GIRLS IN GREEN

Parece inofensiva, mas não é: a chamada maconha sintética pode ser responsável por inúmeros efeitos colaterais sérios, além de não ser segura para o consumo. Vamos falar sobre essa substância que é fruto do proibicionismo? Vem com a gente!

Spice, K2, maconha sintética: legalizada em vários lugares do mundo, essa droga, que já foi febre há alguns anos atrás, voltou a aparecer na mídia durante a quarentena. Especialmente em países onde o proibicionismo domina, como o Brasil.

Segundo relatos, a busca pela substância aumentou – já que as reservas de cannabis, nessa altura do isolamento social, já estão muito menores, muitos a buscam como uma substituição equivalente. Mas já vamos alertar: de maconha, a sintética leva apenas o nome.

Conhecer o que é consumido é um dos primeiros passos da Redução de Danos – e por isso trouxemos esse post, recheado de informações sobre essa “versão sintética” da nossa amada cannabis. Precisamos compreender, antes de tudo, que essa substância é criada em laboratório, e não é natural como nossa plantinha. Vamos entender melhor esse assunto?

Zip lock contendo Maconha sintética
Maconha sintética Foto: Tribuna Espanhol

Afinal, o que é a maconha sintética?

“Maconha sintética” é um termo que se refere a uma classe de substâncias chamadas agonistas do receptor canabinóide, ou canabinóides sintéticos. Enquanto a cannabis aos buds e flores da planta real, cujo efeito psicoativo se dá através do THC, esses canabinóides sintéticos recebem esse nome por sua ação em vários receptores do nosso sistema endocanabinóide, presentes em todo o nosso sistema nervoso.

Embora usem o nome “maconha” para falar dessas substâncias criadas em laboratório, precisamos lembrar que elas são muito diferentes da cannabis original.

A cannabis é uma planta natural, que cresce na natureza e também é cultivada por suas propriedades medicinais e para uso adulto. Embora os canabinóides sintéticos sejam quimicamente similares a substâncias da cannabis, eles não são encontrados na cannabis natural – nem em seus derivados. As propriedades químicas e farmacológicas dos canabinóides sintéticos são amplamente desconhecidas fora do laboratório.

Essa substância análoga à cannabis, de nada te relaciona com a mesma. Não existem terpenos, o gosto não é bom, a aparência é escura e não é em forma de flor, e não é prazeroso fumar. É uma experiência que não deveria nem se comparar a cannabis, com tantos potenciais terapêuticos e uma gama de ação enorme no corpo humano devido ao efeito Entourage.

Segundo o psiquiatra e pesquisador da UNIFESP, Dartiu Xavier, – um dos maiores pesquisadores da cannabis aqui no Brasil – o principal tipo de maconha sintética que circula aqui no país imita o THC, o componente psicoativo da cannabis. Como sabemos, de forma isolada, o THC pode acarretar diversas reações adversas (principalmente se consumido em altas dosagens).

Quais são as reações e riscos?

Os canabinóides sintéticos são geralmente mais prejudiciais do que a cannabis original. Embora a nossa plantinha possa ser o gatilho para reações desconfortáveis, como ansiedade, pânico, secura na boca e nos olhos, ela é mais segura quando usada da forma correta. Os “spices” são responsáveis, ainda de acordo com Xavier, a cada 8 usuários de maconha sintética, um acaba procurando serviços médicos de urgência. Bizarro não é? Afinal, não é sempre que ouvimos dizer sobre alguém que foi parar no hospital por causa de maconha.

O psiquiatra alerta que essas substâncias podem causar arritmia cardíaca, crises intensas de ansiedade e pânico, complicações respiratórias, e existem até registros de mortes relacionadas a esse uso. Outro risco é o uso antes da maturidade cerebral – antes dos 21 anos, qualquer substância psicotrópica pode causar danos ao órgão a longo prazo.

Nos Estados Unidos, em 2012, funcionários de departamentos estaduais de saúde pública, centros de controle de venenos e pesquisadores do CDC identificaram 16 casos de lesão renal aguda relacionada ao uso de canabinóides sintéticos em seis estados (Kansas, Oklahoma, Oregon, Nova York, Rhode Island e Wyoming).

Mas porque as pessoas usam?

Existem muitos motivos. Um dos principais deles, no entanto, é o proibicionismo. Sim, foi tal política que criou essa dinâmica de ter que buscar uma substância criada em laboratório quando já existe uma, menos nociva, que pode nascer livremente na natureza

Os canabinóides sintéticos surgiram na última década como uma alternativa legal (ou quase legal) à erva. A maioria das pessoas espera que os efeitos dos canabinóides sintéticos sejam como a cannabis, mas não são. 

Essas substâncias sintéticos foram produzidas e vendidas em misturas de ervas para fumar como “substitutos legais” da cannabis. Os produtos são embalados e com a marca para sugerir uma semelhança com os efeitos da maconha, mas como os materiais são misturas de ervas inertes embebidas em canabinóides sintéticos, sua aparência, sabor e cheiro são diferentes – e os efeitos são muito mais agressivos.

Alguns usuários são atraídos pelo fato de que os produtos canabinóides sintéticos não desencadeiam um resultado positivo em testes anti-doping. Militares ativos, atletas profissionais, pessoas em liberdade condicional e pessoas em tratamento por uso indevido de substâncias são alguns dos casos. Outro grupo que costuma usar canabinóides sintéticos são pessoas em situação de vulnerabilidade, já que os canabinóides sintéticos se tornaram um substituto acessível para a cannabis e outras drogas.

