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Afinal, vaporizar é Redução de Danos ou não? Entenda o que pode tornar a vaporização arriscada e como utilizá-la a seu favor na hora de chapar.

Se você está sempre de olho nas páginas maconhistas e notícias por aí, já deve ter visto muita coisa sobre vaporizadores. Enquanto eles são exaltados como forma de reduzir danos, também podemos notar um crescente aumento nos relatos de problemas por conta da vaporização — principalmente doenças pulmonares causadas por vapes com cartuchos e e-juices.

Embora pareça contraditório, vaporizar sua maconha ou seu concentrado canábico pode ser uma atitude muito benéfica. Mas você precisa estar de olho em alguns pontos chave, como o seu equipamento, a qualidade da substância e a temperatura de vaporização.

Para ajudar você a entender esse rolê, aqui, vamos fazer um pequeno guia para desmistificar a vaporização de maconha (e de outras substâncias) e falar sobre os riscos e benefícios dessa prática. Tudo isso, é claro, para garantir a segurança de quem quiser entrar nesse universo.

Vem descobrir tudinho com a gente, nesse artigo que é uma parceria com a Puffco!

Basicamente, o que é vaporização?

Aqui no blog, já falamos sobre as diferenças entre fumar e vaporizar. Na vaporização, você inala o vapor da substância. Quando você fuma, há combustão, e o que vai parar nos seus pulmões é uma fumaça potencialmente tóxica – com fuligem, alcatrão, resíduos do papel, entre outros. Por isso, quando colocamos as duas formas de uso lado a lado, a vaporização se torna mais segura, quando feita da forma correta.

Mas, para que ela seja, de fato, segura, você precisa de uma tríade: equipamento ideal, uma substância segura para vaporizar e temperatura da vaporização. Sem prestar atenção em alguma dessas partes, a vaporização pode se tornar tão danosa — ou mais — do que o beck de lei.

Apetrechos certos para vaporizar

O primeiro ponto que você precisa prestar atenção é o equipamento que você vai usar para vaporizar. 

Aqui no Brasil, já começamos com problemas: vaporizadores são tecnicamente proibidos, o que aumenta a circulação de vapes falsificados e de má qualidade. Esse é sempre um dos maiores riscos da proibição — ela nos deixa à mercê de um mercado irregular, sem parâmetros de segurança para o consumidor. 

No mercado legal, uma das nossas marcas favoritas é a Puffco, que tá sempre bolando produtos inovadores para os apaixonados por cannabis e concentrados. Infelizmente, eles ainda não estão disponíveis no nosso país — mas a nossa expectativa é que, daqui a alguns anos, todo mundo possa aproveitar a experiência incrível que é vaporizar com eles.

Por aqui, nossa dica é ter bastante cuidado. Procure vendedores ou lojas confiáveis para evitar levar gato por lebre e não acabar com um produto fake (e nada barato) em mãos.

Vamos conhecer alguns apetrechos?

Vaporizadores de concentrados tipo caneta (vape pens)

Vaporizam: extrações sólidas de THC ou CBD e concentrados.

Materiais mais comuns: zinco, liga de alumínio, aço inoxidável e revestimento emborrachado.

Atomizador/material de aquecimento: aço inoxidável, cerâmica, quartzo ou carborundum.

As canetas de concentrados são estruturas compactas e portáteis. Elas consistem em um atomizador, separado ou embutido, acoplado a uma bateria. Esses equipamentos usam apenas aquecimento por condução e têm temperaturas pré definidas. Existem dois tipos de vape pens: as que vaporizam o seu próprio concentrado e as que vaporizam os cartuchos prontos de óleo.

