GIRLS IN GREEN

Atualmente, temos uma lista enorme de substâncias — algumas mais convencionais, outras menos. Vem conhecer 5 drogas incomuns, como são usadas e os riscos que carregam.

Um dos princípios mais básicos da Redução de Danos é justamente conhecer a substância que você irá usar. Como a educação pode ser bem falha nesse sentido, a pesquisa é uma das maneiras mais efetivas de garantir a sua segurança. Afinal, surgem cada vez mais drogas “estranhas” nos mercados paralelos, muitas vezes procuradas por serem mais baratas ou mais fáceis de se encontrar por aí. Mas é preciso estar bem informado para não se meter em uma roubada.

Toda substância, legal ou ilegal, pode oferecer riscos — algumas em maior grau, outras em menor. Por isso, entender o princípio ativo, sua ação e como pode afetar seu organismo é fundamental para tornar o uso menos danoso. 

Hoje, trouxemos aqui uma lista com 5 drogas menos comuns que podem ser encontradas aqui no Brasil e em outras partes do mundo. Acreditamos que a sua autonomia começa na tomada de escolhas conscientes. Então, bora se educar?

Atenção: esse conteúdo tem como objetivo a educação e a Redução de Danos. Não incentivamos, de qualquer maneira, o uso de substâncias que oferecem riscos à saúde.

Flakka

Catinona sintética, conhecida popularmente como Flakka despejados em uma mesa
Catinona sintética, conhecida popularmente como Flakka. Fonte: CNN

Muita gente pensa que flakka é uma combinação de heroína e crack, ou heroína e metanfetaminas. Na realidade, a droga é apenas uma versão dos sintéticos chamados sais de banho (MDPV). Você já deve ter ouvido falar deles: houve vários casos de usuários em surto lá nos Estados Unidos, envolvendo até relatos de canibalismo. Mas, embora sejam potencialmente danosos, esse rolê de “virar zumbi” pelo uso é balela.

Os sais de banho, em geral, são drogas sintéticas psicoativas feitas em grandes quantidades em laboratórios. Todo esse grupo está relacionado às catinonas sintéticas, quimicamente semelhantes a uma substância encontrada na planta khat, conhecida por seus efeitos estimulantes semelhantes às anfetaminas. 

Alguns tipos de catinonas sintéticas incluem Bliss, Vanilla Sky, Lunar Wave, Cloud Nine e White Lightning. Flakka é o nome de rua para a catinona sintética chamada alfa-pirrolidinopentiofenona (Alpha-PVP).

Como é usada a flakka? A substância pode ser fumada, vaporizada, cheirada, injetada ou ingerida. 

Quais os efeitos da flakka? As sensações mais comuns relatadas pelos usuários envolvem euforia, uma sensação aumentada de consciência, estimulação e energia. Por outro lado, ela pode provocar um aumento na frequência cardíaca, agitação extrema, pensamentos delirantes, hiperestimulação, alucinações e estados profundos de paranoia.

Quais os riscos da flakka? A droga pode provocar complicações como estados de delírio, convulsões, desidratação e, em casos extremos, falência renal.

Krokodil

Desomorfina, conhecida popularmente como Krokodil em uma mesa, com seringa e colher
Desomorfina, conhecida popularmente como Krokodil Fonte: Staffordshire-live

Krokodil é o apelido da desomorfina, uma droga semi-sintética que tem efeitos semelhantes à heroína e à morfina. A substância é semi-sintética porque é criada em um processo químico, mas é feito por um composto natural que vem da papoula do ópio.

Embora muitos se refiram a ela como uma “droga russa”, a desomorfina foi produzida pela primeira vez nos Estados Unidos, em 1932. Os cientistas, que buscavam alternativas à morfina, afirmaram que a krokodil era forte, de ação curta e causava menos náusea. Mas, como outros opioides e opiáceos, ela pode causar relações problemáticas e overdoses fatais.

A desomorfina é oito a dez vezes mais forte que a morfina (1mg de desomorfina tem o mesmo efeito que 10mg de morfina).

Como é usada a krokodil? A droga geralmente é injetada, mas pode ser ingerida. 

Quais os efeitos da krokodil? Os efeitos a curto prazo do krokodil incluem relaxamento, euforia, respiração lenta e superficial e dor e inchaço no local da injeção.

Quais os riscos da krokodil? A longo prazo, os riscos podem incluir coágulos sanguíneos, veias inchadas, danos graves nos tecidos, infecções na pele e nos músculos que causam pele escamosa preta ou verde ao redor dos locais de injeção (por isso, inclusive, que seu nome de rua é krokodil), insônia, exaustão, dependência física e psicológica, perda de memória, problemas de fala, gangrena e morte.

Brolanfetamina

Blotters e fórmula da Brolanfetamina conhecida como DOB.
Blotters e fórmula da Brolanfetamina conhecida como DOB. Fonte: Thedrugclassroom

A brolanfetamina tem muitos nomes: 4-Bromo-2,5-dimetoxianfetamina, dimetil bromoanfetamina, bromo-DMA ou simplesmente DOB. É uma substância psicodélica da classe das anfetaminas que produz efeitos psicodélicos de longa duração.

Embora o DOB ​​tenha sido sintetizado pela primeira vez em 1967 e brevemente testado em 1971, ele demorou um bom tempo para chegar nas ruas — e até hoje é relativamente raro. A droga é considerada enteógena, e pode até ser vendida no lugar do LSD por provocar efeitos similares. 

Existem poucos dados sobre as propriedades farmacológicas, metabolismo e toxicidade do DOB ​​em humanos. Juntamente com sua sensibilidade dose-resposta, duração extraordinariamente longa e imprevisível, muitos relatórios também sugerem que essa substância pode ser bastante difícil de usar com segurança. Muito cuidado, galera!

Como é usada a brolanfetamina? Geralmente, o DOB é usado por via oral, ingerido em comprimidos ou blotters.

Quais os efeitos da brolanfetamina? O rol de efeitos do DOB é bem extenso, e vai de alucinações internas e externas, sinestesia, euforia, aumento na empatia e sociabilidade, até ansiedade, disforia, paranoia e desconfortos físicos e psíquicos.

Quais os riscos da brolanfetamina? Por ser tão pouco investigada, o maior risco é a possibilidade de overdose. Os efeitos de uma overdose de DOB normalmente incluem comportamento bizarro, delirante e às vezes violento, amnésia, dormência, confusão e ansiedade. O usuário pode não ser capaz de se comunicar e pode ficar gravemente agitado. Em doses muito altas, podem ocorrer efeitos colaterais mais graves, como psicose, ataques de pânico e convulsões que, por sua vez, afetam ainda mais uma frequência cardíaca perigosamente elevada, pressão arterial e vasoconstrição.

Escopolamina

A  planta Trombeta de anjo, Brugmansia suaveolens, da família das daturas, contém escopolamina. Fonte: Toronto Star

Essa aqui é BEM interessante, e não é necessariamente incomum. A escopolamina é conhecida de muita gente, e está até em alguns medicamentos — como o famosíssimo Buscopan, que nos ajuda bastante nos dias de cólica. Também conhecida como “sopro do diabo” ou burundanga, ela é considerada uma droga bastante intrigante, e até assustadora.

A substância é natural, extraída de plantas da família das daturas. A variedade inclui estramônio, lírio, saia branca, saia roxa, trombeta e zabumba. Elas produzem no organismo um efeito anticolinérgico, que provoca alterações físicas e psíquicas. Basicamente, a escopolamina pode provocar fortíssimas alucinações, que podem durar até 48h.

Se você já ouviu falar de algum amigo (cof cof) que tomou chá de lírio e ficou mais louco que o Batman, a responsável por tudo isso foi essa droga. Mas ela conta com vários efeitos medicinais, como propriedades antiespasmódicas, anti eméticas, e é estudada até mesmo como antidepressivo.

Como é usada a escopolamina? A escopolamina é ingerida em pó, chás e medicamentos, ou até aplicada em adesivos transdermais. Mais raramente, é aspirada ou fumada.

Quais os efeitos da escopolamina? Além do efeito alucinógeno poderoso, a escopolamina pode atrapalhar a formação de memórias e inibir a vontade do indivíduo — o que a torna bastante perigosa.

Quais os riscos da escopolamina? Uma overdose de escopolamina pode levar a convulsões, coma e até morte. As sequelas pós-uso podem envolver síndrome de demência, psicose, alterações cognitivas e de memória, estresse pós-traumático, entre outros.

Metaqualona

Comprimidos industrializados de metaqualona/ Quaalude
Metaqualona conhecida também como Quaalude. Fonte: maestrovirtuale

Talvez a menos comum da lista, a metaqualona começou sua história como um medicamento sedativo-hipnótico, depressor geral do sistema nervoso central. Sua atividade foi observada pela primeira vez por pesquisadores indianos na década de 1950, e em 1962 a própria metaqualona foi patenteada nos Estados Unidos por Wallace e Tiernan. Seu uso atingiu o pico no início de 1970 como hipnótico, sedativo e relaxante muscular comumente usado para insônia — mas foi descontinuado como medicamento nos anos 80 pela possibilidade de uso problemático que apresenta.

Mas existem muitas referências a essa droga na cultura pop, em filmes como “O Lobo de Wall Street” e canções do David Bowie e do Frank Zappa.

No mercado ilegal, é conhecida como Quaaludes, Sopors, Ludes ou Mandrax (particularmente na década de 1970, na América do Norte). Desde os anos 2000, tem sido muito utilizada na África do Sul, onde é chamada de “smarties” ou “geluk-tablette” (que significa “comprimidos felizes”). 

Como é usada a metaqualona? Geralmente, a substância é ingerida em comprimidos. 

Quais os efeitos da metaqualona? A metaqualona potencializa a atividade do neurotransmissor inibitório GABA, o que leva a uma intensa sensação de relaxamento mental e físico.

Quais os riscos da metaqualona? Os sintomas de overdose de metaqualona incluem delírio, convulsões, espasmos musculares, parada cardíaca, falta de ar, vômitos ou náuseas e coma ou morte. 

Ler essa lista é perceber que a frase “a diferença entre remédio e veneno está na dose” nunca deixou de ser verdadeira. Mas conta para a gente: já tinha ouvido falar dessas substâncias? O quanto você sabe sobre elas?

Para mais Redução de Danos, segue a gente lá no Instagram @girlsingreen710!

Até a próxima!

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lust
lust
1 mês atrás

boa