Zip lock contendo Maconha sintética
Maconha sintética Foto: Wikipedia

O proibicionismo como fator de risco

Substâncias como a maconha sintética são criadas a partir de brechas geradas pela política proibicionista. Por serem novas, menos estudadas e não estarem em listas oficiais de drogas proibidas, esse tipo de produto acaba ganhando espaço no mercado até mesmo de forma legal – mas de uma forma muito mais arriscada.

Fica evidente que a segurança da população não é o motivo principal para a proibição ou regulamentação das drogas. Se fosse por essa lógica, a maconha seria legalizada e a maconha sintética não.

Muitos usuários confiam e utilizam a substância justamente por ela ter sido feita em laboratório e por ser encontrada facilmente, em lojas ou até mesmo pela internet. A lógica é que algo que é vendido legalmente em uma loja deva ser seguro para a população, não é mesmo?

A verdade é que seus efeitos e riscos são muito menos estudados do que os da cannabis – uma planta milenar, que circula desde que o mundo é mundo. Essa própria redução da cannabis à “droga proibida” é o que leva as pessoas a encontrarem novas maneiras de alterar seus estados de consciência, por vezes às custas de suas próprias vidas.

Por isso, ficam aqui nossos pedidos:

  • Se possível, não troque sua cannabis por maconha sintética. O efeito não será o mesmo, e os riscos serão ainda maiores;

  • Sempre procure se informar sobre o que você está usando e quais são as melhores estratégias de Redução de Danos. Essa pode ser a diferença entre uma viagem tranquila até um quadro clínico grave

  • Questione: se você pode ter um produto natural, original, porquê recorrer a sua versão criada em laboratório, que pode ser tão mais danosa ao seu corpo?

  • Por último, mas não menos importante: se envolva e entenda a luta antiproibicionista, que tem como principal objetivo dar autonomia aos usuários, para que possam fazer escolhas conscientes e tenham acesso à cannabis de qualidade.

Você pode assistir um vídeo informativo sobre o assunto, em 2015 quando houve um BOOM na cannabis sintética no Brasil

O engraçado é que contamos com a participação especial da jovem Alicinha, no auge de 2015

Cuide bem de você: procure conhecer o que você consome e tome as decisões menos arriscadas. Afinal, queremos você aqui, acompanhando tudo isso de perto e junto com a gente nessa luta por uma regulamentação mais justa! Você já conhecia a maconha sintética? Conta aqui pra gente!

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ca3031400e@gmail.com
1 ano atrás

Gostei muito do texto consegui absorver bastante coisa pena que eu não li esse texto antes ontem a noite acabei fumando a sintética sem saber nada e passei muito mau

Berry
Berry
2 meses atrás

Euforia, paranoia e ansiedade.

Hammer
Hammer
1 ano atrás

O texto tem valor quanto às informações técnicas, mas erra na conclusão.
Atribuiu culpa ao que chama de proibicionismo, considerando o uso da droga como algo necessário. Oras, as pessoas que usam a droga sintética o fazem pelo mesmo motivo da natural e porque querem.
Menos ou mais, ambas são nocivas e o ideal é que não sejam utilizadas.

lorenaputinha333@outlook.com
1 ano atrás

Fumei essa maconha maldita , comecei e ver tudo derretendo na minha frente , fiquei com muitooooo medo e pânico , nunca senti algo assim em toda a minha vida ! Nunca usem essa droga !!

Berry
Berry
2 meses atrás

É desse jeito a “liga”, horrível! Sou mais o meu kunk em dosagem benéfica.

laizehunie@gmail.com
1 ano atrás

Gostei, mas também não vi conclusão.

ca3031400e@gmail.com
1 ano atrás

Gostei muito do texto consegui absorver bastante coisa pena que eu não li esse texto antes ontem a noite acabei fumando a sintética sem saber nada e passei muito mau

lorenaputinha333@outlook.com
1 ano atrás

Fumei essa maconha maldita , comecei e ver tudo derretendo na minha frente , fiquei com muitooooo medo e pânico , nunca senti algo assim em toda a minha vida ! Nunca usem essa droga !!

laizehunie@gmail.com
1 ano atrás

Gostei, mas também não vi conclusão.

ca3031400e@gmail.com
1 ano atrás

Gostei muito do texto consegui absorver bastante coisa pena que eu não li esse texto antes ontem a noite acabei fumando a sintética sem saber nada e passei muito mau

lorenaputinha333@outlook.com
1 ano atrás

Fumei essa maconha maldita , comecei e ver tudo derretendo na minha frente , fiquei com muitooooo medo e pânico , nunca senti algo assim em toda a minha vida ! Nunca usem essa droga !!

laizehunie@gmail.com
1 ano atrás

Gostei, mas também não vi conclusão.

Carlos Augusto Borges
Carlos Augusto Borges
1 ano atrás

Gostei muito do texto consegui absorver bastante coisa pena que eu não li esse texto antes ontem a noite acabei fumando a sintética sem saber nada e passei muito mau

Luana
Luana
1 ano atrás

Fumei essa maconha maldita , comecei e ver tudo derretendo na minha frente , fiquei com muitooooo medo e pânico , nunca senti algo assim em toda a minha vida ! Nunca usem essa droga !!

laiz felix
laiz felix
1 ano atrás

Gostei, mas também não vi conclusão.