geralmente é muito mais forte, variando de 20% a 60%. Extrações modernas podem chegar a até 90%! Muitos concordam que o haxixe produzido de maneira adequada tem um nível de THC pelo menos três vezes mais potente do que a maconha.
O hash te dá uma sensação diferente da maconha?
Fumar hash e maconha pode ter efeitos diferentes. O haxixe bem feito, como já falamos, geralmente tem um efeito mais forte do que a planta de onde veio. No entanto, isso não se aplica a todos os haxixes, já que algumas formas de qualidade inferior podem conter grandes quantidades de material para “fazer render”. Esses são os concentrados para se evitar – já que, muitas vezes, no mercado irregular, solventes que são bem danosos e prejudiciais à nossa saúde podem fazer parte dessa mistura.
Mas, como regra geral, o haxixe é uma forma mais concentrada da planta de onde vem. Na verdade, ele é o principal meio de utilização de cannabis em muitos países porque a cannabis local ao ar livre era relativamente baixa em concentração de canabinóides. Isso significa que uma quantidade significativa deve ser usada para obter um efeito perceptível.
A onda de haxixe e de maconha é influenciada por muitos motivos, como já contamos no site, mas principalmente pela cepa de cannabis que foi usada. Assim como a maconha, os elementos psicoativos e entorpecentes do haxixe devem espelhar os da planta-mãe, embora pareça haver algum grau de diferença subjetiva na natureza do efeito em comparação com a erva. Por exemplo, muitas pessoas consideram que o haxixe tem um efeito mais claro e cerebral, mesmo que a própria planta induza um efeito mais relaxado no usuário.
O sabor também pode ser diferente. Muitas pessoas consideram o sabor do haxixe mais característico. Uma comparação interessante é as flores estão para as uvas, assim como o vinho está para o haxixe! Nós acreditamos que o hash mostre a expressão mais pura dos terpenos presentes na planta.
Retomando os efeitos da maconha e do hash
Quando as pessoas usam cannabis, elas podem notar os seguintes efeitos:
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um sentimento de felicidade, conhecido como euforia;
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relaxamento;
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mudanças na percepção, por exemplo, de cor, tempo e espaço;
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um aumento no apetite;
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sentir-se mais falante e sociável.
Quando as pessoas usam o hash, no entanto, as sensações podem ser bem similares – mas se apresentam de maneira muito mais intensa, principalmente quando ele é utilizado puro.
Usos da maconha e do haxixe
Hoje, as principais formas de usar maconha incluem:
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preparando-a como um chá;
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consumi-la na forma de comestíveis, como brownies, brisadeiros, outros doces e mesmo adaptando a cannabis na culinária;
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aplicando-a como um tratamento tópico, em forma de cremes, óleos e outros;
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tomá-la em cápsulas, tinturas, óleos ou suplementos.
Já os concentrados podem ser:
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fumados, vaporizados ou consumidos em forma de dabs;
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também utilizados na produção de comestíveis ou tratamentos tópicos;
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usados de forma ritualística, como em chillums.
Haxixe tradicional X haxixe moderno
O dry sift é de longe o mais comum em termos globais. Vários grandes países produtores, incluindo Marrocos e Líbano, produzem apenas esse tipo de hash. Mesmo no Afeganistão (junto com o Marrocos, o maior produtor mundial de haxixe), a maior parte do haxixe destinado à exportação é esse. No entanto, o Afeganistão faz parte da região geográfica tradicionalmente conhecida pela produção de haxixe esfregado à mão (charas); e ainda produz quantidades significativas dessa forma, junto com a Índia, o Paquistão e vários outros países do sul da Ásia.
No entanto, nas últimas décadas, novas técnicas foram desenvolvidas para extrair resina da planta, minimizando a extensão da matéria vegetal que permanece. Muitas dessas técnicas podem ser chamadas de separação química, como o uso de gás butano para “explodir” os tricomas retirados das flores. Esses extratos costumam ter uma potência incomparável, com relatos de até 90% de THC. Em comparação, os métodos tradicionais de fabricação de hash geralmente geram produtos acabados que contêm 15-40% de THC.
