GIRLS IN GREEN

Dia 20 de março marca o começo de uma nova estação: o outono, no Hemisfério Sul, e a primavera, no Hemisfério Norte. Vem entender como essas datas se relacionam ao cultivo e quais rituais você pode fazer para celebrá-las!

Nosso planeta vive em uma eterna dança com todos os outros elementos cósmicos. Lua, estrelas, Sol e outros planetas também influenciam a nossa vida de forma bastante ativa, e uma das que mais sentimos é justamente a troca de estações. Os equinócios marcam o outono e a primavera, enquanto os solstícios marcam o verão e o inverno.

No dia 20 de março, temos o ápice de um desses fenômenos: é o início do outono, no Hemisfério Sul, e da primavera, no Hemisfério Norte.

Existem muitas abordagens para observar essas temáticas – podemos falar delas através da astronomia, da astrologia e dos conhecimentos ancestrais pagãos. Para os povos antigos, essas datas simbolizavam a hora da fertilidade e da colheita, e também a hora do resguardo, da preparação e da volta ao plantio. Por isso, cada uma era celebrada em diferentes ritos e festas.

Ao longo do tempo, muitas dessas tradições foram apagadas e reutilizadas pelo calendário católico para incorporar datas santas ao longo do ano. Mas nós, como boas bruxinhas cultivadoras, adoramos fazer o resgate dessas sabedorias – que unem magias, energias e trocas com a Mãe Terra.

Aqui, vamos mostrar a você tanto as abordagens científicas quanto místicas destes equinócios que se aproximam, além de dar algumas ideias de como você pode festejá-los e atrair mais prosperidade, seja para as suas vidas ou para seus cultivos.

Vamos lá?

Mesa com bong e potinhos de extração, fumaça e clima misterioso
Mesa com bong e potinhos de extração

O que são os equinócios?

Cientificamente falando, os equinócios são fenômenos onde a duração do dia é idêntica à da noite, e ambos os hemisférios recebem a mesma quantidade de luz solar. Do Latim aequus (igual) + nox (noite), significa noites iguais, e acontecem apenas duas vezes durante o ano. Normalmente são observados nos dias 21 de março e 23 de setembro.

Isso acontece devido a uma inclinação de aproximadamente 23°27’ do eixo de rotação da Terra com relação ao eixo de translação. Em metade do ano, a luz solar incide de forma mais intensa sobre um dos hemisférios, alternando em outra metade do ano, conforme nosso planetinha dança.

No entanto, em dois dias especiais no ano, a Terra se posiciona em pontos onde os raios solares brilham com mais força de forma perpendicular à linha do Equador. Dessa forma, o astro proporciona a mesma distribuição de luz para os dois hemisférios, caracterizando o equinócio. Os dias e as noites têm duração igual, de 12 horas. A seguir, cada hemisfério segue em uma estação oposta: uma delas onde recebem cada vez menos raios solares, e a outra recebendo mais e mais raios solares.

Os equinócios definem as mudanças de estações do ano. Antes de sabermos tudo isso, essas datas eram vistas como sagradas, dedicadas para deusas pagãs, e celebradas como momentos mágicos, de agradecer e pedir por boas colheitas, bom tempo e prosperidade na vida. Para controlar esse calendário, foi criada a Roda do Ano.

Culturas pagãs e a Roda do Ano

A Roda do Ano é uma espécie de calendário que marca a passagem das estações, fases da lua e equinócios e solstícios, simbolizando os ciclos de vida e morte na natureza. Ao todo, são oito datas comemorativas, contando os sabás maiores e menores. As datas mudam dependendo do hemisfério onde as pessoas se encontram, respeitando as estações de cada localidade.

Os povos celtas usavam a roda do ano com uma percepção de que o tempo cíclico, e que as fases naturais da vida na terra deveriam ser celebradas. Por isso, cada festejo tem uma temática especial: a fertilização, o nascimento, o amadurecimento e a morte. Até hoje, ao celebrarmos esses momentos, estamos nos conectando à Terra e seus ciclos, para agradecer o equilíbrio perfeito que ela nos oferece e pela abundância e vida permitidas.

Os rituais geralmente eram celebrados em comunidade, para mostrar que somos mais fortes coletivamente. Entretanto, cada um pode escolher a melhor forma para honrar essas datas – basta conectar-se ao sagrado dentro de você.

O calendário também era muito importante para acompanhar os estágios do processo agrícola, da preparação da terra até a colheita.

