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Tensões musculares, menstruação, lesões localizadas ou até doenças crônicas: o que não faltam são possíveis causas por trás daquela dor nas costas chata que teima em atrapalhar nossa vida. Globalmente, estima-se que cerca de 540 milhões de pessoas sofram com esse sintoma. Pessoas acima do peso e mulheres com mais de 30 anos estão entre os maiores afetados. Mas e aí: quando o assunto é dor nas costas, será que a maconha pode ajudar?

Um dos principais usos da maconha medicinal é justamente para tratar dores diversas — como a gente já explicou por aqui. Entretanto, quando falamos da dor nas costas, precisamos entender qual o mecanismo da planta que pode ajudar, e lembrar também que tudo pode depender das causas subjacentes desse incômodo. 

Também sofre com esse problema tão debilitante? No tema! Aqui, vamos explicar para você como a maconha pode ajudar quem sofre com dor nas costas, o que a ciência diz sobre isso e como você pode incorporar a plantinha em sua vida para encontrar alívio.

Vem com a gente!

 

O que é dor nas costas: tipos e intensidade

A dor nas costas é um problema bem mais comum do que a gente pode imaginar (ainda mais na juventude, com uma coluninha zerada). Mas a verdade é que ele pode variar em termos de tipo, localização e intensidade. 

Tipos de dor nas costas:

  • dor aguda: geralmente é de curto prazo e surge de repente. Muitas vezes se relaciona a lesões ou tensões musculares;
  • dor crônica: persiste por um período prolongado — geralmente mais de 12 semanas. Pode estar associada a condições médicas subjacentes, como hérnia de disco, artrite ou problemas estruturais.

Localização da dor nas costas:

  • lombar (lombalgia): uma das formas mais comuns do problema, afeta a parte inferior das costas;
  • torácica: menos comum, a dor nas costas na região média das costas pode ser causada por problemas na coluna torácica;
  • cervical: afeta o pescoço e a parte superior das costas. Pode ser causada por tensões musculares, problemas de disco ou degeneração.

Intensidade:

  • leve a moderada: muitas dores nas costas são de intensidade leve a moderada e podem ser gerenciadas com medidas simples, como repouso, exercícios de alongamento e medicamentos comuns;
  • severa: a dor nas costas intensa pode ser incapacitante, interferindo nas atividades diárias. Pode exigir intervenção médica, incluindo tratamentos mais específicos e analgésicos mais potentes.

 

O que pode causar dor nas costas?

Antes de usar a maconha ara tratar as dores, é preciso conhecer suas causas! Imagem: Girls in Green.

Como a gente já mencionou, é bem importante entender a causa por trás da dor nas costas. Ela pode aparecer por diversos motivos, incluindo lesões, doenças crônicas, má postura e até mesmo fatores hormonais, como a menstruação. Alguns dos mais comuns são:

Lesões musculares e ligamentares:

  • entorses e distensões: lesões comuns devido a movimentos bruscos, levantamento inadequado de objetos ou atividades físicas intensas;
  • lesões por impacto: traumas, quedas ou acidentes podem resultar em lesões nas costas.

Problemas estruturais na coluna vertebral:

  • hérnia de disco: quando o material do disco intervertebral se desloca, podendo pressionar os nervos e causar dor;
  • escoliose: curvatura anormal da coluna vertebral;
  • estenose espinhal: estreitamento do canal espinhal, que pode causar compressão nervosa.

Doenças crônicas:

  • artrite: inflamação das articulações, como a espondilite anquilosante;
  • osteoporose: diminuição da densidade óssea, aumentando o risco de fraturas vertebrais;
  • fibromialgia: condição que causa dor muscular generalizada e sensibilidade.

Problemas internos:

  • pedras nos rins: podem causar dor intensa nas costas quando passam pelos ureteres;
  • endometriose: em algumas mulheres, a dor nas costas pode ser um sintoma relacionado ao ciclo menstrual;
  • menstruação: algumas mulheres experimentam dor nas costas durante o ciclo menstrual devido a mudanças hormonais.

Má postura e sobrecarga:

  • postura inadequada: sentar-se ou ficar em pé de maneira inadequada pode levar a dores nas costas ao longo do tempo;
  • levantamento incorreto: erguer objetos pesados de maneira inadequada pode causar lesões nas costas.

Fatores psicossociais:

  • estresse e ansiedade: podem contribuir para a tensão muscular e piorar a dor nas costas;
  • depressão: algumas pessoas com depressão podem relatar dor nas costas como um sintoma.

Idade e desgaste natural:

  • degeneração discal: com o envelhecimento, os discos entre as vértebras podem se degenerar, contribuindo para a dor nas costas.

 

A maconha pode ajudar a aliviar a dor nas costas?

A maconha, especialmente os compostos presentes nela chamados canabinoides, tem sido estudada por seus potenciais efeitos no alívio da dor, incluindo a dor nas costas. O sistema endocanabinoide, que está presente no corpo humano, desempenha um papel crucial nesse contexto.

O sistema endocanabinoide é composto por receptores canabinoides (principalmente CB1 e CB2), endocanabinoides (produzidos pelo próprio corpo) e enzimas que regulam a síntese e a degradação desses endocanabinoides. Os canabinoides encontrados na maconha, como o THC (tetraidrocanabinol) e o CBD (canabidiol), interagem com esses receptores no sistema endocanabinoide.

  • O THC, por exemplo, é conhecido por suas propriedades analgésicas e pode ajudar a modular a percepção da dor.
  • O CBD, embora não seja psicoativo como o THC, tem propriedades anti-inflamatórias, relaxantes musculares e pode influenciar a resposta à dor.

Os canabinoides podem atuar nos receptores CB1 presentes principalmente no sistema nervoso central e CB2, mais prevalentes no sistema imunológico e tecidos periféricos. A ativação desses receptores pode modular a transmissão de sinais de dor e reduzir a inflamação.

 

E quais são as evidências mais recentes?

maconha dor nas costas
Linhas de produtos para alívio de dores são comuns no mercado legal. Imagem: Papa & Barkley.

Essa revisão de 2022 avaliou 22 artigos, dos quais quatro atenderam aos critérios de elegibilidade. Dois estudos abordaram a dor pós-lesão na medula espinhal, enquanto outros dois trataram da dor lombar. Os tipos de cannabis variaram, incluindo THC e medicamentos à base desse canabinoide. Ele envolveu 110 pacientes e mostrou vantagens quantificáveis da terapia com cannabis para aliviar a dor nas costas em todos os estudos, sem relatos de efeitos adversos graves. 

Esse outro estudo de 2022 incluiu 48 pacientes com estenose espinhal lombar. Ao longo de seis visitas, avaliou-se a dor imediata, o nível usual de dor durante a semana. Concluiu-se que o tratamento com cápsulas de gel à base de CBD resultou em melhorias significativas nas pontuações de dor e em medidas de qualidade de vida para os pacientes.

Mais um estudo de 2022 nos mostrou que o uso de cannabis para tratar dores crônicas nas costas ajudou a reduzir o número de pacientes que buscou alívio em medicamentos à base opioides e opiáceos. Isso é especialmente incrível pensando no contexto dos Estados Unidos, que vive uma verdadeira crise por conta do uso problemático de analgésicos do tipo.

A maconha também pode ajudar a tratar as causas subjacentes da dor nas costas. Por exemplo: pesquisas já mostraram seu potencial como anti-inflamatório, relaxante muscular, redutor de estresse e até de dores e desconfortos menstruais. Isso significa que ela pode ser eficaz para diferentes manifestações desse mesmo sintoma.

 

Como usar maconha para dor nas costas

A maconha pode ser utilizada de diversas formas para aliviar a dor nas costas. Aqui estão alguns métodos de uso:

Inalação: fumar ou vaporizar maconha é uma opção que oferece alívio rápido, geralmente em 1-2 minutos. No entanto, é importante considerar os efeitos do fumo na saúde pulmonar.

Tinturas: tinturas de maconha são líquidos à base de maconha que podem ser colocados sob a língua e engolidos. A absorção através das membranas mucosas proporciona resultados mais rápidos.

Comestíveis: alimentos infundidos com maconha produzem uma resposta mais lenta, pois a absorção ocorre através do sistema digestivo. No entanto, os efeitos podem durar mais tempo e oferecer um alívio prolongado.

Tópicos: produtos tópicos, como cremes ou pomadas, aplicados diretamente na área afetada, oferecem alívio localizado. A absorção ocorre na pele, proporcionando um efeito específico no local da lesão.

Cada método de uso tem suas próprias características, e a escolha depende das preferências pessoais, das necessidades do paciente e das considerações de saúde!

 

E aí, gostou dessas informações?

A maconha pode ser uma ferramenta incrível para lidar com diferentes condições. Mas não esqueça de que nada que falamos aqui substitui uma opinião profissional. Por isso, se a dor nas costas anda incomodando você, procure um médico, ok?

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Até a próxima!

 

FAQ

O que é dor nas costas, quais seus tipos e intensidades?

A dor nas costas é uma sensação desconfortável na região dorsal, podendo ser aguda ou crônica, leve a intensa.

O que pode causar a dor nas costas?

Lesões, problemas estruturais, má postura, condições médicas e fatores psicossociais podem causar dor nas costas.

A maconha pode ajudar a aliviar a dor nas costas?

Sim! Estudos apontam que os canabinoides podem atuar nos receptores CB1 presentes principalmente no sistema nervoso central e CB2, mais prevalentes no sistema imunológico e tecidos periféricos. A ativação desses receptores pode modular a transmissão de sinais de dor e reduzir a inflamação.

Como usar maconha para dor nas costas?

A maconha pode ser inalada, consumida em comestíveis, aplicada topicamente ou usada em tinturas para aliviar a dor nas costas. Consulte um profissional de saúde antes de considerar qualquer método.

Quanto mais estudamos, mais entendemos que cada cultura tem suas plantas de poder. Infelizmente, no momento em que elas se popularizam, perdemos os seus contextos tradicionais—o que nos deixa cara a cara com riscos que, diversas vezes, poderiam ser evitados se tivéssemos mais respeito aos rituais e as sabedorias de povos originários. E esse parece ser o caso do kratom!

Popular na Ásia Central, essa plantinha da família do café conta com propriedades psicoativas exploradas a centenas de anos pela população local. Seus usos em ritos e na medicina natural parecem ser bem tolerados, com alguns efeitos colaterais leves. Mas, quando a dose aumenta, seu uso pode se tornar arriscado!

Hoje, viemos falar sobre o kratom, seus usos, benefícios e riscos. Afinal, para reduzir danos, nada melhor do que muita informação, né não? Venha com a gente conhecer essa substância tão tradicional (e tão polêmica no Ocidente)!

 

O que é Kratom?

O kratom (Mitragyna speciosa) é uma árvore pertencente à família do café, encontrada principalmente na Tailândia e países vizinhos. Tradicionalmente, no Sudeste Asiático, as folhas do kratom são mastigadas ou transformadas em chá para combater a fadiga, melhorar a produtividade no trabalho e, às vezes, utilizadas em cerimônias religiosas. Além disso, essa plantinha tem sido usada por centenas de anos para tratar sintomas como dor e diarreia, sendo ocasionalmente utilizada para substituir o ópio.

Os principais ativos do kratom são a mitraginina e a 7-hidroximitraginina. Segundo pesquisas, esses compostos interagem com os receptores opioides no nosso cérebro. Usuários relatam sensações variadas, como aumento de energia, relaxamento, alívio da dor e até confusão mental.

Historicamente, as folhas eram mastigadas ou usadas para fazer chá. No entanto, atualmente, ele também é frequentemente processado em forma de pó e encapsulado, ou até mesmo esmagado e fumado, como tabaco ou maconha. A dosagem do kratom pode influenciar os efeitos, com doses baixas agindo como estimulantes e doses altas induzindo sonolência ou um estado onírico (aquela sensação de que você está sonhando, sabe?).

 

Quais os efeitos do Kratom?

kratom
O kratom tem efeitos variados, que vão da euforia à sedação. Imagem: Canva.

O kratom pode produzir efeitos que variam de acordo com a dose ingerida. Em doses pequenas, geralmente de alguns gramas, os efeitos tendem a ser estimulantes, com manifestações como: 

  • estado de alerta;
  • sociabilidade;
  • euforia;
  • leve redução na coordenação motora. 

Esses efeitos estimulantes costumam ocorrer rapidamente, dentro de cerca de 10 minutos após a ingestão, e podem durar até aproximadamente 1 hora e meia.

Por outro lado, em doses maiores, situadas entre 5 e 15 gramas de folhas secas, ele pode ter efeitos sedativos. Isso pode resultar em sentimentos de tranquilidade e euforia mais intensos, com uma duração potencialmente mais longa, podendo chegar até seis horas.

Para você ter uma ideia melhor em relação às dosagens:

Categoria Dose Efeitos
Baixa a moderada 1 a 5 gramas Aumento de energia e foco
Alta De 5 a 15 gramas Alívio da dor, analgesia similar a dos opioides, e risco aumentado de efeitos colaterais.
Arriscada Mais de 15 gramas Sedação e risco aumentado de efeitos colaterais mais graves.

Fonte: Healthline.

 

Quais os potenciais benefícios do Kratom?

