GIRLS IN GREEN

A dualidade faz parte de todas as esferas da nossa vida, e a cannabis também não fica de fora dessa compreensão dicotômica do que é bom e do que é ruim. Estamos sempre enaltecendo nossa plantinha, mas é nossa responsabilidade falarmos sobre alguns dos possíveis efeitos negativos dessa substância!

O debate sobre a cannabis sempre foi muito apaixonado: tanto para aqueles que são a favor dela quanto para os que são contra. Basicamente, essa visão dicotômica entre o bem e o mal que o consumo dessa planta pode causar impossibilita pontes entre essas polaridades. Dessa forma, há uma grande dificuldade em unir esses dois lados para ter um debate saudável sobre os possíveis benefícios terapêuticos e os riscos que essa planta pode oferecer. No fim, são dois lados da mesma moeda.

Quem nos conhece sabe que não há nada que amamos mais do que exaltar nossa plantinha tão querida, mas também é nossa responsabilidade trazer dados verdadeiros. Precisamos estar atentas aos lados negativos do consumo de cannabis para podermos aproveitar o que ela tem de melhor!

Sabemos que ela pode ser incrível para quem é portador de inúmeras doenças – como dores crônicas ou até mesmo problemas degenerativos, como Alzheimer e Parkinson. Ao mesmo tempo, pode melhorar a qualidade de vida de pessoas saudáveis que sofrem apenas com estresse e preocupações do cotidiano. Entretanto, existem formas de uso que podem apresentar riscos mesmo para pessoas saudáveis, ou para indivíduos que fazem parte de alguns grupos de risco (algo que vamos falar mais para frente no texto).

Precisamos parar de romantizar o seu uso como algo universalmente bom e aceitar que existem possíveis danos associados ao uso da cannabis! O mesmo vale para o café, por exemplo – substância amplamente consumida mundialmente e que por mais que soe extremamente segura, também pode oferecer alguns riscos. Por isso, conhecer as estratégias de Redução de Danos é super importante.

Como já dizia  o médico e físico Paracelso no século XVI, “a diferença entre remédio e veneno é a dose”. Hoje, nós adicionaríamos a procedência e a qualidade da substância nessa frase também.

Viemos aqui fazer um convite bem especial: vamos abrir o debate sobre os possíveis efeitos negativos da cannabis no nosso corpo? Vem entender mais sobre eles aqui nesse post, além de aprender algumas dicas para o uso responsável para gerenciar riscos e prazeres!

Alerta: precisamos lembrar que algumas dessas pesquisas foram feitas dentro de contextos proibicionistas, isso significa que em muitos casos não havia o controle de qualidade da planta, o que muda completamente a qualidade da cannabis disponível para os usuários e pode torná-la mais danosa. Mas não queremos assustar vocês com esses dados – inclusive porque até mesmo a ONU já aprovou a retirada da nossa erva da lista de drogas consideradas mais perigosas! Ela com certeza é muito mais segura do que a Guerra às Drogas, mas também precisamos encontrar um meio termo para não tornar o uso algo negativo para a gente.

Flor de maconha no jardim
Flor de maconha do jardim

Fatos sobre o uso de cannabis no Brasil

O Brasil não está perto de ser um dos maiores consumidores mundiais de cannabis: em pesquisas de 2012, vimos que cerca de 3% da população tem uma relação com a planta, enquanto a Europa conta com um índice de 5% e os Estados Unidos lideram com 10%.

Pelo menos 1.3 milhões de pessoas se consideraram dependentes de maconha. Um terço dos adultos entrevistados já tentaram parar e não conseguiram, enquanto 27% apresentou sintomas de abstinência durante as tentativas.

Embora os sintomas de abstinência sejam mais leves do que de outras substâncias legalizadas, como o álcool ou até mesmo o café, algumas sensações desagradáveis podem ser experimentadas – ainda mais se o uso é contínuo.