Imagem de um vaporizador de concentrados portátil. A prática Canetinha da  Puffco, Puffco Plus , na cor prata, com duas peças expostas ao lado
A prática Canetinha Puffco Plus, para concentrados

A Puffco tem a canetinha Puffco Plus, que é bem prática e gostosa de usar. Ela conta com três temperaturas diferentes para selecionar e ainda esquenta rapidinho, em cerca de 12 segundos. O mais interessante é que, trocando uma de suas peças, ela também pode vaporizar cartuchos! Ou seja: produtinho 2×1, do jeito que a gente curte.

A versão Vision Plus ainda é toda coloridona — linda demais — e exerce as mesmas funções.

Imagem de um vaporizador de concentrados portátil. A prática Canetinha da  Puffco, Puffco Plus, colorida, com duas peças expostas ao lado
Versão Vision Plus da canetinha para vaporizar concentrados

Vaporizadores eletrônicos para haxixe e concentrados

Vaporizam: haxixes e concentrados.

Materiais mais comuns: vidro, metal e silicone.

Atomizador/material de aquecimento: cerâmica.

Os vaporizadores eletrônicos — como os Puffco Peak e Peak Pro, trazem uma tecnologia inovadora e prática na hora de dar uns bons dabs.

O lindo e colorido vaporizador de concentrados  Puffco Peak Pro Indiglow
O lindo vaporizador de concentrados  Puffco Peak Pro Indiglow

O Puffco Peak conta com quatro temperaturas pré-programadas, uma bateria que rende por volta de 30 dabs por carga, e um tempo de aquecimento de 20 segundos (contra quase três minutos de processo dos dab rigs tradicionais).

Já o Peak Pro tem todas as funções mais legais do Peak — com outros detalhes que fazem muita diferença na experiência. Você pode controlar ele por um app no seu smartphone por Bluetooth, customizando tudo, desde a temperatura até as luzinhas de LED. Outra vantagem é o Power Dock, que recarrega a bateria sem precisar de fios.

Vaporizadores de ervas secas

Vaporizam: ervas secas e flores de cannabis.

Materiais mais comuns: aço inoxidável, zinco ou liga de alumínio e plástico.

Atomizador/material de aquecimento: cerâmica, quartzo ou aço inoxidável.

Os vapes para ervas secas são dispositivos alimentados por bateria que aquecem o material até o ponto de vaporização. Ele pode vaporizar por meio de:

  • Aquecimento por condução: o material entra em contato direto com um elemento de aquecimento que então cria o vapor.
  • Aquecimento por convecção: o dispositivo usa ar quente através do material para criar vapor.

Esses vaporizadores podem permitir diferentes formas de controle de temperatura, com presets, aplicativos para smartphones ou visores para seleção exata.

O vaporizador Volcano, serve também para ervas secas
O vaporizador Volcano, serve também para ervas secas

Dab rigs, ou bongs de vidro

Vaporizam: haxixes e concentrados.

Materiais mais comuns: vidro.

Atomizador/material de aquecimento: titânio, quartzo ou vidro.

Os dab rigs podem ser uma ferramenta para vaporizar, principalmente para quem adora dabs de concentrados! Neles, você tem a opção aquecer seu haxixe ou extração e chapar através do vapor. Eles são compostos pelo próprio corpo do dab rig, que é tipo um bong, e por um nail que é encaixado na estrutura. 

O nail é como a tigela do seu bong, onde você coloca o concentrado. O material padrão hoje é quartzo, mas existem opções como vidro e titânio. Certifique-se de comprar o tamanho correto, no qual o nail desliza para dentro do equipamento: se o seu equipamento tem uma haste de 14 mm, você precisa de um nail de 14 mm, por exemplo.

Bong de vidro do Ryan Fitt
Bong de vidro do Ryan Fitt

E qual a diferença entre bongar/fumar e vaporizar? 

Bongar e vaporizar são coisas diferentes, pois na hora de vaporizar a ideia é não haver combustão. Quando você pensa em um bong comum, você vai acender a erva com fogo, seja do isqueiro ou de outros apetrechos — causando a combustão. A água vai apenas filtrar algumas das impurezas geradas por essa queima. Enquanto isso, na vaporização, seu bud ou concentrado não vai entrar em contato direto com o fogo. O vapor vai apenas aquecer e “carregar” os canabinoides e terpenos.