Atualmente, ainda se sabe pouco sobre as propriedades da planta — principalmente em termos de pesquisas e evidências científicas. Muito do que sabemos está mais relacionado a relatos e experiências pessoais com ela. No entanto, alguns estudos apontam que as folhas podem ajudar com:

  • alívio da dor: o kratom contém mitraginina, que se liga aos receptores opioides no cérebro, proporcionando alívio da dor. Assim, pesquisas explicam que ele pode aumentar a tolerância à dor;
  • melhoria do humor: alguns usuários relatam efeitos antidepressivos e anti-ansiedade após o consumo, possivelmente devido à interação da mitraginina com os receptores opioides;
  • efeitos sedativos: estudos mostram que, em doses mais altas, o kratom pode ter efeitos sedativos, levando a sentimentos de tranquilidade e euforia;
  • gerenciamento de sintomas de abstinência a opioides e opiáceos: algumas pessoas usam a planta na tentativa de gerenciar a relação problemática com opioides e aliviar os sintomas de abstinência;
  • potenciais benefícios adicionais: de acordo com estudos, o kratom também é associado a efeitos anti-inflamatórios, aumento da imunidade e supressão do apetite.

É importante notar que, embora alguns relatem benefícios, a pesquisa sobre o kratom ainda está em estágios iniciais. Por isso, a segurança e eficácia desses usos precisam ser mais bem compreendidas. Além disso, ele está associado a efeitos colaterais. Vamos explorá-los um pouco mais?

 

Quais os riscos de usar Kratom?

Em usos tradicionais e baixas doses, o kratom é relativamente seguro. Em altas doses, seus riscos se intensificam. Imagem: Canva.

O uso de kratom já foi relacionado a uma lista considerável de efeitos negativos. Alguns dos mais reportados são:

  • perda de peso;
  • boca seca;
  • calafrios, náuseas e vômitos;
  • alterações na urina e constipação;
  • danos ao fígado;
  • dores musculares;
  • tontura;
  • sonolência;
  • alucinações e delírios;
  • depressão;
  • supressão da respiração;
  • convulsões, coma e morte.

Segundo dados coletados pela Mayo Clinic, entre 2011 e 2017, os centros de controle nos Estados Unidos receberam aproximadamente 1.800 relatos envolvendo o uso de kratom, incluindo casos de morte. Além disso, bebês expostos a ele por conta da amamentação desenvolveram sintomas de abstinência. Em animais, a planta parece ser mais potente que a morfina, mas foi associado a danos hepáticos. 

Não se sabe exatamente qual nível de kratom é tóxico em humanos. Assim como com alguns outros medicamentos para dor e substâncias de uso adulto, é possível ter uma overdose.

É crucial enfatizar que esses efeitos negativos são relacionados a doses altas da substância. Em usos tradicionais, como em chás e infusões, a planta não parece oferecer riscos significativos para a saúde. 

 

ele é legal no Brasil?

O Kratom está no foco da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2019. E, embora algumas fontes apontem o kratom como sendo legal no país, encontramos várias informações conflitantes a respeito da legalidade da planta! Em 2019, por exemplo, um casal foi preso por comercializar cápsulas com a substância.

Por isso, todo cuidado é pouco! 

 

E aí, gostou de saber mais sobre essa planta exótica? A gente acredita que a informação é a maior forma de reduzir danos! Assim, você pode pesar riscos e benefícios e entender como cada substância pode contribuir (seja de forma positiva ou negativa) para a sua vida.

Para saber mais sobre essa e diversas outras temáticas, siga a gente no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

 

FAQ

O que é Kratom?

O Kratom (Mitragyna speciosa) é uma árvore pertencente à família do café, encontrada principalmente na Tailândia e países vizinhos. Tradicionalmente, no Sudeste Asiático, as folhas do Kratom são mastigadas ou transformadas em chá para combater a fadiga, melhorar a produtividade no trabalho e, às vezes, utilizadas em cerimônias religiosas. 

Quais os efeitos do Kratom?

Em doses pequenas, geralmente de alguns gramas, os efeitos tendem a ser estimulantes. Por outro lado, em doses maiores, situadas entre 5 e 15 gramas de folhas secas, ele pode ter efeitos sedativos. Isso pode resultar em sentimentos de tranquilidade e euforia mais intensos. Acima disso, potenciais riscos surgem.

Quais os potenciais benefícios do Kratom?

Alguns estudos apontam que as folhas do kratom podem ajudar com alívio da dor, melhoria do humor, efeitos sedativos, gerenciamento de sintomas de abstinência a opioides e opiáceos, efeitos anti-inflamatórios, aumento da imunidade e supressão do apetite.

Quais os riscos de usar Kratom?

O uso de Kratom já foi relacionado a uma lista considerável de efeitos negativos. Alguns dos mais reportados vão de calafrios, náuseas e vômitos, até convulsões, coma e morte.

Kratom é legal no Brasil?

O Kratom está no foco da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) desde 2019. E, embora algumas fontes apontem o kratom como sendo legal no país, encontramos várias informações conflitantes a respeito da legalidade da planta. Por isso, todo cuidado é pouco!

Caracterizada por períodos menstruais extremamente irregulares, acne e excesso de pelos faciais e corporais, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) pode afetar uma a cada dez pessoas do sexo feminino em idade reprodutiva. E, embora essa condição seja bem comum, ela não é tão bem compreendida – e isso leva muitas pacientes a explorarem opções como a cannabis. Mas qual será a relação da maconha com a síndrome dos ovários policísticos?

A realidade é que, devido aos anos de proibição, as pesquisas que investigam o potencial da planta para esse e outros problemas que nos afetam são bem limitadas. No entanto, já temos alguns estudos que indicam que a nossa amada erva pode auxiliar no controle de sintomas característicos e melhorar a qualidade de vida de pessoas com SOP. 

Bateu a curiosidade? Aqui, vamos explicar o que é a síndrome dos ovários policísticos e quais seus principais sintomas. Além disso, vamos compreender como a maconha pode ajudar pacientes diagnosticadas a lidarem com esse problema. Vem com a gente entender tudinho!

 

O que é síndrome dos ovários policísticos?

Segundo definições da Mayo Clinic, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição hormonal que afeta mulheres em idade reprodutiva. Com SOP, os ovários produzem uma quantidade anormal de hormônios chamados andrógenos, que são geralmente encontrados em pequenas quantidades no corpo feminino. Isso pode levar a uma série de sintomas e problemas de saúde.

Uma característica chave da SOP é a formação de muitos pequenos cistos cheios de líquido nos ovários, chamados de cistos ovarianos. Esses cistos contêm óvulos imaturos, que não são regularmente liberados durante a ovulação. Como resultado, mulheres com SOP podem ter dificuldade para engravidar devido à falta de ovulação regular.

