GIRLS IN GREEN

A insônia é um problema bastante comum, e a maconha tem sido usada como uma solução natural para isso há anos. Mas qual a ciência por trás da sua ação? Ela pode mesmo substituir remédios para dormir? Vem com a gente entender!

Deitar na cama e rolar nas cobertas esperando por um sono que nunca chega é uma das experiências mais frustrantes da vida. O sono é essencial para manter nossa saúde física e mental, mas muitos adultos relatam problemas quando o assunto é um merecido descanso. Segundo pesquisa da Associação Brasileira do Sono (ABS), 73 milhões de brasileiros sofrem de insônia. Em cidades maiores e com um ritmo de vida mais agitado, como São Paulo, os índices aumentam ainda mais – dados do Instituto do Sono (EPISONO) revelam que 45% da população paulistana apresenta dificuldade para dormir.

Então, se dormir está se tornando uma tarefa cada vez mais árdua por aí, você não está sozinho.
Com tantas pessoas sofrendo com isso, houve um aumento no interesse pelos poderes da maconha nesse quesito. Afinal, o uso de soníferos da classe dos hipnóticos traz riscos relacionados à mortalidade, infecções, depressão e câncer. Muitos na comunidade da maconha medicinal se referem à cannabis como um tratamento eficaz e sem muitos efeitos colaterais – mas outras pesquisas também mostram que ela pode ser prejudicial, principalmente para usuários regulares.

É importante analisar todas essas informações antes de tomar a decisão de testar e entender se a plantinha pode ser a melhor alternativa para o seu problema! Por isso, nesse post, vamos contar um pouco mais sobre os estudos que já temos sobre essa temática e quais as propriedades da cannabis que podem ajudar quem já não aguenta mais contar carneirinhos.

Vamos lá?

Alice deitada em uma cama deliciosa de buds de maconha
Alice deitada em uma cama deliciosa de buds de maconha

A ciência do sono e a cannabis

Um estudo publicado no Journal of Psychoactive Drugs buscou clientes de dois dispensários no Colorado, onde o uso da maconha é legalizado para pessoas maiores de 21 anos. Dos mil entrevistados, 65% contaram usar a cannabis e produtos derivados para aliviar dores, e 74% para ajudar a dormir. Quase 80% dos que a usam para aliviar a dor disseram que o método “ajuda muito”, e 88% dos que usaram outros opioides anteriormente disseram que diminuíram ou pararam de tomar outros remédios como resultado do uso de cannabis; 84% disseram que acharam que ajuda a dormir.

Mas, fora das experiências empíricas, o que sabemos?
Existem diferentes cepas de maconha. Algumas são mais energizantes, e outras são calmantes e sedativas, dependendo do equilíbrio dos diferentes canabinoides, terpenos e terpenoides. Mas existem dois elementos que são mais falados quando o assunto é a erva:

Maconha ajuda a dormir

-> Canabidiol (CBD). O CBD tem uma série de benefícios para a saúde e não é intoxicante, o que significa que não faz você se sentir chapado ou chapada.

->Tetrahidrocanabinol (THC). O THC, canabinoide psicoativo, é o principal responsável por essa sensação de euforia que fumar um baseado pode oferecer.

Outra coisa pela qual o THC é responsável? Segundo esse ensaio clínico, a induzir o sono. Então você vai querer uma cepa que contenha mais THC do que CBD.
Como já falamos aqui no blog, inúmeros estudos mostram que o uso de cepas de maconha com níveis mais altos de THC normalmente reduz a quantidade de sono REM que você obtém. Reduzir o sono REM significa reduzir sonhos – e para aqueles que sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), pode significar reduzir pesadelos que consolidam as experiências negativas em nosso subconsciente.

A teoria é que se você passar menos tempo sonhando, passará mais tempo em um estado de “sono profundo”. O estado de sono profundo é considerado a parte mais restauradora do ciclo do sono.
Entretanto, o REM é importante para o funcionamento cognitivo e imunológico saudável, e a maconha com níveis mais altos de THC pode prejudicar a qualidade do sono se for consumida por um longo período.

Uma nova pesquisa, publicada agora no início de dezembro em um jornal do BMJ, revelou que adultos que usam maconha 20 ou mais dias durante o mês têm 64% mais probabilidade de dormir menos de seis horas por noite e 76% mais probabilidade de dormir mais de nove horas por noite. O consumo moderado (usar maconha por menos de 20 dias ao mês) não criou problemas de sono, mas esses usuários têm 47% mais probabilidade de apenas cochilar nove ou mais horas por noite.

Essa análise transversal foi realizada usando os dados do National Health and Nutrition Examination Survey de 2005 a 2018. Os entrevistados foram dicotomizados como usuários recentes ou não usuários se tivessem ou não usado cannabis nos últimos 30 dias, respectivamente. O desfecho primário foi a duração do sono noturno, categorizado como curto (<6 horas), ótimo (6–9 horas) e longo (> 9 horas).

Dormir pouco X dormir demais

Em entrevista para a CNN, o autor do estudo, Calvin Diep, residente no departamento de anestesiologia e analgésicos da Universidade de Toronto, explicou que vários estudos de base populacional apontam que tanto o sono curto (de menos de seis horas) quanto o longo (de mais de nove horas) estão associados a um risco aumentado de:

  • Ataques cardíacos e derrames;

  • Aterosclerose;

  • Diabetes;

  • Doença arterial coronariana;

  • Problemas cardiovasculares de forma geral.

Fonte: Shape

Isso tudo porque, para Diep, existe uma quantidade ideal de sono para cada um. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos consideram o ideal de sete a oito horas de sono por noite para pessoas adultas. Entretanto, de acordo com seus dados, um em cada três americanos não dorme o suficiente – e uma população de 50 milhões a 70 milhões de americanos lutam com distúrbios do sono, como apneia do sono, insônia e síndrome das pernas inquietas.

A insônia e outros problemas relacionados ao sono têm se tornado uma questão de saúde pública, porque o sono interrompido está associado a um risco maior de doenças, incluindo pressão alta, desempenho imunológico enfraquecido, ganho de peso, falta de libido, alterações de humor, paranoia, depressão e um risco maior de diabetes, derrame, doenças cardiovasculares, demência e alguns tipos de câncer.

Indica, sativa ou híbrida: qual a melhor para o sono?

Se você conversou com um médico, fez suas pesquisas e, de forma geral e bem consciente, decidiu testar a maconha para tratar sua insônia, é hora de escolher uma variedade. Mas aqui entra aquela velha história: a dicotomia indica ou sativa é o suficiente para isso?
A resposta é: não!

Quando vemos o perfil químico de cada uma delas, não existem motivos para crer que a sativa vai fazer você ficar elétrico, e a indica vai fazer você apagar. Isso porque grande parte do poder da cannabis não está ligada apenas aos canabinoides, mas também aos terpenos.

Os terpenos e terpenoides interferem diretamente como os efeitos da maconha vão se desdobrar no corpo de cada um. Eles têm benefícios medicinais e, quando combinados com canabinoides, sinergizam no sistema endocanabinoide humano.

Alguns dos melhores terpenos para quem quer relaxar são o linalol, mirceno, beta cariofileno, pineno e terpioleno.

A gente ainda recomendaria uma cepa com menos de 20 por cento de THC. Qualquer coisa além disso pode tornar a dosagem difícil, e muito THC pode fazer você se sentir tonto e sonolento na manhã seguinte.

Muitas marcas do mercado legal estão apostando também no canabinol (CBN) para linhas focadas no sono, mas ainda precisamos de mais fontes confiáveis e pesquisas que corroborem com essa ação. Essa revisão de estudos revelou que ainda não existem evidências o suficiente para aceitarmos os efeitos sedativos do CBN como 100% válidos. Entretanto, sabemos que cada caso é um caso, e ele pode funcionar para algumas pessoas.

Qual a melhor forma de consumo antes de dormir?

A maioria das pessoas usa a maconha em baseados ou pipes. E isso pode funcionar bem, já que a absorção dos canabinoides através desse método é bem rápida – geralmente leva em torno de três a cinco minutos!