E mesmo quando chapamos, nem tudo são flores! Pessoas que usam a erva cronicamente relatam que, ao interromper o uso, sentem:

  • Irritabilidade;

  • Mudanças no humor;

  • Dificuldades para dormir;

  • Diminuição do apetite;

  • Desejos;

  • Inquietação e/ou várias formas de desconforto físico.

Vale lembrar que cada pessoa é única, e o efeito da cannabis no corpo de cada indivíduo é extremamente subjetivo. Os efeitos experienciados podem variar, e geralmente envolvem o relaxamento, o alívio de dores, mudanças no humor, mais ou menos energia (dependendo da strain), aumento no apetite e na criatividade, entre outros. Mas eles podem mudar um pouco (ou bastante) quando pensamos em uso esporádico ou contínuo.

Vista macro de um bud de maconha cheio de tricomas
Bud de maconha cheio de tricomas

Efeitos no uso esporádico

É importante levantar a questão de que o uso esporádico oferece riscos muito menores do que o uso crônico. Quando uma pessoa usa a cannabis às vezes, como em finais de semana, em contexto de festa ou mesmo em épocas, dizemos que esse uso é esporádico. Nesse caso, os efeitos negativos estão majoritariamente ligados à uma experiência negativa naquele momento, também as famosas “bad trips”. Geralmente, essa experiência difícil acontece devido ao famoso triângulo: substância, set e o setting. Algo que tem a ver com a substância é a concentração de THC, que quanto mais alta, maior a chance de experienciar sensações desagradáveis.

Um dos efeitos colaterais mais desafiadores do consumo de cannabis é a ansiedade e a paranoia. Embora pequenas quantidades de THC possam amenizar sintomas de ansiedade, grandes doses podem causar efeitos exatamente contrários. Isso se deve aos seus efeitos bifásicos, o que significa que pode ter dois efeitos opostos dependendo da dose.

Além disso, algumas pessoas são geneticamente predispostas sentir ansiedade com a cannabis como resultado de sua estrutura psíquica e cerebral.

Se você for suscetível a esses efeitos que causam ansiedade após o consumo de cannabis, definitivamente experimente strains com maiores concentrações de CBD e menores concentrações de THC. Consumir apenas quando você estiver em um lugar confortável, onde você se sinta segura/o e esteja com pessoas na qual como em casa ou com amigos.

Outros efeitos negativos podem incluir: boca seca, olhos secos e vermelhos, fome e larica (não necessariamente negativo), sonolência e sensação letárgica e efeitos negativos na memória recente – que são temporários no uso esporádico feito por adultos saudáveis.

À longo prazo, as coisas mudam de figura

Quando você faz um uso mais esporádico da cannabis, os efeitos negativos são muito menos perceptíveis. Mas, com o uso contínuo, principalmente quando o início se dá na adolescência, isso pode se transformar. É esse um grande motivo para que, mesmo em estados onde a planta é legalizada, geralmente as idades mínimas para uso variam entre 19 e 21 anos. Vale lembrar que os adolescentes são os mais vulneráveis para os efeitos nocivos irreversíveis que a cannabis pode causar.

Um estudo da Nova Zelândia conduzido em parte por pesquisadores da Duke University mostrou que pessoas que começaram a fumar a planta continuamente na adolescência e tiveram um transtorno por uso de cannabis perderam uma média de 8 pontos de QI entre 13 e 38 anos. Essas habilidades perdidas não retornaram totalmente naqueles que pararam de maconha quando adultos. Já aqueles que começaram a fumar maconha quando adultos não apresentaram declínios notáveis de QI.

Em outro estudo recente, aqueles que usaram a substância mostraram um declínio significativo no conhecimento geral e na habilidade verbal (equivalente a 4 pontos de QI) entre os anos pré-adolescentes e o início da idade adulta, mas nenhuma diferença previsível foi encontrada quando um deles usava maconha e o outro não. Isso sugere que o declínio do QI em usuários de maconha pode ser causado por algo diferente da erva, como fatores familiares compartilhados (por exemplo, genética, ambiente familiar).