Embora a causa exata da SOP não seja completamente compreendida, fatores como resistência à insulina, inflamação de baixo grau, hereditariedade e produção excessiva de andrógenos pelo ovário são considerados importantes. A resistência à insulina, por exemplo, pode desencadear um aumento na produção de andrógenos, contribuindo para os sintomas da SOP.

As complicações associadas à SOP podem incluir:

  • infertilidade;
  • diabetes gestacional;
  • pressão alta durante a gravidez;
  • aumento do risco de aborto espontâneo ou parto prematuro;
  • problemas metabólicos, como síndrome metabólica e diabetes tipo 2;
  • problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.

Além disso, a obesidade é comum em mulheres com SOP e pode agravar essas complicações.

 

Quais os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos?

maconha e síndrome dos ovários policísticos
O SOP tem diferentes sintomas, que variam de pessoa para pessoa e da severidade da condição. Imagem: Canva.

Os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos (SOP) podem variar bastante. De acordo com a Johns Hopkins Medicine, eles incluem:

  • irregularidades menstruais, incluindo períodos menstruais ausentes, menstruações pouco frequentes ou períodos muito longos;
  • níveis elevados de andrógenos, hormônios que podem levar a sintomas como excesso de pelos faciais e corporais (hirsutismo), acne e queda de cabelo no padrão masculino (alopecia androgenética);
  • cistos pequenos nos ovários, que podem ser observados em exames de ultrassom;
  • dificuldade para engravidar ou infertilidade;
  • dificuldade em controlar o peso ou ganho de peso, especialmente em torno da região abdominal;
  • resistência à insulina e diabetes tipo 2;
  • manchas escuras e aveludadas na pele em áreas como pescoço, axilas, virilha e sob os seios;
  • depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental podem ser mais comuns em mulheres com SOP.

Esses sintomas podem variar em gravidade e podem exigir uma abordagem multidisciplinar para o diagnóstico e gerenciamento eficaz da síndrome dos ovários policísticos. Por isso, é bem importante consultar um médico se você suspeitar que tem SOP ou se estiver experimentando quaisquer sintomas relacionados!

 

Quais as relações da maconha com a síndrome dos ovários policísticos?

A relação entre a maconha e a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é complexa e multifacetada. Embora não haja evidências definitivas de que a maconha e os canabinoides possam tratar diretamente a condição, estudos sugerem que eles podem desempenhar um papel interessante no combate a sintomas e comorbidades associados a ela. 

E o motivo todo mundo já conhece: o nosso sistema endocanabinoide (SEC). Ele está envolvido na regulação do eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano (HPO), que desempenha um papel crucial na função reprodutiva feminina. Disfunções no ECS podem levar à disfunção desse eixo, que está relacionado à SOP. 

Além disso, mulheres com SOP demonstraram uma superexpressão de receptores CB1 em tecido adiposo, o que está relacionado à resistência à insulina. Esse é um dos principais problemas associados ao distúrbio. 

Os fitocanabinoides podem direcionar esses receptores e potencialmente ajudar a modular a resistência à insulina. No entanto, o THC pode interferir na regulação da oogênese. Isso torna a concepção mais difícil para mulheres com SOP. 

Por outro lado, o CBD parece ter um efeito menos negativo na fertilidade – e pode até mesmo melhorá-la. Portanto, embora a maconha não seja uma cura direta para a síndrome dos ovários policísticos, seu uso pode ter efeitos sobre os sintomas e fatores associados à condição. Ainda são necessárias mais pesquisas para entender completamente os efeitos da planta e determinar as melhores abordagens de tratamento. 

 

Prós e contras da maconha para SOP

Embora as pesquisas sejam limitadas, a maconha pode ajudar pacientes a lidarem com sintomas da SOP. Imagem: Canva.

Analisando os estudos disponíveis sobre a temática, elaboramos uma breve listinha de prós e contras em relação ao uso da maconha em casos de síndrome dos ovários policísticos.

Prós:

Contras:

  • alguns estudos sugerem que a cannabis pode impactar negativamente a fertilidade;
  • existem poucos estudos ou ensaios clínicos sobre cannabis medicinal para SOP. Isso torna difícil determinar sua eficácia, bem como método de uso e dosagem ideais.

 

Gostou dessas informações? Esperamos que elas ajudem você a entender melhor esse distúrbio e como nossa plantinha favorita pode ajudar. Mas não esqueça: se você suspeita do diagnóstico, é fundamental procurar um médico antes de começar qualquer tipo de tratamento.

Até a próxima!

 

FAQ

O que é síndrome dos ovários policísticos?

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma condição hormonal que afeta mulheres em idade reprodutiva. Com ela, os ovários produzem uma quantidade anormal de hormônios chamados andrógenos. Isso pode levar a uma série de sintomas e problemas de saúde.

O que causa a síndrome dos ovários policísticos?

Embora a causa exata da SOP não seja completamente compreendida, fatores como resistência à insulina, inflamação de baixo grau, hereditariedade e produção excessiva de andrógenos pelo ovário são considerados importantes. 

Quais os principais sintomas da síndrome dos ovários policísticos?

Alguns dos principais sintomas são irregularidades menstruais, excesso de pelos faciais e corporais (hirsutismo), acne e queda de cabelo no padrão masculino (alopecia androgenética), cistos pequenos nos ovários, dificuldade para engravidar ou infertilidade, dificuldade em controlar o peso ou ganho de peso, especialmente em torno da região abdominal, resistência à insulina e diabetes tipo 2, bem como depressão, ansiedade e outros problemas de saúde mental.

Quais as relações da maconha com a síndrome dos ovários policísticos?

Aparentemente, o nosso sistema endocanabinoide (SEC) está envolvido na regulação do eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano (HPO). Ele desempenha um papel crucial na função reprodutiva feminina. Disfunções no ECS podem levar à disfunção desse eixo, que está relacionado à SOP. 

Como a maconha pode ajudar quem tem SOP?

Um estudo mostrou que pacientes com SOP têm uma expressão reduzida da hidrolase de amida de ácido graxo (FAAH), sugerindo que a disfunção do SEC está envolvida no PCOS. A maconha pode, portanto, ser usada para regulá-lo. Além disso, fitocanabinoides podem ser usados para gerenciar dor pélvica, ansiedade e distúrbios do sono como insônia e apneia do sono em mulheres com SOP. O gerenciamento do peso e da acne são outros benefícios notáveis.

Se a psilocibina é a sua substância de escolha (ou pelo menos uma delas), você deve, assim como a gente, estar sempre buscando por novas maneiras de experimentá-la. Isso porque o sabor dos cogumelos mágicos in natura pode ser desafiador para alguns paladares mais sensíveis! E, dentre receitas de chocolates e chás, encontramos uma que nos chamou atenção: a do Blue Honey, ou mel azul.

O Blue Honey é um jeitinho simples, prático e gostoso de armazenar seus cogumelos ricos em psilocibina de forma eficaz. Com ele, você evita a oxidação e degradação dos seus queridos fungos e de quebra ganha uma forma deliciosa de dosar suas experiências psicodélicas!

Mas afinal, o que é o Blue Honey, como ele é feito e como dosá-lo? Aqui, a gente vai esclarecer tudo isso para você! Vem com a gente mergulhar nessa temática.

 

O que é Blue Honey?

O “mel azul” ou “Blue Honey” é, basicamente, mel com cogumelos mágicos. Esse método de preparação envolve adicionar pó ou pequenos pedaços de cogumelos ricos em psilocibina ao mel. O objetivo por trás disso é criar uma maneira mais conveniente e saborosa de consumir esses fungos, além de permitir um armazenamento mais eficiente.

Ao misturar o pó de cogumelo no mel, a psilocibina é preservada, e o mel serve como um meio agradável para a administração dos cogumelos. Se você já tem experiência com eles, deve saber que o seu gosto amargo pode até causar alguns desconfortos. Por isso, se você não curte tanto o chocolate ou mesmo as cápsulas, o Blue Honey pode ser a alternativa perfeita para você.

O nome “mel azul” refere-se ao fato de que, ao longo do tempo, a psilocibina presente nos cogumelos pode oxidar e adquirir uma cor azul escura. Embora o mel em si não mude para a cor azul, o termo é utilizado para indicar que o mel está enriquecido com o alcaloide psicoativo presente nos cogumelos mágicos.

A razão por trás dos poderes mágicos de preservação do mel é dupla. Primeiro, o mel contém um agente antibacteriano do qual todos já ouvimos falar, o peróxido de hidrogênio. Isso permite que as bactérias sejam controladas a ponto de os humanos poderem consumi-lo milhares de anos depois. O segundo aspecto fascinante da preservação do mel é o ácido glicônico, que aumenta a acidez ao reduzir o pH do mel. Incrível, não é?

 

Quais as vantagens do Blue Honey?

blue honey
Existem várias vantagens além da preservação! Imagem: Canva.

Algumas das vantagens associadas ao uso do “Blue Honey” ou mel azul são:

  • preservação das propriedades psicodélicas: como a gente já mencionou, o mel funciona como um excelente conservante! Assim, ele permite a preservação das propriedades alucinógenas dos cogumelos por um período praticamente indefinido. A ausência de processos de cozimento também evita o risco de danificar os cogumelos, uma vez que altas temperaturas podem degradar a psilocibina;
  • facilidade de armazenamento: a preparação do Blue Honey oferece uma maneira conveniente de armazenar os cogumelos. Só lembre de rotular seu potinho de mel para evitar viagens de pessoas desavisadas!
  • facilidade de dosagem: ao calcular a dosagem no pote de mel, torna-se fácil determinar quantas colheres de chá são necessárias para alcançar o efeito desejado. Isso proporciona um bom controle sobre a quantidade de psilocibina consumida;
  • controle de potência: conhecer a proporção de mel para cogumelos permite ajustar a potência da mistura conforme suas preferências. Você pode fazer uma mistura mais forte ou suave, dependendo da sua tolerância e da intenção;
  • experiência menos desconfortável: o mel azul oferece uma alternativa mais palatável para consumir cogumelos mágicos em comparação com mastigá-los purinhos. O sabor do mel pode tornar a experiência mais agradável para aqueles que acham a textura ou o sabor dos cogumelos secos desagradáveis;
  • variedade na forma de administração: o Blue Honey oferece uma alternativa única e mais refinada para a administração de psilocibina. Pode ser até uma forma de agregá-los a outras receitas e pratos! Um smoothie adoçado com esse mel, por exemplo, fica delicinha.

 

Como fazer Blue Honey?

Para fazer seu mel azul, você vai precisar de:

  • 4,62g de cogumelos mágicos moídos;
  • 132g de mel (quanto mais líquido, melhor);
  • pote de vidro para armazenar.

Passo a passo:

  • Comece com os cogumelos. Moa-os em um moedor de especiarias ou triturador de alimentos até eles virarem um pó. É importante garantir que não haja pedaços grandes!
  • Em uma balança pequena, pese seus cogumelos moídos até atingir 4,62 gramas. Adicione isso ao seu pote de vidro limpo e seco.
  • Adicione 136 gramas de mel ao pote e mexa lentamente, mas de forma consistente, até que todos os cogumelos estejam completamente misturados ao mel. Armazene em um local fresco e seco.
  • Seu pote agora contém 4,62 gramas de cogumelos, o que resulta nas seguintes medidas: 22 colheres de chá de 0,2 gramas (microdose) ou 8 colheres de sopa de 0,5 gramas cada (microdose maior).

É claro que você pode aumentar a quantidade de cogumelos para ajustar de acordo com sua tolerância ou suas preferências, ou aumentar a receita seguindo essas proporções para um efeito mais suave. A gente que adora uma microdose curte a opção de usar o mel para isso no dia a dia — sem necessariamente ter efeitos psicodélicos acentuados.

 

Como dosá-lo?

Dosar o Blue Honey depende da quantidade de cogumelo que você usou inicialmente. Imagem: Canva.

Como a gente já explicou, a dose vai depender bastante do tipo de experiência que você está procurando. Mas já trouxemos no nosso texto de chá de cogumelos uma tabela que pode ajudar a guiar quem está começando e quer saber o que esperar:

Tipo de dose Dose Duração dos efeitos Melhor para
Baixa 0.5 a 1g 1 a 4 horas Iniciantes
Média 1.5 a 3g 1 a 4 horas Consumidores experientes
Alta Acima de 3g 2 a 6 horas Consumidores muito experientes

Fonte: Leafly.

 

E aí, gostou de descobrir mais sobre o delicioso mel azul? Conta para a gente se você já fez e curtiu, ou deixa aqui nos comentários a sua dúvida sobre o processo.

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Até a próxima!

 

FAQ

O que é Blue Honey?

O “mel azul” ou “Blue Honey” é, basicamente, mel com cogumelos mágicos. Esse método de preparação envolve adicionar pó ou pequenos pedaços de cogumelos ricos em psilocibina ao mel. O objetivo por trás disso é criar uma maneira mais conveniente e saborosa de consumir esses fungos, além de permitir um armazenamento mais eficiente.

Quais as vantagens do Blue Honey?

O Blue Honey preserva melhor os cogumelos psicodélicos, além de facilitar sua dosagem e seu armazenamento. O método também é bem indicado para quem não gosta do sabor dos cogumelos in natura, que pode ser bem forte.

Como fazer Blue Honey?

Para fazer o Blue Honey, basta moer seus cogumelos e misturá-los a uma quantidade adequada de mel. A proporção vai depender muito da sua intenção, mas nós sugerimos 4,62g de cogumelos mágicos moídos para 132g de mel (quanto mais líquido, melhor).

Como dosá-lo?

Dosar o mel segue a linha regular dos cogumelos, e vai depender da quantidade de gramas que você usar na receita. As doses de 0.5g a 1g são consideradas baixas, e acima de 3g são consideradas altas.

O haxixe, concentrado canábico potente feito através da separação das cabeças de tricoma, é uma paixão de milhares de pessoas ao redor do mundo. E ela está longe de ser recente: fontes como Robert C. Clarke e Frenchy Cannoli estimam que as extrações estejam presentes na cultura de diferentes povos há milhares de anos. Todo esse tempo levou ao desenvolvimento de técnicas variadas de aprimoramento da resina, e uma delas é a cura. Mas afinal, como curar haxixe?

Atualmente, a gente vive duas realidades distintas: temos os amantes de concentrados que extraem a resina a partir do fresh frozen, com todo cuidado para evitar a degradação e conservar o conteúdo dos tricomas o máximo possível. E temos os apaixonados pela resina curada, envelhecida e transformada, que vão para uma linha considerada mais old school.

A gente já falou de algumas técnicas específicas por aqui pelo blog, como a Piattella e o badder de rosin. Mas aqui, a gente veio dar algumas linhas gerais sobre a cura mais tradicional, da qual nosso querido professor Cannoli sempre espalhou a palavra por aí! Vem com a gente entender porquê e como curar seu haxixe.

 

Por que curar haxixe?

Como diria nosso querido Frenchy, não curar um bom haxixe é o mesmo que fumar uma flor recém-seca. Qualquer conhecedor sabe que você pode até fazer isso, mas vai estar perdendo muito do potencial da planta! Por isso, o professor afirmava categoricamente que qualquer resina de boa qualidade deve ser curada lentamente, ao longo de um período de pelo menos três meses.

Isso porque, depois de três meses, a polimerização dos terpenos transforma aromas e sabores da maconha, conforme o concentrado envelhece e amadurece. Essa maturação das glândulas de resina por meio da cura é semelhante à transformação que ocorre durante a cura das flores, especialmente quando são curadas antes de trimar. Uma cura perfeita dos tricomas é obrigatória para a qualidade, e não se aplica apenas às flores!

Para ele, prensar, ativar e curar as glândulas de resina vai além da facilidade de transporte, da conveniência ou de uma pura estratégia de marketing. É uma operação complexa que altera profundamente a própria natureza das glândulas de resina, suas propriedades psicoativas e medicinais. Sobretudo, é uma forma de arte com milhares de anos de evolução. Lindo, né?

Para resumir, a cura dos concentrados é um processo que:

  • estabiliza a resina, aumentando a sua durabilidade em condições e temperaturas ambientes;
  • provoca uma oxidação controlada, o que facilita a síntese dos canabinoides e tricomas sem perdas consideráveis de propriedades desejáveis;
  • refina o buquê de aromas e sabores de uma boa resina;
  • por vezes, transforma a sua cor e textura.

 

Como curar haxixe: orientações gerais

como curar haxixe
Os haxixes mais tradicionais geralmente são prensados e curados antes do consumo. Imagem: Girls in Green.

A melhor maneira de curar o haxixe ou concentrado que você tem em mãos vai depender do material que você usou para fazê-lo e do tipo de extração que foi realizada. No entanto, quando falamos de uma cura mais tradicional, geralmente também estamos falando de uma extração mais tradicional — nesse caso, um bom dry sift ou um ice feito a partir de matéria seca.

Quando falamos nas técnicas do Frenchy, temos três passos essenciais para a cura:

Prensando o haxixe

Antes de pensar em curar, nosso professor Cannoli ensina que precisamos prensar para ativar. Isso é: é necessário aplicar pressão e um pouquinho de temperatura para que o óleo se solte de dentro das cabeças de tricoma, fazendo nosso haxixe ficar com uma textura mais homogênea. 

Como a gente já explicou aqui no blog, a aplicação de calor converte o THCA em THC, em um processo chamado de “descarboxilação”. A descarboxilação de canabinoides se dá tanto à luz do dia quanto na escuridão, e parece ser um processo dependente da temperatura. Ela acontece naturalmente com o tempo e a temperatura (em certo grau), como durante a secagem e a cura. Quanto mais calor, mais rápido ela ocorre, dentro de intervalos razoáveis. A descarboxilação também ocorre naturalmente quando o material é queimado ou vaporizado. 

No entanto, quando o THCA e o CBDA são convertidos em THC e CBD, o THC também se converte em CBN a uma taxa mais rápida. Por volta de 70% da descarboxilação, o THC se transforma em CBN em uma taxa mais rápida do que a conversão do THCA para THC. Ou seja: é uma operação bem delicada!

A dica do Frenchy é: na hora de prensar a resina, coloque-a em um saquinho resistente ao calor (daqueles de cozinhar). Depois, encha uma garrafa de vidro com água bem quente. Passe essa garrafa de água pela resina como se você estivesse usando um rolo para abrir massa de pizza. Abra seu saquinho, amasse a resina, e repita o processo.

 

Curando o haxixe

Depois de passar pela prensagem, essa massinha de resina vai precisar descansar em uma fase “não-ativa”. Durante ela, acontece a polimerização final dos terpenos e dissipação da clorofila, e é isso que estabiliza seu haxixe. 

Essa estabilidade dos canabinoides é influenciada pela luz, temperatura, umidade e disponibilidade de oxigênio. Por isso, a escolha do recipiente, do ambiente de cura e a regulação do oxigênio são cruciais!

Como curar o haxixe: se as flores não foram curadas antes do processo de extração, a resina deve ser mantida em um recipiente fechado e hermético. Esse recipiente pode ser feito de quase qualquer material, mas Cannoli não recomenda o uso de plásticos! A temperatura deve ser mantida em torno de 90F (aproximadamente 32°C) durante os três meses necessários para uma cura perfeita. Além disso, o recipiente deve ser aberto a cada dois dias para evitar acúmulo de umidade.

Caso o haxixe tenha sido feito com flores já curadas, esse tempo posterior deve ser reduzido.

 

Envelhecendo o haxixe

Ao falar de envelhecimento, Cannoli admitiu que há muito poucos dados científicos disponíveis sobre o assunto. Por outro lado, segundo ele, existem diversos relatos em primeira mão sobre haxixes de qualidade com até 12 anos! Ou seja: o envelhecimento também é um processo bem interessante quando estamos falando de haxixe tradicional. 

