GIRLS IN GREEN

Saber observar a qualidade do haxixe é o primeiro passo para identificar adulterações e contaminantes. Bora entender melhor esse assunto para preservar nossa saúde!

Os contaminantes e adulterantes são um problema recorrente na indústria da maconha, e podem atingir todos os seus produtos e subprodutos. O haxixe e os concentrados não são exceção: existe uma ampla gama de elementos que têm o potencial de contaminá-los, e transformar o que podia ser medicinal em um enorme risco para a nossa saúde. 

A produção de concentrados, especificamente sem solventes, como o ice water hash (ou bubble hash) e o rosin, não remove certos contaminantes durante o processo de extração. Isso significa que quaisquer contaminantes encontrados na planta antes da extração, tirando a matéria vegetal, serão transferidos para os produtos finais. Já nas extrações com solvente, há um risco aumentado de contaminação pelos próprios solventes resultante de uma purga mal feita. Isso tudo sem contar o que pode ser adicionado no concentrado antes da venda.

Como consumidores, precisamos entender que estar atento à qualidade do que usamos não é nenhuma frescura. Bem pelo contrário: jogar um corre contaminado ou adulterado fora pode parecer perda de grana à primeira vista, mas vai economizar inúmeros gastos para reparar os danos. Inclusive, pode economizar vários anos da sua vida também. 

Qualidade é coisa séria quando se trata de maconha e concentrados. 

Para ajudar você a entender melhor tudo isso, vamos falar um pouco mais sobre como os concentrados podem ser contaminados e adulterados e quais estratégias você pode usar para identificar uma amostra potencialmente perigosa para sua saúde.

Vem com a gente!

Foto colorida de uma mão segurando um pouco de hashish
Os principais fatores que podem indicar ou influenciar a qualidade de um haxixe são a sua potência e a sua pureza

O que pode contaminar o haxixe?

Para falar de contaminação, precisamos retomar alguns pontos sobre a qualidade dos concentrados! Os principais fatores que podem indicar ou influenciar a qualidade de um haxixe são a sua potência e a sua pureza. Isso significa que:

  • Diferentes plantas de maconha produzirão resinas com perfis químicos únicos que variam em potência e na quantidade de terpenos. Aqui, a gente já falou um pouco sobre o que os hash makers procuram em uma cepa que vai virar haxixe! Mas, de modo geral, é a potência do material que será responsável pela potência do seu extrato.
  • Um material pode ser contaminado antes mesmo de se tornar uma extração, durante o processo de cultivo, colheita, cura e secagem (quanto falamos em produtos feitos a partir de matéria seca). Nesse caso, estamos falando de pesticidas, metais pesados e mofo.
  • Os processos de extração de um concentrado podem permitir a introdução de materiais indesejáveis, que vão desde pedacinhos de matéria vegetal (resíduos de folhas) até adulterantes adicionados propositalmente para fazer o produto render. Tudo isso reduz a pureza do hash.
  • Quando pensamos em processos de extração com solvente, também precisamos levar em consideração possíveis contaminações com o próprio solvente utilizado. Tanto no mercado legal quanto ilegal, o processo de purga mal feito pode ser responsável por altas concentrações de químicos pesados nas amostras!

Mas não é só isso, não. Quando o assunto é haxixe contaminado, existem algumas coisas bem merdas (com perdão pelo trocadilho) que precisamos levar em conta. Nas dinâmicas do mercado irregular europeu, por exemplo, uma das maneiras mais comuns de transportar o haxixe é engolindo e depois evacuando a amostra. Isso faz com que a maior parte dos concentrados encontrados em cidades como Madri sejam contaminados com coliformes fecais.

É, não é fácil… 

Foto colorida de um pote de hashish
Os adulterantes encontrados no haxixe podem variar, se liga nas possibilidades bizarras de substâncias que você  pode estar consumindo

E o que é usado para adulterar o haxixe?

Haxixes de baixa qualidade geralmente contêm adulterantes usados ​​como “agentes de corte”. Esses ingredientes são adicionados para aumentar o volume da substância, fazendo com que ela renda mais e gere mais lucro na hora da venda. Os adulterantes encontrados no haxixe podem variar de resíduos da planta de cannabis, como pedaços de folhas, a produtos como:

  • Sabão;
  • Vaselina;
  • Cera de abelha;
  • Graxa; 
  • Alcaçuz;
  • Henna;
  • Café moído;
  • Leite em pó;
  • Resina de pinheiro;
  • Barbitúricos;
  • Ketamina;
  • Aspirina;
  • Colas e corantes;
  • Solventes cancerígenos, como tolueno e benzeno. 

A baixa qualidade pode levar a pessoa a fumar mais para obter o mesmo efeito. E, embora nem todos esses adulterantes possam parecer tão perigosos assim, sua alta concentração no organismo pode provocar inúmeros problemas — principalmente pneumonias químicas e, a longo prazo, outras doenças crônicas.

Foto colorida da Alice sentindo o cheiro de uma flor de maconha em uma plantação outdoor
Nossos cinco sentidos são os melhores aliados para identificar um hash de qualidade!

Como identificar um haxixe de qualidade?