Ou seja, embora seja cedo para afirmar que a cannabis é a única causa que provoca um atraso no desenvolvimento cerebral, também não podemos descartar essa hipótese!

Mas o uso contínuo também pode trazer efeitos negativos para adultos. À longo prazo, ele pode causar:

  • Efeitos respiratórios

A fumaça da maconha irrita os pulmões. Por isso, pessoas que fumam maconha diariamente ou quase diariamente podem ter tosse, bronquite, muco e respiração ofegante. Tanto o fumo ativo como o fumo passivo contêm os mesmos produtos químicos cancerígenos que o fumo do tabaco.

Além disso, os produtos para vape podem conter nicotina, maconha ou outras substâncias, como agentes aromatizantes e produtos químicos adicionais. Embora os produtos de vaporização tenham crescido em popularidade, vimos surtos de doenças pulmonares relacionadas à vaporização. Por isso, aconselhamos a sempre preferir a vaporização da erva seca ou de concentrados que você saiba a procedência. O controle da temperatura também é essencial para reduzir os possíveis danos desse consumo.

  • Efeitos sobre a saúde mental e cerebral

O uso abusivo de cannabis pode danificar sua memória. Mas, é importante relatar que nos adulto isso é reversível. Tal aspecto pode durar uma semana ou mais após a última vez que você usou. Além disso, a cannabis, especialmente em altas doses, pode ser um gatilho para crises de ansiedade, depressão e também esquizofrenia. Não que a cannabis por si só seja a causadora dessas condições, mas seu uso em excesso por pessoas que tem possíveis pré disposições tem que ser feito com muita cautela.

Alice com baseado aceso na mão, mostrando dois blocos de piteira, parceria com a Bem bolado
Piteira longa para reduzir danos sempre!

A importância de um debate mais temperado

Acreditamos que um dos maiores problemas no universo canábico é justamente a dicotomia do debate: por um lado, vemos ávidos defensores que tem dificuldade de enxergar os possíveis riscos associados ao uso; no outro, quem é contra não consegue enxergar benefícios medicinais e terapêuticos mesmo que a ciência mostre o contrário. E não é bem assim: sabemos que todo uso de substância pode ser acompanhado por benefícios e desvantagens, principalmente caso o uso seja acompanhado de desinformação.

Quando não falamos sobre os efeitos negativos da cannabis, caímos ainda mais nas mãos do movimento proibicionista! Isso porque deixamos de colocar a erva em um patamar realista nas vidas dos usuários, que podem sim experimentar sensações e sintomas não tão bons após o uso. Cair em qualquer “endeusamento” de substâncias não é uma boa, e vamos explicar os motivos!

Quem fala muito sobre isso é uma das nossas principais referências no mundo canábico, o professor e pesquisador Sidarta Ribeiro. Segundo ele, qualquer tipo de uso excessivo e precoce pode ser caracterizado como algo problemático. Para pessoas que fazem parte de grupos de risco, como quem tem tendências à psicose, ela pode ser um gatilho – e nós, que defendemos a legalização dessa planta especial, precisamos estar cientes disso justamente para proteger os mais vulneráveis e não transformar a militância em algo prejudicial e tóxico.

Os grupos de risco da cannabis, segundo ele, são quatro:

  • Gestantes e lactantes: não existem estudos particularmente negativos sobre o uso nessas situações, mas os endocanabinoides são necessários para o desenvolvimento do embrião. Por isso, segundo Sidarta, é razoável que se abstenham – como do uso do álcool e do tabaco. Afinal, como não temos a capacidade de sequenciar todos os genes para saber se a mãe está em perigo, também ainda não conseguimos dizer necessariamente se essa nova vida gerada pode estar em perigo. Mas, vale lembrar que temos que respeitar a decisão das mães. Caso decidam usar, o ideal é praticar a redução de danos

  • Adolescentes: como já citamos acima, os adolescentes são os mais vulneráveis aos efeitos irreversíveis dessa planta. Antes dos 19 anos as estruturas cerebrais ainda não estão 100% formadas, e o uso, principalmente contínuo pode ser prejudicial principalmente para a memória e também a tomada de decisões. O uso precoce pode causar síndrome amotivacional, além de uma possível tendência à ansiedade e depressão no futuro. Além de, na adolescência, ela pode contribuir para a sensação de dúvidas, e prostração.