Agora estamos pertinho de celebrar:

  • Mabon – Festa da Segunda Colheita Por volta de 20 de março no hemisfério sul e 23 de setembro no hemisfério norte.

No equinócio de outono, é festejado tudo que colhemos, recebemos e passamos na nossa vida. Conhecido como a Segundo Colheita, este sabá é o momento de colher os frutos das nossas conquistas, refletir sobre as coisas boas e ruins que passamos para amadurecer e ser quem somos hoje e agradecer por tudo o que temos.

  • Ostara – Festa das Flores

Por volta de 20 de março no hemisfério norte e 23 de setembro no hemisfério sul.

No equinócio de primavera, vemos a natureza florescer e desabrochar depois de um tempo de adormecimento. Nessa festa é celebrada a fertilidade da terra e a preparação para o novo. Aqui, o sagrado está na sua fase jovem e fertil. Momento de dar início a novos plantios, novos projetos e também novos amores!

Como é possível usar tudo isso no cultivo?

Essas observações dos fenômenos naturais e do céu afetam muito mais quem escolhe ter um cultivo outdoor, onde cada plantinha está recebendo luz diretamente do sol, nutrientes diretamente da terra e água da chuva.

Os equinócios e solstícios são usados na agricultura para definir o início de culturas de inverno e de verão. Assim, o cultivador pode programar o ciclo de cultivo, plantando tudo na época mais adequada para a strain (ou mesmo para qualquer outro vegetal que deseje plantar), além de aproveitar melhor temporadas de precipitações e de luz plena, fugir de geadas e marcar a colheita de tudo antes de chuvas.

Na agricultura biodinâmica, da qual já falamos aqui no blog algumas vezes, todas essas cirandas e momentos mágicos da natureza são levados em conta para criar o calendário de cultivo perfeito.

Para acompanhar de perto esses movimentos:

Pessoas ao redor da fogueira num encontro em São tomé das letras
Encontro em São tomé das letras

Ideias de rituais para Mabon, o festejo do equinócio de outono

  • Celebração de desapego: escolha coisas bonitas, mas que já não tem serventia para sua vida, e convide mais amigos a fazerem o mesmo para que no final todos possam fazer trocas e renovar as energias dos objetos.

  • Limpeza mágica: faça uma daquelas faxinas completonas na sua casa, tirando roupas e objetos que já não servem mais a você. Assim, você se livra de energias estagnadas e ainda pode encontrar um novo lar para suas coisinhas.

  • Ritual de plantio: escolha algumas sementinhas e plante-as em um local adequado, se conectando à terra e emanando a elas tudo o que você deseja que cresça e prospere.

  • Altares e rezas: monte um altar com folhas e outros elementos da natureza que encontrar ao redor, lembrando de entoar cantos e rezas para que a próxima estação seja produtiva, feliz e próspera.

Ideias de rituais para Ostara, o festejo do equinócio de primavera

  • Liberte-se: corra livre e selvagem em meio à natureza.

  • Faxina mágica: faça a sua limpeza de primavera e decore sua casa com flores frescas para atrair as energias da natureza a todos os cômodos.

  • Dance: escolha uma música para esse momento e use-a para dançar, de forma livre e ritualística, mentalizando suas intenções para a estação.

  • Trocas de plantas e sementes: festeje a fertilidade da primavera com amigos, promovendo uma festa onde cada um escolhe levar algumas sementes e mudinhas de plantas para compartilhar e trocar.

  • Enfeite-se: use flores nos cabelos ou faça pequenas tiaras trançadas com elas. Você também pode criar um altar de flores, usar cristais e rezas para materializar suas intenções, potencializar planos e falar sobre eles com o universo.

E aí, já descobriu o que vai fazer nesse Mabon/Ostara? Esperamos que você tenha gostado de saber de tudo isso e dessas ideias de pequenos ritos para celebrar. Afinal, a Mãe Natureza é quem nos dá tudo o que precisamos para viver; dela viemos e para ela voltaremos em ciclos infinitos de vivência. Basta encontrarmos um jeito de se relacionar mais harmonicamente com tudo o que ela oferece e poderemos permitir que muitos e muitos outros seres humanos que estão por vir também aproveitem destes pequenos milagres.

Até a próxima!

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teodorojoseeduardo@gmail.com
1 ano atrás

Aprendendo sempre. Gratidão

José Eduardo Monteiro Teodoro
José Eduardo Monteiro Teodoro
1 ano atrás

Aprendendo sempre. Gratidão