Para quem é da bongada, a Puffco acabou de lançar um produto que a gente adorou demais: o Cupsy. Sim: é um bong disfarçado de copo de café! Pensado especialmente para os que desejam uma sesh bem discreta, ele é fácil de limpar e é feito de aço inoxidável e cerâmica.

Cupsy: Novo bong da Puffco, disfarçado de copo de café
Cupsy: Novo bong da Puffco, disfarçado de copo de café

Aquecimento por condução ou por convecção?

O aquecimento por condução é a forma mais tradicional e, embora esteja se tornando menos popular, ainda é usado em muitas das marcas de vaporizadores. Os produtos baseados em condução têm uma câmara que possui um elemento de aquecimento, e as ervas vaporizam quando entram em contato direto com ele. 

O maior benefício do aquecimento por condução é que ele é extremamente rápido e você pode vaporizar suas ervas rapidamente. As desvantagens incluem a chance de as ervas serem assadas por causa da combustão. 

Já o aquecimento por convecção é relativamente novo, mas cada vez mais popular. A vaporização é indireta e mais lenta, o que diminui as chances de combustão. Isso também ajuda a vaporizar o material escolhido de maneira mais eficiente e equilibrada!

O que vaporizar?

Quando você estiver procurando por vapes, vai perceber que existem opções para vaporizar:

  • Concentrados;
  • Ervas secas;
  • Cartuchos pré-prontos.

Para reduzir danos em contextos proibicionistas, como é o caso do Brasil, recomendamos apenas os dois primeiros. Isso porque, quando estamos usando uma substância pré-preparada, é muito mais difícil confiar em sua qualidade sem contar com um certificado de análise. Enquanto a maconha e os concentrados podem ser analisados com o toque, a visão e o olfato, os cartuchos não nos dão essa possibilidade. 

Já trouxemos em outro post uma fala importante de um dos principais pesquisadores de cannabis do mundo, dr. Arno Hazekamp, mas acreditamos que vale a pena retomar:

“Quando se usa vaporizadores líquidos, com cápsulas pré-enchidas, significa que alguém já tomou várias decisões por você. Não apenas sobre a variedade do produto, mas também a química envolvida na extração, a descarboxilação (se é que houve uma), o resfriamento, a adição de sabores (como falsos terpenos) e a remoção de clorofila. Tudo isso é feito por você, e não dá para confiar nas informações sobre a qualidade da substância. Isso não significa necessariamente que você terá um efeito muito diferente de uma vaporização de uma erva seca. Se a extração for bem feita, talvez você tenha os mesmos componentes nos pulmões após a inalação. Mas o problema é que, com a erva seca (vaporizador), você pode tomar essas decisões sozinho e, com os vaporizadores líquidos, essas decisões são tomadas para você. E um dos meus problemas com isso é que você não sabe qual é a qualidade desses líquidos”.

Uma célula imune carregada de óleo extraída de um paciente com VAPI em Utah (esquerda). À direita, uma macrófaga normal. Os médicos encontraram macrófagos carregados de lipídios em alguns pacientes.
Uma célula imune carregada de óleo extraída de um paciente com VAPI em Utah (esquerda). À direita, uma macrófaga normal. Os médicos encontraram macrófagos carregados de lipídios em alguns pacientes. (Cortesia: Andrew Hansen, Jordan Valley Medical Center)

O que os cartuchos podem conter e causar?

Pesquisas sugerem que aerossóis de e-juices contêm agentes oxidantes, aldeídos e nicotina. Mas não é só isso — cartuchos do mercado irregular podem ser contaminados com acetato de vitamina E e outros compostos usados como diluentes. 