Assim como tabaco, vinho, destilados ou queijo, o envelhecimento aprimora o sabor e os aromas. Assim como na cura, a escolha do recipiente, do ambiente de envelhecimento e a remoção de oxigênio são essenciais para o processo.

 

O que não fazer ao curar haxixe

como curar haxixe
Para curar uma amostra com maestria, é preciso evitar algumas coisas. Imagem: Girls in Green.

Você já deve ter observado alguns dos “pelo-amor-da-deusa-não-faça-isso” ao longo do texto. Mas, para resumir e retomar, alguns dos pontos de atenção no processo de cura são:

  • Não tente curar uma resina molhada. Mofo não é brincadeira, e ele vai surgir e acabar com o que podia ser um haxixe delicioso;
  • Não cure sua resina em recipientes de plástico. Dê preferência a vidros ou aço inoxidável!
  • Se for curar seu haxixe em um vidro, certifique-se de que ele ficará longe da luz. Luz e calor demais podem acelerar o processo de degradação da resina e acabar estragando seu processo.
  • Abrir o recipiente para liberar a umidade é fundamental. Mas não deixe o recipiente aberto! Se você se lembra bem, os terpenos são substâncias voláteis. Por isso, podem evaporar e sair por aí.

 

A cura é um processo mágico, e existem diferentes formas de fazê-lo. Aqui, a gente usou as guidelines gerais do Frenchy — professor que tanto honramos! Mas você pode testar diferentes técnicas e entender qual delas funciona melhor para você.

E aí, tem alguma dica? Deixa ela aqui nos comentários, e não esquece de nos seguir lá no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

 

FAQ

Por que curar o haxixe?

Curar o haxixe é interessante porque o processo estabiliza a resina, aumentando a sua durabilidade em condições e temperaturas ambientes. Isso provoca uma oxidação controlada, o que facilita a síntese dos canabinoides e tricomas sem perdas consideráveis de propriedades desejáveis. Além disso, a cura refina o buquê de aromas e sabores de uma boa resina. Por vezes, também transforma a sua cor e textura.

Como prensar haxixe?

Na hora de prensar a resina, coloque-a em um saquinho resistente ao calor (daqueles de cozinhar). Depois, encha uma garrafa de vidro com água bem quente. Passe essa garrafa de água pela resina como se você estivesse usando um rolo para abrir massa de pizza. Abra seu saquinho, amasse a resina, e repita o processo.

Como curar haxixe?

Se as flores não foram curadas antes do processo de extração, a resina deve ser mantida em um recipiente fechado e hermético. Esse recipiente pode ser feito de quase qualquer material, mas Cannoli não recomenda o uso de plásticos! A temperatura deve ser mantida em torno de 90°F (aproximadamente 32C) durante os três meses necessários para uma cura perfeita. Além disso, o recipiente deve ser aberto a cada dois dias para evitar acúmulo de umidade.

O que evitar ao curar o haxixe?

Evite curar resina molhada, não use recipientes plásticos, mantenha seu recipiente longe da luz e do calor e não deixe-o aberto por longos períodos de tempo.

Todo dia, a gente fica ainda mais fascinada com o mundo dos fungos e cogumelos mágicos (incluindo os famosos Psilocybe cubensis). Essas pequenas criaturas, tão especiais que possuem um reino só para elas, estão alcançando um novo patamar na sociedade. Isso porque, de acordo com estudos, elas podem ser a chave para lidar com diversos problemas e distúrbios relacionados à mente humana. Nada que María Sabina não tenha nos ensinado, né?

Segundo pesquisas, existem mais de 300 tipos já identificados de cogumelos mágicos, e grande parte deles é da espécie Psilocybe. Dentre eles, alguns dos mais conhecidos aqui no Brasil e no mundo são os cubensis. Inclusive aqueles que crescem nos pastos do interior, responsáveis por grande parte das histórias psicodélicas que já ouvimos de amigos e parentes! Mas você sabia que, assim como a maconha, ele conta com diversas variedades, cada uma com características e origens diferentes?

Aqui no blog, a gente já contou mais sobre algumas espécies do gênero Psilocybe, e até como cultivá-los. Hoje, viemos com nossa lista de variedades favoritas de Psilocybe cubensis. Vem com a gente conhecer esses poderosíssimos mini queridos!

 

Pink Buffalo

psilocybe cubensis
Thai Pink Buffalo. Imagem: Hidden Forest.

O cogumelo Pink Buffalo é uma variedade de Psilocybe cubensis proveniente da Ásia. Sua origem é associada a relatos do micologista americano John Allen, que afirmou ter encontrado esses cogumelos crescendo em uma pilha de esterco de búfalo na ilha tailandesa de Koh Samui. A descoberta teria ocorrido após Allen ser chamado para um arrozal por um búfalo rosa, considerado “sagrado”.

Independentemente da história maluca, que infelizmente nunca poderemos confirmar exatamente, os habitantes da ilha tailandesa têm conhecimento há muito tempo das propriedades psicoativas desses cogumelos.

O Pink Buffalo compartilha semelhanças com outras variedades de Psilocybe cubensis do Sudeste Asiático. Seus caules são finos, brancos ou cremosos, e ficam intensamente azuis quando machucados. Os chapéus são de tamanho médio a grande, com uma variedade de cores que vão de marrom canela claro a marrom dourado escuro, ocasionalmente com um toque de roxo. 

Quanto aos efeitos, dosagem e potência, é difícil de saber por conta da proibição dos cogumelos mágicos. Entretanto, cientistas apontam que essa variedade pode conter cerca de seis miligramas de psilocibina por grama seca. 

 

Penis Envy

Penis Envy. Imagem: Olympus Myco.

Se você nunca ouviu a história do Penis Envy, pode ter certeza de que ela só pode ter sido gerada depois de uma viagem com o cogumelo. Reza a lenda que o ícone da psicodelia Terrence Mckenna encontrou esporos na Amazônia, que foram posteriormente usados por Steven Pollock para desenvolver a variedade. O médico e psiconauta teria sido encontrado morto com um dos cogumelos em suas mãos. 

Mas, aparentemente, quase tudo isso é balela. Rich Gee, um micologista de Washington, afirma que os esporos originais vieram realmente da coleção de Terrence McKenna. Foi Gee quem desenvolveu a variedade em seu laboratório, observando mutações até obter um cogumelo com características desejadas. Seu nome surgiu a partir de um grupo de strippers, que comparam os cogumelos a um “pipi de cachorro”. É mole?

Em termos de anatomia, seus caules são bem mais “bulbosos”. Seus chapéus têm a particularidade de mal se abrir, permanecendo próximos ao caule.

Além disso, esses cogumelos produzem poucos ou nenhum esporo, uma característica incomum em cogumelos selvagens. Afinal, como eles poderiam sobreviver na natureza sem podem se reproduzir? Impossível.

Quanto à potência, dados coletados pela Oakland Hyphae sugerem que o Penis Envy, em média, pode ser de 50 a 100 por cento mais potente do que outras variedades de Psilocybe cubensis. No entanto, essa potência pode variar consideravelmente, sendo influenciada por fatores como condições de crescimento e métodos de armazenamento pós-colheita.

 

Golden Teacher

Golden Teacher. Imagem: teonanacatl.org.

O Golden Teacher não tem uma história tão maluca ou conhecida quanto as últimas duas variedades. A informação mais “aprofundada” que encontramos é que sua origem é cubana, e que ele também foi encontrado crescendo livremente na Flórida. Mas tudo isso é difícil de confirmar!

O que a gente sabe com toda certeza é que essa variedade é uma das favoritas de quem está começando a se aventurar, seja no cultivo ou no uso dos cogumelos mágicos. Isso porque ela é relativamente fácil de cuidar, e seus esporos também são mais rápidos quando o assunto é colonização. 

Além disso, parece ser mais suave do que algumas outras cepas criadas em laboratório através de processos de cruza. Ou seja: seu teor de psilocibina é mais baixinho.

Comparados aos outros cogumelos que mencionamos acima, o Golden Teacher se parece muito mais com os cogumelos Psilocybe cubensis que você pode encontrar crescendo na natureza. É bem conhecido por seus chapéus dourados, responsáveis pelo seu nome! Ele também solta uma boa camada de esporos roxo-negros quando estão maduros, tornando-o uma boa escolha para aqueles que desejam fazer seus próprios prints e fazer um cultivo mais sustentável.

 

B+

psilocybe cubensis
Cogumelos B+. Imagem: Dutch Headshop.

A história do B+ é envolta em alguma incerteza e debate (surpresa!). Alguns cultivadores sugerem que é resultado do cruzamento do Psilocybe cubensis com outra cepa, enquanto outros contestam essa teoria. Há relatos de que a confusão sobre a linhagem do B+ começou com um cultivador misterioso chamado Mr. G, que alguns acreditam ter desenvolvido esse bonito.

Mas algumas coisas são inegáveis. Os cogumelos B+ são conhecidos por seu tamanho impressionante, podendo atingir até 30 centímetros de altura. Os corpos frutíferos têm em média de seis a oito polegadas, com chapéus estendidos que alcançam até três polegadas de diâmetro. A cor dos chapéus varia de marrom claro a escuro, com a presença de um ponto clássico no centro. O caule é longo, espesso e de cor marfim ou marrom claro. 

Uma característica única é a capacidade da cepa de frutificar em condições e substratos desafiadores para outras cepas de Psilocybe cubensis!

O B+ é conhecido por proporcionar uma experiência psicodélica robusta, com um punch significativo de psilocibina. Uma análise mostrou que a cepa B+ continha aproximadamente 7,9 miligramas de psilocibina por grama, situando sua potência em uma faixa intermediária ou ligeiramente acima da média. Em comparação com outras cepas, como a Golden Teacher, o B+ é considerado mais propenso a oferecer uma experiência recreativa sólida, mas também pode ter propriedades terapêuticas e ser adequado para microdosagem.

 

Albino A+ (AA+)

psilocybe cubensis
Albino A+, ou AA+. Imagem: Southern Spores.

O Albino A+ é uma variedade de Psilocybe cubensis que se destaca por uma mutação genética que dá uma aparência branca ou creme aos cogumelos. Mas, ao contrário do nome, não é um cogumelo Albino real! Sua origem é cercada por incertezas, e há relatos de que alguns cultivadores tentaram corrigir o nome para A+ Leucístico — embora o nome não tenha pego por aí.

Os cogumelos dessa variedade geralmente apresentam uma coloração branca ou creme. Eles ainda podem adquirir tons azulados, especialmente se cultivados no escuro. A mutação leucística confere a eles uma aparência “fantasmagórica”, com chapéus e caules que variam de branco a creme e amarelo com o envelhecimento. Essa cepa é conhecida por sua consistência morfológica ao ser cultivada, formando tapetes de cogumelos notavelmente idênticos. 

Embora não sejam exatamente gostosos de comer, os cogumelos Albino A+ são extremamente nutritivos! Eles contam com beta-glucanas, antioxidantes, potássio e vitaminas do complexo B.

As opiniões sobre a potência do Albino A+ variam, com algumas avaliações indicando potência baixa, média ou alta. Uma análise de laboratório da competição Spring 2021 Hyphae Cup da Oakland Hyphae revelou um teor total de triptaminas de 0,83%, situando o Albino A+ na faixa de alta média para Psilocybe cubensis. No entanto, a potência real pode variar devido a fatores naturais de cultivo e à diversidade genética das fontes!

 

E aí, gostou de conhecer esses queridos? Não esqueçam de nos seguir lá no Instagram @girlsingreen710 para mais informações sobre o mundo da maconha, dos psicodélicos, e muito mais.

Até a próxima!

 

FAQ

O que é o Psilocybe cubensis?

O Psilocybe cubensis é uma espécie de cogumelos mágicos. Ela conta com diferentes variedades, como os Penis Envy, B+, Golden Teacher, Pink Buffalo e AA+. Eles agem nos receptores serotoninérgicos do cérebro, e estão sendo pesquisados como possível tratamento para diferentes condições da saúde mental.

Qual a brisa do cogumelo?

O cogumelo mágico pode provocar as chamadas “viagens” psicodélicas por conta da psilocibina, seu principal princípio-ativo. Ele pode causar: 

  • sentimentos de alegria, felicidade e euforia;
  • tranquilidade e um “despertar espiritual”;
  • mudança rápida de emoções;
  • desrealização, ou a sensação de que seu meio envolvente não é real;
  • despersonalização, ou uma sensação de sonho;
  • pensamento distorcido, com alteração visual e distorção, halos de luz e cores vivas;
  • pupilas dilatadas (midríase);
  • tontura, sonolência, bocejos e dificuldade de concentração;
  • relaxamento muscular e falta de coordenação;
  • náusea e alguns poucos casos de vômitos com contexto de limpeza.

Qual é a droga mais segura do mundo?

Segundo o Global Drug Survey, levantamento de saúde pública feito com 120 mil usuários de drogas em 50 países, a psilocibina é a substância psicoativa mais segura do mundo. 10% dos entrevistados, 12 mil pessoas ao todo, afirmaram ter usado os fungos psicodélicos em 2016. Só 24 delas – 0,2% – precisaram de assistência médica emergencial após a experiência.