Mas se você não gosta de fumar, quer proteger seus pulmões ou não gosta do cheirinho característico da maconha, você pode experimentar vaporizadores ou tinturas ricas em THC, de uso sublingual. Ambos são métodos bem comuns de uso de maconha para quem deseja uma boa noite de sono.

Aí vem a questão de quanto maconha usar. Pode levar algum tempo de experimentação e “tentativa e erro” para obter a dosagem certa para você – então não tente fazer isso durante uma semana de trabalho! Se fumar ou vaporizar, você deve começar com apenas algumas tragadas. Já o óleo irá depender da quantidade de canabinoides presentes no frasco, e você pode seguir as recomendações do fabricante.

Lembre-se de que menos é mais, e que você irá construir uma tolerância aos poucos – principalmente se não for um usuário da plantinha.

Devo usar a maconha quanto tempo antes de dormir?

O momento certo é importante quando se trata de usar cannabis, especialmente para dormir. É também por isso que pode ser difícil falar em comestíveis, já que é difícil prever exatamente quanto tempo eles vão demorar para bater. A duração dos seus efeitos também pode ser bem mais longa, então fica complicado dizer se, pela manhã, você vai acordar muito “grogue” ou não.

Embora a fisiologia de cada pessoa seja diferente, geralmente é melhor usar a maconha pelo menos uma hora antes de deitar. Isso porque a brisa pode durar de duas a quatro horas, mas o pico já terá ido embora – ajudando você a adormecer.

Antes de fumar para dormir, tenha em mente que…

É claro que nem todos os soníferos funcionam para todos da mesma maneira. A maconha não é diferente! Além disso, embora a cannabis seja frequentemente usada para reduzir a ansiedade, algumas pessoas percebem que as cepas com alto índice de THC as tornam mais ansiosas ou paranoicas. Se você é uma dessas pessoas, experimente variedades mais equilibradas – como 1:1.

Mais pesquisas sobre a maconha estão chegando, e essa erva tem muitos efeitos medicinais diferentes que podem funcionar tão eficazmente quanto outros medicamentos e com muito menos efeitos colaterais. Sabemos que é necessário compreender melhor os efeitos da maconha no sono e na saúde. Ela pode ser uma boa solução a curto prazo, mas também precisamos ficar de olho no que ela pode provocar depois de um tempo de uso.Alice deitada em uma cama deliciosa de buds de maconha

Coisas a considerar antes de experimentar maconha para dormir

Fumar ervas de qualquer tipo pode oferecer riscos à saúde por conta da combustão – então, se você deseja os benefícios terapêuticos, pode pensar em outras maneiras de consumo livres de queima para não depender só do baseadinho.

Converse com seu médico ou um especialista sobre seus ciclos de sono. Pode haver consequências para a saúde a longo prazo com a interrupção do REM, porque grande parte do reparo da função imunológica ocorre durante o sono profundo.

O uso a longo prazo de qualquer sonífero não é recomendado! Pesquisas mostram que o consumo de remédios soníferos da classe dos hipnóticos aumenta o risco de morte por qualquer causa em pelo menos três vezes.

O uso de maconha não é recomendado para menores de 21 anos devido aos efeitos de longo prazo na aprendizagem e na memória. Outros grupos de risco são pessoas propensas à depressão e/ou esquizofrenia, grávidas e lactantes (principalmente por não termos pesquisas o suficiente sobre efeitos da cannabis em fetos e no desenvolvimento durante a infância).

Assim como qualquer outro, o uso da cannabis como uma forma de combater a insônia e ajudar o sono vai depender do seu organismo e de uma enorme miríade de fatores. Por isso, consuma com consciência – e, caso seus sintomas não melhorem, procure por um especialista.

E aí, achou essas informações relevantes? Comente aqui ou fale com a gente lá no nosso Instagram @girlsingreen710, onde postamos vários conteúdos interessantes sobre a nossa plantinha favorita, Redução de Danos, outras substâncias e muito, muito mais!

Até a próxima!

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