Outras substâncias possivelmente tóxicas e/ou irritantes que podem ser encontradas em cartuchos são:

  • acetoína;
  • acetil propionil;
  • acroleína;
  • acrilamida;
  • acrilonitrila;
  • benzaldeído;
  • cinamaldeído;
  • citral;
  • crotonaldeído;
  • diacetil;
  • etilvanilina;
  • eucaliptol;
  • formaldeído;
  • o-vanilina;
  • pentanodiona (2,3-pentanodiona);
  • óxido de propileno;
  • pulegone;
  • vanilina.

Segundo um levantamento do Leafly, até 60% dos cartuchos de THC no mercado irregular podem estar contaminados.

Ainda de acordo com a matéria, o FDA recebeu cerca de 900 amostras para testes. Até agora, eles encontraram acetato de vitamina E em 47% deles. Um paciente de Nova York que testou seu cartucho pré-pronto descobriu que continha formaldeído, pesticidas, óleo de vitamina E e “um pouco de THC”. O laboratório da Califórnia Cannasafe relata que dez em cada dez cartuchos de vape ilícitos testaram positivo para acetato de tocoferol, alguns chegando a 40%. 

Até fevereiro de 2020, um total de 2.807 casos de Lesão Pulmonar Associada ao Vaping (VAPI) foram relatados ao Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Sessenta e oito mortes foram confirmadas em decorrência de complicações da doença. Além disso, estudos apontam possíveis danos ao coração, pulmões, dentes e gengivas.

RX de pulmões comprometidos (esquerda) e saudáveis (direita) pós tratamento por complicações de saúde por uso de vape. Fonte: Universidade de Utah
RX de pulmões comprometidos (esquerda) e saudáveis (direita) pós tratamento por complicações de saúde por uso de vape. Fonte: Universidade de Utah

Não tente fazer isso em casa!

A gente também não recomenda tentar fabricar os próprios cartuchos de óleo canábico, seja com óleo MCT (como o de côco) ou outras extrações, como o RSO. Vocês nos conhecem e sabem que a gente ama um tutorial de “faça você mesmo”, e inclusive já ensinamos aqui algumas formas fáceis de extrair o próprio haxixe caseiro. Mas, no caso desses óleos vaporizáveis, a gente não sabe exatamente quais substâncias são seguras ou não a longo prazo.

Recomendar qualquer coisa desse tipo seria irresponsabilidade — por isso, fique de olho nessas receitinhas e nos improvisos que mexem com a nossa saúde!

A única segurança é vaporizar o extrato puro! Logo mais, vamos trazer um conteúdo sobre isso por aqui.

Controle de temperaturas para vaporizar

Alguns estudos sugerem que o ponto ideal para vaporizar a cannabis é por volta de 170ºC. Nessa temperatura, os canabinoides são convertidos em vapor e podem ser inalados. Para você entender a diferença, a combustão costuma ocorrer a partir de 800°C.

Nossa dica é: como os terpenos normalmente possuem pontos de ebulição mais baixos, ajuste o vaporizador para cerca de 140°C. Assim, é possível aproveitar todos os aromas e sabores que a sua cannabis pode proporcionar (além de todos os benefícios terapêuticos!).

Esse texto é uma ode à vaporização no Brasil. A vaporização regulamentada significa uma vaporização mais segura.

E aí, deu pra entender um pouco melhor as diferenças entre uma vaporização boa e uma vaporização que traz riscos? Se ficou alguma dúvida, deixe ela aqui nos comentários ou conta pra gente lá no Instagram @girlsingreen710.

Obrigada, Puffco, por essa parceria lindona!

Até a próxima!

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Anderson
Anderson
4 meses atrás

Boa noite Aqui em SP infelizmente ainda no prensado, tenho muito medo do “mofo”… vaporizar mofo nessa temperatura é prejudicial? consegue tirar essa dúvida?valeuuu