Outra forma de extração difícil de classificar como química ou mecânica é a extração com água e gelo – nossa queridinha por aqui. Tecnicamente, este processo (pelo qual a cannabis é mergulhada em água gelada para congelar os tricomas resinosos e agitada para retirá-los da planta) é principalmente mecânico. Mas a água tem um papel maior a cumprir, além de apenas congelar os tricomas! A extração com água e gelo dá origem ao bubble hash e pode ser realizada de várias maneiras. Às vezes, ela requer equipamentos bastante caros, mas também pode ser feita em um balde com um misturador manual.
E a redução de danos?
Agora, vamos aproveitar para dar umas diquinhas gostosas de RD para cada uma dessas substâncias!
Se for usar maconha…
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A VAPORIZAÇÃO é a forma mais segura e menos nociva de usar a cannabis, já que não envolve combustão.
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Se for fumar em beck, recomendamos o uso de PITEIRAS LONGAS, que auxilia no processo de resfriamento da fumaça que está prestes a ser inalada.
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Para enrolar os baseados, procure usar papéis finos, sem corantes, aromas ou químicos. Evite “maricas” e cachimbos feitos com materiais que podem soltar toxinas quando aquecidos, tipo a madeira ou plástico.
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NÃO segure a fumaça! Poucos segundos são necessários para absorção da maior parte dos canabinoides.
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Cuide da sua mente! Se tiver desconforto físico ou psicológico, procure pessoas nas quais você confia. O local e as pessoas com as quais escolhemos fazer o consumo é super importante para que a gente consiga embarcar numa brisa good vibes!
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Saiba o que você está fumando. Nesse ponto, o AUTO CULTIVO é entendido como uma estratégia de Redução de Danos que visa garantir a qualidade do que está sendo consumido. Sabemos da política de drogas vigente no nosso país, então muito cuidado caso essa seja a sua decisão.
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Evite, sempre que possível, fumar na rua! Infelizmente, ainda vivemos em uma realidade de política de drogas proibicionista, e as consequências dessa política injusta e ineficaz podem ser mais danosas para os usuários do que os riscos da própria substância.
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Conhecer a política de drogas do país/estado onde você está fazendo o consumo é importante. Saber os seus direitos também é uma estratégia de redução de danos, principalmente se rolar uma abordagem policial.
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Se estiver consumindo prensado, para evitar consumir sujeiras e toxinas, lave-o com água.
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Consumir com menos frequência e dar preferência a substâncias de maior qualidade (mesmo que mais caras) também pode ser considerado uma estratégia de redução de danos.
Se for usar haxixe…
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Nossa dica é, assim como a própria cannabis, consumir em vaporizadores ou bongs para a Redução de Danos – já que eles permitem chapar sem combustão.
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O hash também pode ser adicionado a manteigas e óleos para fazer comidinhas canábicas.
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Dê preferência aos haxixes sem solvente. Quando feitos com químicos, nunca conseguimos saber se o solvente foi purgado corretamente ou se pode oferecer algum risco para o nosso corpo!
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Tenha atenção à procedência de tudo o que você utiliza – já que não existe um controle de qualidade, essa é a melhor forma de fazer o uso mais seguro possível.
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Se você nunca usou a substância antes, vá devagar: o THC pode apresentar alguns efeitos negativos quando consumido em altas quantidades, principalmente por pessoas em grupos de risco.
E aí, conseguiu entender melhor essas diferenças? A gente adora os dois, mas não podemos negar que o hash mora no nosso coração em um espacinho super especial. Acreditamos que ele, inclusive, quando feito e usado da maneira correta, pode ser uma medicina limpa e potente para quem deseja.
E você, tem um favorito? Conta aqui para a gente nos comentários ou lá no nosso Instagram @girlsingreen710, onde postamos várias curiosidades e conteúdos para todo mundo.
Até a próxima!
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