  • Pessoas com tendências a esquizofrenia: o uso de cannabis por pessoas que possuem tendências (principalmente genéticas) a psicose e esquizofrenia não é recomendado. Caso seja feito ideal são concentrações mínimas de THC e um uso com muita cautela. Como já relatado acima no texto, a cannabis pode ser um gatilho para o aparecimento dessas condições. Vale lembrar que outras situações na vida podem ser gatilho também, como por exemplo, eventos e situações traumáticas.

  • Pessoas com tendência a depressão: estudos não chegam a um consenso nesse assunto tão polêmico. Ao mesmo tempo que a cannabis é amplamente utilizada para tratar depressão, ela pode agravar alguns casos. Os padrões de uso e o tipo de substância podem ter grande influência sobre essa questão. Por isso, é tão importante lutarmos pela regulamentação. Assim, é possível ter um controle de qualidade do que está sendo consumido, e assim, fazer o uso dessa planta como qualquer outro medicamento: regulando as doses, escolhendo plantas que tenham um maior ou menor número de canabinoides e etc.

É preciso que, pelo menos pra esses casos, haja uma investigação mais aprofundada na subjetividade de casa ser. Afinal, os efeitos da cannabis variam muito de indivíduo para indivíduo. Alguns podem experimentar viagens não tão boas com a cannabis, a diferença é como cada se relaciona e integra essa experiência. Por exemplo, uma “bad trip” pode ser uma chance para a transformação profunda , mas muitas podem contribuir para o desenvolvimento de algo mais profundo e desafiador – por isso, o acompanhamento profissional é tão importante. Isso é um cenário bastante dificultado num sistema proibicionista, que afasta o usuário tanto da esfera da saúde pública (por medo de represálias) quanto do autocuidado (onde entram nossas queridas estratégias de RD).

Não podemos esquecer dos concentrados!

A cannabis que consumimos hoje em dia já não é a mesma que as pessoas consumiam há 30 anos atrás. As concentrações de canabinoides aumentaram muito devido aos cruzamentos e às novas strains, criadas para ajudar no rendimento, eficiência do cultivo e novos sabores. Uma flor que antigamente tinha 7% de THC hoje pode ter 30%, e isso tudo muda como a planta vai afetar nosso corpo não só no momento do uso, mas também a longo prazo. E nós não temos estudos sobre isso, estamos às cegas.

Justamente por causa disso, nossa preocupação fica maior com os adolescentes que começam a fumar cedo e já podem ser expostos justamente a essas altas quantias de canabinoides e alto potencial de THC. Isso pode ser bem desafiador e afetar diretamente os usuários dessa faixa etária, ainda mais se estiverem em algum dos outros grupos de risco já mencionados. E um dos maiores cuidados que precisamos ter é com os concentrados, como óleos, haxixes e extrações de forma geral!

Na quinta-feira (03/12), tivemos uma live sobre isso no nosso Instagram @girlsingreen710. Pode ir assistir, ela está salva por lá! Junto com a mana Clarissa Werneck, falamos sobre o mercado legal no Colorado e como a venda de extrações impactou principalmente os mais jovens. Essa é uma das questões que precisamos também pensar sobre a legalização – como podemos pensar em uma modelo de regulamentação de concentrados que possa ser terapêutico, e não prejudicial?

Temos poucas informações sobre o consumo contínuo de altas concentrações de THC. Não sabemos os efeitos a longo prazo de uma super ativação no nosso sistema endocanabinoide. Sabemos que é ele que controla outros diversos sistemas no nosso corpo, e que a super ativação nele pode diminuir o número e a eficiência desses receptores, podendo contribuir para um aumento no stress e ansiedade.

Além de tudo isso, precisamos falar sobre os concentrados feitos com solventes químicos. A gente já trouxe muito sobre isso por aqui no blog e, para nós, os haxixes sem solventes sempre são a melhor opção – justamente por não envolverem substâncias perigosas. Alguns tipos, como o BHO, usam butano ou outros meios arriscados para isolar as cabeças dos tricomas do material vegetal.

O problema é: depois disso, os concentrados devem passar por um processo rigoroso de purga. Caso ele seja feito de maneira incorreta, o resultado pode causar inúmeros problemas de saúde para quem utiliza – inclusive, pesquisas mostram que usá-los pode causar lesões pulmonares que imitam a pneumonia. Por isso, é preciso estar sempre atento à qualidade do que é consumido e ficar de olho na procedência do seu hash!

Mão com luva de látex segura um pote de haxixe e outro de rosin, empilhados
Pote de haxixe e rosin

O problema do proibicionismo

O efeito da cannabis vem principalmente de três meios: a própria substância, o corpo que recebe a substância, e o contexto social em que o uso acontece. No proibicionismo, a incerteza do que é consumido e também a paranoia de usar algo que é ilegal são fatores que contribuem bastante para o efeito em esferas mais psicológicas, podendo atrapalhar experiências que poderiam ser boas devido ao set and setting.

Nos três eixos, o proibicionismo aumenta os riscos. Só é possível proteger o usuário quando ele sabe exatamente qual é a substância, quem ele é quando usando a substância, e se encontrar em um ambiente seguro, sem poder passar por repressões e castigos pelo uso.

Não é possível ter uma conversa franca e aberta sobre benefícios e riscos dentro de um ambiente proibicionismo. Os momentos adequados e as substâncias adequadas são essenciais para podermos medir os seus efeitos de uso, e qualquer conversa ou utilização dentro desse nosso contexto pode ser bastante arriscado!

O discurso dos riscos da cannabis deve estar bem construído, da mesma forma que o dos benefícios. Todo esse conhecimento, na boca e no coração dos ativistas, pode ajudar a mudar a cabeça de quem está dentro do movimento proibicionismo! Todo argumento baseado em evidências científicas pode não só ganhar apoiadores, mas também respeitadores dessa causa. Não é preciso ser usuário para defender a regulamentação dessa substância tão importante para diversos grupos da sociedade – e o diálogo só pode ser positivo.

Por isso, precisamos da RD!

A Redução de Danos é o que pode nos ajudar a diminuir os riscos de qualquer substância – inclusive a cannabis. Por isso, conhecer as dicas e segui-las é um dos melhores jeitos de se proteger de efeitos indesejáveis.

A gente fala delas o tempo todo, mas é sempre bom relembrar, né? Então:

  • A primeira estratégia para reduzir os danos é garantir a procedência da sua maconha. Se a sua plantinha não for de qualidade, fazer um uso seguro dela fica muito mais desafiador. Autocultivo é uma ótima opção – mas sabemos que não são todos que podem ter esse privilégio!

  • Caso você use maconha prensada, uma realidade beeeem comum do Brasil, a melhor forma de garantir que ele fique mais seguro para o consumo é lavar a plantinha e retirar qualquer tipo de impureza. E nada de fumar prensado mofo!

  • Use FILTROS, de preferência biodegradáveis (redução de danos ambientais na mãe natureza também é importante). Além disso, é preciso desmistificar o fato de que o filtro diminui a quantidade de THC absorvido. O que ele faz é mudar um pouco a consistência da fumaça, o que de nenhuma forma implica em efeitos menos intensos!

  • Use sedas de qualidade, se não o papelzinho pode fazer mal sim.

  • Use piteira longa para ajudar no resfriamento da fumaça.

  • Vaporização ao invés da carburação também é uma forma de reduzir danos.

  • Não fume beck de pontas! Se o prensado já não é lá flor que se cheire, imagine fumá-lo com todas as partículas de combustão de queimas anteriores? Não precisamos nem falar mais nada, né. Mande a ponta pra Jah. Melhor jogar fora.

  • Os comestíveis também são uma forma de reduzir danos, pois não há combustão e, caso sua cannabis não seja de procedência tão boa assim, nosso corpo tem vários meios de filtrar essas impurezas.

  • Se você faz uso contínuo, é importante fazer pausas.

Até a própria cannabis pode ajudar!

Sim, a maconha pode ajudar a reduzir os riscos de seu próprio uso negativo e efeitos indesejados! Pessoas que utilizam óleos ricos em CBD para parar de fumar altas concentrações de THC, ou mesmo fumam cânhamo para pararem de fumar maconha. Eles ainda podem ser usados quando você ficar chapado demais e quiser apaziguar a viagem.

Plantas de cannabis do jardim, céu azul  e pinheiros ao fundo
Plantas de cannabis do jardim

O que fazer se você tiver uma “bad trip” de maconha

Se você fumou muito, ou está experienciando sensações de paranoia, tem uma bruxaria interessante que nós descobrimos aqui e queremos dividir com vocês.

Esse truque não envolve a cannabis, mas que tem muito a ver com os nossos conhecidos terpenos. Um deles é usar pimenta preta: mastigar de três a cinco bolinhas ajuda ao liberar alfa-pineno, o terpeno conhecido por nos deixar alerta. O segredo é deixar a sensação da pimenta afetar o seu nariz, nós testamos por aqui e funcionou!

O que nunca vale é deixar a Redução de Danos e o autocuidado de lado ao usar nossa plantinha!

Uma das colheitas da proibição da cannabis é justamente a falta de controle de qualidade naquilo que está sendo consumido. Dessa forma, fica muito mais difícil fazer o uso terapêutico/medicinal dessa substância.

É imprescindível que as pessoas que fazem parte desses grupos de risco saibam exatamente que estão consumindo. Assim é possível fazer o uso terapêutico/medicinal dessa substância. Um exemplo pode ser a psicose, quando pensamos no CBD e no THC. O CBD pode ser utilizado como antipsicótico, enquanto o THC pode ser algo que desperta uma crise psicótica. Nesse caso, a cannabis poderia ser vista como um demônio ou uma salvação – mas é imprescindível que a gente saiba exatamente o que está sendo consumido.

O discurso radical que romantiza a cannabis afasta da realidade e pode prejudicar indivíduo.

Então, vamos falar mais abertamente sobre esse uso?

Gostou desse post? Conta pra gente aqui se você sente que seu uso de cannabis está sendo prejudicial para você ou não! Afinal, a luta contra o proibicionismo também é uma luta contra o possível uso problemático dessa substância ao mesmo tempo que também pode fazer bem a muita gente.

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rabittenco@yahoo.com
1 ano atrás