Quando pensamos em medir a qualidade de um haxixe, podemos fazer o mesmo que no caso das flores de maconha e usarmos dos nossos cinco sentidos:

Tato

O haxixe sem solvente de alta qualidade, fresquinho e bem armazenado, é macio e pode ser moldado pelo calor dos dedos. O haxixe velho e de baixa qualidade é mais duro e quebradiço, e precisa ser aquecido substancialmente antes de ser macio o suficiente para uso. A maioria do haxixe fica entre esses dois extremos, e as qualidades táteis também variam de acordo com os métodos usados ​​na extração e prensagem. 

Olfato

Tá sentindo o cheirinho desses terpenos? Se o seu haxixe não tiver nenhum cheiro ou cheirar a grama, ele é de baixa qualidade. O haxixe de alta qualidade terá um aroma agradável e pungente que permanece fiel ao seu perfil original. Hash que não foi seco o suficiente pode desenvolver mofo e outros tipos de fungos — o que você também vai notar pelo olfato. Mas atenção: muitos dos produtos usados para diluir o hash e fazer com que ele renda mais podem ser inodoros!

Visão

O haxixe pode assumir várias formas e cores, dependendo da maneira como é extraído, do tipo da planta usada, da forma com que ele foi guardado, de como foi feita a secagem e de várias outras características. Independentemente do tipo, um haxixe de alta qualidade não deve ser totalmente preto ou verde — já que o verde significa uma maior concentração de matéria vegetal da planta na sua mostra. 

Paladar

Por fim, o mais importante é o gosto da sua amostra. É no sabor que é possível concluir a qualidade do seu hash. Um haxixe sem gosto algum ou com sabor estranho, metálico ou de mofo, são sinais de que ele pode fazer mal para você.

Mosaico de fotos coloridas mostrando testagem de hashish
Testando a qualidade do seu hashish

Como testar a qualidade do meu haxixe?

Existem algumas técnicas diferentes para entender se seu haxixe é seguro para ser consumido! Uma das melhores maneiras de verificar isso é o teste do isqueiro. O processo envolve pegar um pedaço de hash e adicionar uma chama a ele.

  • Se o haxixe for de alta qualidade, a resina irá ferver e borbulhar.
  • Se o seu haxixe pegar fogo e ficar preto, significa que temos contaminantes demais na amostra, e que o hash não é de boa qualidade. 
  • Se o haxixe não borbulhar, pode ser de baixa qualidade e possivelmente conter contaminantes — sem mencionar os altos níveis de material vegetal remanescentes.
  • Se ele borbulhar muito e soltar um cheiro meio de plástico, também pode significar que a amostra foi misturada com outros óleos.

Existe também o teste da prensagem com a mão. Para isso, basta pegar uma amostra do seu hash e amassar com os dedos. Quanto menos tempo, pressão e temperatura ele levar para se tornar uma massinha homogênea, maior a sua qualidade. Se você quiser, pode usar também uma garrafa com água quente (a técnica do nosso querido professor Frenchy Cannoli), para fazer essa prensagem – que também vai começar a ativar seus canabinoides.

Ao combinar os cheiros, a experiência, o sabor, a aparência e o fator das bolhas, você deve ser capaz de distinguir entre baixa e alta qualidade. Quando óleos ou resinas adicionais estão presentes, eles geralmente criam uma aparência oleosa e cheiros não-característicos. Isso é muito feito no caso do BHO e outras extrações com solventes, mas também pode acontecer com outras ditas sem solventes.

Fotografia colorida macro de uma porção de BHO
BHO fonte: hightimes

Testes para extrações com solventes

Vai ser muito difícil dizer se a sua extração com solvente está bem purgada sem um teste laboratorial ou certificado de análise. Mas, no Brasil, essa missão fica praticamente impossível. E é um assunto bem complicado quando pensamos que, para adulterar as extrações com solventes, vários químicos pesados e tóxicos para a saúde são utilizados, como:

  • sílica;
  • resina de árvore;
  • pó de goma arábica;
  • outros produtos, que vão de gel à plástico.

Ainda segundo relatos que recebemos, existem pessoas que pegam 1g de BHO puro e conseguem transformar em até 7g com adulterações pesadas.

Além de tudo, não é fácil de perceber as adulterações. Isso porque a maioria dos materiais utilizados para fazê-las são inodoros e insípidos (ou seja, sem cheiro e sem sabor). Sua temperatura de ebulição também é bem similar à dos concentrados, o que faz com que ele derreta e vaporize da mesma forma.

Uma forma de testar sua amostra é colocar um pouquinho dela no álcool isopropílico. Se ela derreter, é porque possivelmente é resina da maconha. Caso contrário, você está lidando com outro produto — e levou gato por lebre.

Se você descobrir uma contaminação, não estamos dizendo para confrontar seu fornecedor ou algo parecido. Mas segurança em primeiro lugar: se você desconfia que está com algo que não é só haxixe em mãos, vale mais a pena procurar outro corre e deixar esse de lado. Temos seguidores e amigos próximos que até hoje lutam com sequelas de problemas respiratórios causados por concentrados adulterados. Então, é preciso lidar com essa temática com a seriedade que ela merece e reduzir danos sempre.

Para mais dicas e informações sobre o universo canábico, siga a gente lá no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments