Saúde

MACONHA E TRANSTORNOS ALIMENTARES: A PLANTA PODE AJUDAR?

Aqui, vamos explorar o que as pesquisas apontam quando o assunto é a relação entre maconha e transtornos alimentares. Afinal, ela pode ser uma solução?

Todo mundo tem visto por aí os memes com o Ozempic, nova promessa para quem deseja emagrecer rápido e com pouco esforço. Mas o que muita gente não se pergunta é: será que estamos glorificando transtornos alimentares? No Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 4,7% da população enfrenta essas condições complexas. Entre os jovens, essa proporção chega a alarmantes 10%. Entre os transtornos alimentares mais comuns estão a anorexia nervosa, a bulimia nervosa, a compulsão alimentar e outros. E será que a maconha pode ajudar?

Esse cenário é extremamente desafiador, e os tratamentos nem sempre resultam em uma melhora consistente. Por conta disso, o interesse tem se voltado à maconha! A ciência tem buscado explorar se ela pode agir como uma possível intervenção para os transtornos alimentares. Apesar de estudos prévios terem demonstrado os benefícios da cannabis no aumento e na regulação do apetite em pacientes com condições médicas como câncer e HIV/AIDS, sua eficácia no tratamento específico desses distúrbios ainda está sendo investigada.

Bateu a curiosidade sobre essa temática? Aqui, examinaremos mais de perto a relação entre a maconha e os transtornos alimentares. Vamos buscar a base científica por trás dessa possível intervenção e os desafios associados ao seu uso no tratamento dessas condições. Bora lá?

 

Quais são os principais transtornos alimentares?

Os transtornos alimentares representam uma categoria de condições psicológicas complexas e multifacetadas que afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Elas não dependem de idade, sexo ou origem étnica, por mais que alguns tipos sejam mais prevalentes em partes específicas da população! 

Uma das características fundamentais desses transtornos é uma relação distorcida e disfuncional com a comida e o peso corporal. Muitas vezes, ela é acompanhada por uma variedade de comportamentos prejudiciais à saúde física e mental.

Alguns dos tipos mais comuns de transtorno alimentar são:

  • Anorexia nervosa: caracterizada pela busca por manter o peso corporal o mais baixo possível, através de restrição alimentar extrema, excesso de exercício físico, ou ambos. Os indivíduos muitas vezes têm uma percepção distorcida de sua própria imagem corporal, mesmo quando estão bem abaixo do peso saudável.
  • Bulimia nervosa: envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos compensatórios. Indução do vômito, uso de laxantes ou exercício excessivo são comuns. Esses ciclos de compulsão e purgação podem causar danos graves ao corpo e têm um impacto significativo na saúde.
  • Compulsão alimentar: caracterizado por episódios regulares de ingestão alimentar excessiva, sem os comportamentos compensatórios. Os indivíduos frequentemente experimentam sentimentos intensos de culpa e vergonha em relação à sua alimentação. Entretanto, são incapazes de controlar seus impulsos.
  • Obesidade: embora nem sempre seja considerada um transtorno alimentar por si só, a obesidade compartilha muitas características com os transtornos mencionados, como compulsão alimentar e uma relação problemática com a comida. Pode resultar de uma variedade de fatores, incluindo genética, ambiente, dieta e níveis de atividade física.
  • Transtorno Alimentar Não Especificado ou Atípico (TANEA): engloba uma variedade de comportamentos alimentares desordenados que não se enquadram claramente em nenhuma das categorias anteriores. Pode incluir diferentes comportamentos alimentares disfuncionais que causam sofrimento significativo.

 

E quais as causas dos transtornos alimentares?

Os transtornos alimentares dificilmente possuem uma causa única. Imagem: Girls in Green.

Pesquisas apontam que os transtornos alimentares podem aparecer por conta de uma combinação de fatores. Algumas das mais citadas são:

Pressões sociais e culturais: normas de beleza irreais e ideais de corpo promovidos pela mídia podem levar à insatisfação e a uma busca implacável pela magreza, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Não é nenhuma surpresa, né?

Genética e fatores biológicos: estudos sugerem que existe uma predisposição genética para os transtornos alimentares, com certos genes sendo associados a um maior risco de desenvolvimento dessas condições. Além disso, alterações em neurotransmissores, como a serotonina, estão relacionadas a desregulações no apetite e no humor. Elas podem contribuir para os transtornos alimentares.

História familiar: indivíduos com histórico familiar de transtornos alimentares têm um risco aumentado de desenvolver essas condições. Isso sugere uma influência significativa do ambiente familiar nos padrões de comportamento alimentar.

Traumas: abuso físico, sexual ou emocional podem desencadear ou contribuir para o desenvolvimento de transtornos alimentares. Geralmente, se tornam uma forma de lidar com o estresse e o controle.

Comorbidades psiquiátricas: os transtornos alimentares estão frequentemente associados a outros distúrbios psiquiátricos, como depressão, ansiedade e transtornos do humor. Isso mostra que pode haver uma sobreposição de fatores de risco e vulnerabilidades psicológicas.