Muito bom o assunto abordado, confesso que me identifiquei em várias partes do texto, experimentei aos 18, na mesma época que comecei a fumar cigarro, dps disso fumei mas poucas vezes, depois comecei no prensado de forma esporádica 7 anos atrás, aos 25 anos, depois passei a fumar todo dia, mudei para Inglaterra e comecei a fumar umas flores digamos com mais procedência (pelo menos eu acredito, mesmo já ouvido falar que aqui eles passam algumas química em spray pra aumentar o peso das flores), porém aumentei demais o uso e estava fumando demais, basicamente tudo girava em torno de programar meu dia com meu consumo, desde quando acordava até ir dormir, comecei a ter crises fortes de ansiedade e desenvolvi vários problemas, desde gastrite nervosa até problemas de respiração, hiperinsuflacao pulmonar e muita falta de ar… pneumologista me deu diagnóstico de ansiedade com dispnéia, me recomendou psicólogo, estou sem fumar nada faz 3 meses, muita dificuldade pra dormir, alterações de humor e crises de ansiedade diárias, por mais que tenha me causado tudo isso, quase todos os dias ainda sinto vontade de dar uns traguinhos, tentei de tudo já, desde os edibles, óleo de coco com canabis, tintura green dragon, vaporizador dos melhores e óleo Full spectrum de CBD, infelizmente nada me fez diminuir a ansiedade, que só aumentou dia após dia. Hoje sinto umas dores no peito muito estranhas e falta de ar, alguns dias atrás inventei de tomar umas gotinhas da tintura, que viagem, foi muito bom, tive muito sono, porém acordei às 4 da manhã com uma falta de ar que nunca tinha sentido antes, peito apertado pra respirar, fui parar no hospital, que por fim nada identificaram, acredito que foi alguma crise de Pânico, pois a brisa bateu legal, desde então morro de vontade, mas fico com medo do que pode me afetar mais ainda, de certa forma me sinto legal em ter parado, mas a dependência que o usuário crônico acha que não existe, existe sim, como qualquer outra "droga", por enquanto vou tentando segurar as pontas até quando der, e espero que tudo isso melhore com o passar do tempo. Lembrando que tudo isso tambem pode ser efeito de ter parado com a nicotina e a maconha, e a maconha também não tinha como escolher o que eu consumia, se eram strains com menos THC ou não, era o que o dealer tinha no momento, como vcs mesmo disseram, a gente ama a plantinha, mas tbm não podemos negar os efeitos negativo que ela pode trazer em algumas situações e em certos grupos.

BlackBee
BlackBee
1 ano atrás

Vocês sempre fazem artigos muito bons, de fato o uso da cannabis não são só flores.
Eu desenvolvi crises de ansiedade e ainda assim continuei fumando. Eu gosto bastante do efeito quando bate uma brisa legal, mas o consumo desperta a ansiedade. Com relação a pimenta do reino ela realmente funciona, combinar ela com um pouco de cúrcuma (açafrão da terra) também é interessante, ou até mesmo com doce de banana in natura sem adição de açúcar. No momento estou cultivando algumas strains ricas em THC pra minha esposa que também ama essa planta e agora estou no início de Cultivo de cânhamo com 0,6% THC. e de 17 a 23% CBD. Gosto do ato de bolar um baseado tranquilamente, fumar na sala de casa em tão por isso resolvi investir nessa strain rica em CBD. Acredito que seja extremamente importante as pessoas terem essa consciência passada aqui no texto de vocês, de fato os efeitos da maconha são ótimos, mas também podem ser maléficos, costumo dizer que é como o açúcar, para diabéticos é extremamente nocivo, para hipoglicemicos é extremamente benéfico (claro que em doses moderadas). Parabéns pelo texto, ativismo é essa lucidez sobre o tema, nada de romantismo.

cscardosoinfo@gmail.com
1 ano atrás

Para mim sempre foi importante o consumo da cannabis, seja a buchinha ou seja o prensado. Comecei a fumar com 18 anos, hoje tenho 26, nunca parei. No começo era menos constante (uma ou duas vezes na semana), mas por ter muita depressão, eu decidi fazer uso contínuo porque me fazia muito bem.
Tenho diagnósticos bastante complicados como autismo de grau 1, psicose (que os médicos dizem que não combina com altas concentrações de THC), fobia social, transtorno do movimento, ansiedade, depressão, tpm bem forte e outros sintomas somáticos, sendo que a maconha sempre me ajudou com tudo isso e recentemente eu resolvi reduzir os danos do uso e procurei por médicos que prescreveram o oleo de CBD com ou sem o uso do oleo de coco e pra mim é a melhor coisa que me aconteceu na vida. kkkkk Digo… melhorou pra caramba minha qualidade de vida, mas não é sozinho, é aliado a vários outros remédios como antipsicóticos, antidepressivos, neozine (que ajuda a dormir)… Essas coisas todas vão se ajustando com o tempo. Recentemente meu médico autorizou o uso do oleo com THC para ajudar a potencializar o CBD. Uma dose baixa pra não dar psicose. Espero que seja bom o resultado. Vamos torcendo e adaptando.. Valeu.

Robson
Robson
1 ano atrás

Muito bom o assunto abordado, confesso que me identifiquei em várias partes do texto, experimentei aos 18, na mesma época que comecei a fumar cigarro, dps disso fumei mas poucas vezes, depois comecei no prensado de forma esporádica 7 anos atrás, aos 25 anos, depois passei a fumar todo dia, mudei para Inglaterra e comecei a fumar umas flores digamos com mais procedência (pelo menos eu acredito, mesmo já ouvido falar que aqui eles passam algumas química em spray pra aumentar o peso das flores), porém aumentei demais o uso e estava fumando demais, basicamente tudo girava em torno de programar meu dia com meu consumo, desde quando acordava até ir dormir, comecei a ter crises fortes de ansiedade e desenvolvi vários problemas, desde gastrite nervosa até problemas de respiração, hiperinsuflacao pulmonar e muita falta de ar… pneumologista me deu diagnóstico de ansiedade com dispnéia, me recomendou psicólogo, estou sem fumar nada faz 3 meses, muita dificuldade pra dormir, alterações de humor e crises de ansiedade diárias, por mais que tenha me causado tudo isso, quase todos os dias ainda sinto vontade de dar uns traguinhos, tentei de tudo já, desde os edibles, óleo de coco com canabis, tintura green dragon, vaporizador dos melhores e óleo Full spectrum de CBD, infelizmente nada me fez diminuir a ansiedade, que só aumentou dia após dia. Hoje sinto umas dores no peito muito estranhas e falta de ar, alguns dias atrás inventei de tomar umas gotinhas da tintura, que viagem, foi muito bom, tive muito sono, porém acordei às 4 da manhã com uma falta de ar que nunca tinha sentido antes, peito apertado pra respirar, fui parar no hospital, que por fim nada identificaram, acredito que foi alguma crise de Pânico, pois a brisa bateu legal, desde então morro de vontade, mas fico com medo do que pode me afetar mais ainda, de certa forma me sinto legal em ter parado, mas a dependência que o usuário crônico acha que não existe, existe sim, como qualquer outra "droga", por enquanto vou tentando segurar as pontas até quando der, e espero que tudo isso melhore com o passar do tempo. Lembrando que tudo isso tambem pode ser efeito de ter parado com a nicotina e a maconha, e a maconha também não tinha como escolher o que eu consumia, se eram strains com menos THC ou não, era o que o dealer tinha no momento, como vcs mesmo disseram, a gente ama a plantinha, mas tbm não podemos negar os efeitos negativo que ela pode trazer em algumas situações e em certos grupos.

Camila da Silva Cardoso

Para mim sempre foi importante o consumo da cannabis, seja a buchinha ou seja o prensado. Comecei a fumar com 18 anos, hoje tenho 26, nunca parei. No começo era menos constante (uma ou duas vezes na semana), mas por ter muita depressão, eu decidi fazer uso contínuo porque me fazia muito bem.
Tenho diagnósticos bastante complicados como autismo de grau 1, psicose (que os médicos dizem que não combina com altas concentrações de THC), fobia social, transtorno do movimento, ansiedade, depressão, tpm bem forte e outros sintomas somáticos, sendo que a maconha sempre me ajudou com tudo isso e recentemente eu resolvi reduzir os danos do uso e procurei por médicos que prescreveram o oleo de CBD com ou sem o uso do oleo de coco e pra mim é a melhor coisa que me aconteceu na vida. kkkkk Digo… melhorou pra caramba minha qualidade de vida, mas não é sozinho, é aliado a vários outros remédios como antipsicóticos, antidepressivos, neozine (que ajuda a dormir)… Essas coisas todas vão se ajustando com o tempo. Recentemente meu médico autorizou o uso do oleo com THC para ajudar a potencializar o CBD. Uma dose baixa pra não dar psicose. Espero que seja bom o resultado. Vamos torcendo e adaptando.. Valeu.