Fatores fisiológicos: alterações hormonais durante a puberdade, gravidez ou menopausa, bem como condições médicas como distúrbios da tireoide, podem influenciar negativamente a regulação do peso e do apetite, aumentando o risco de transtornos alimentares.

 

A relação entre maconha, o apetite e a alimentação

Novamente, a resposta das nossas dúvidas está no… sistema endocanabinoide! O sistema endocanabinoide (SEC) é como se fosse uma rede de sinalização presente em todo o corpo.  Essa rede ajuda a manter o equilíbrio interno — a homeostase. Ele está localizado em diversas partes do nosso corpo que, por sua vez, estão envolvidas na ingestão de alimentos e no gasto de energia, coordenando diversos aspectos do equilíbrio energético.

Quando se trata de alimentação, o sistema endocanabinoide está intimamente ligado aos circuitos cerebrais relacionados ao comportamento alimentar e às propriedades recompensadoras dos alimentos. Isso significa que ele influencia diretamente nossos desejos e padrões de alimentação. Além disso, ele regula a forma como nosso corpo processa e armazena energia.

Estudos recentes sugeriram que há uma desregulação do sistema endocanabinoide em pessoas com transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Isso indica que o SEC pode desempenhar um papel importante na patologia desses distúrbios, afetando tanto o apetite quanto a resposta emocional à comida.

 

A maconha pode ajudar no tratamento de um transtorno alimentar?

Pesquisas apontam a necessidade de uma investigação mais profunda. Imagem: Girls in Green.

As pesquisas ainda estão apenas começando. Isso significa que nada ainda é certeiro, mas já existem boas bases de investigação que podem trazer algumas respostas interessantes! Por exemplo:

Uma revisão de estudos, publicada em 2022, explora a relação entre o uso de maconha e o risco reduzido do desenvolvimento de obesidade. De acordo com os cientistas, as descobertas já feitas são suficientemente boas para pavimentar novas pesquisas sobre essa relação. Ela se dá principalmente pela regulação do ômega-3 e ômega-6, bem como dos gastos energéticos, através do SEC.

Outra revisão, publicada em 2023, buscou analisar resultados de estudos sobre o uso da maconha no tratamento de pacientes com anorexia nervosa. Os resultados mostraram anormalidades no SEC em pacientes com AN. Alguns estudos indicaram benefícios do tratamento com canabinoides, como ganho de peso e melhora dos sintomas do transtorno alimentar. No entanto, são necessárias mais pesquisas para entender como maximizar os benefícios e minimizar os danos.

Mais um estudo de 2023 revisou a neurobiologia do transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) em humanos e modelos animais, com foco no papel do sistema endocanabinoide. O sistema endocanabinoide desempenha um papel significativo na regulação da ingestão de alimentos e no comportamento alimentar viciante. O estudo destaca a importância de compreender melhor esses mecanismos para desenvolver estratégias de tratamento mais eficazes para reduzir os sintomas do TCAP.

Ou seja: vamos seguir de olho nessa relação complexa para trazer mais informações atualizadas sobre isso! Por enquanto, lembre-se de que a automedicação é perigosa. Se você se identifica com algum dos pontos levantados aqui, procure ajuda de um profissional da saúde.

 

FAQ

A maconha pode ajudar no tratamento de transtornos alimentares?

Alguns estudos sugerem que a maconha pode ter potencial terapêutico no tratamento de transtornos alimentares. Eles incluemanorexia nervosa e compulsão alimentar. No entanto, a pesquisa ainda é limitada e inconclusiva. Mais estudos são necessários para determinar sua eficácia e segurança.

Como a maconha pode afetar os transtornos alimentares?

A maconha pode influenciar o sistema endocanabinóide do corpo, que desempenha um papel na regulação do apetite e da alimentação. Alguns dos compostos da maconha, como o THC e o CBD, têm sido estudados por seu potencial em modular a fome, a saciedade e a resposta emocional à comida.

Quais são os riscos e considerações ao usar maconha para transtornos alimentares?

O uso de maconha para transtornos alimentares deve ser cuidadosamente avaliado, pois pode haver efeitos colaterais e riscos associados ao seu uso, como dependência, efeitos psicoativos, problemas de saúde mental e impacto na função cognitiva. Além disso, as leis sobre o uso de maconha variam de acordo com o país e o estado, e o uso recreativo ou medicinal pode ser restrito ou ilegal em algumas áreas.

Existe alguma pesquisa específica sobre maconha e transtornos alimentares?

Alguns estudos forneceram insights preliminares sobre o potencial terapêutico da maconha para transtornos alimentares. No entanto, mais pesquisas são necessárias para confirmar esses resultados e entender completamente os efeitos da maconha nesse contexto.

O que devo fazer se estiver considerando usar maconha para tratar meu transtorno alimentar?

Se você estiver considerando o uso de maconha como parte do seu tratamento para um transtorno alimentar, consulte um médico. Ele pode fornecer orientações personalizadas com base em sua condição, histórico de saúde e necessidades individuais.

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