GIRLS IN GREEN

Precisar de um descanso da cannabis é bem mais comum do que você imagina! Quem acompanhou o #deferiasdamaconha no nosso Instagram agora pode ler o relato completo dessa jornada. Vem!

Um assunto comum para muitos, mas um pouco espinhoso para outros: tirar uma pausa para refletir sobre o seu uso de maconha, riscos, e inclusive possíveis consequências negativas ou positivas atreladas a esse uso é, de acordo com a nossa visão, uma questão extremamente importante. Por isso, pelo menos uma vez por ano, a Alice – nossa master canábica aqui do Girls in Green, tira pelo menos duas semanas de férias da maconha!

Como sempre falamos, nossa relação pessoal com a plantinha é única, e só nós mesmos para sabermos se é hora de dar um pause. Um dos maiores motivos para a pausa é resetar a tolerância, mas muita gente pode experimentar altos e baixos no relacionamento com a cannabis ou até estar em um momento da vida em que o consumo não faça tanto sentido assim. E precisamos entender que isso não não faz com que a planta seja inteiramente problemática: ela é, como qualquer relacionamento que temos, algo que precisa ser bem balanceado e constantemente revisitado.

Também precisamos desmistificar essa ideia de que repensar o uso e se abster por um período de tempo automaticamente fará de você menos pertencente à comunidade canábica. Se a abstinência fizer parte do seu processo terapêutico, ela pode ser uma mega estratégia de Redução de Danos! Afinal, a RD fala sobre respeitar as formas de uso e relações do indivíduo com cada substância em todas as suas esferas.

Aqui no blog, já falamos para você sobre motivações e mesmo dicas para tornar essas férias possíveis. Agora, vamos contar para vocês um relato pessoal de como foram as férias da maconha da Alice (uma pessoa que faz uso crônico, isso é, diário da maconha tanto por dores e crônicas quanto por hábito) para você saber o que esperar caso decida tirar as suas. Vem com a gente!

Foto de uma plantacão de cannabis
plantacão de cannabis

Primeiro passo: entendendo as motivações

Um dos primeiros passos para entrar com tudo nas suas férias da maconha é ter claros os motivos pelos quais você quer tirá-la. Geralmente, para restaurar a tolerância, duas semanas são o suficiente – e nós explicamos mais sobre isso nesse post aqui. Caso você esteja passando por períodos de ansiedade intensa, talvez você queira tirar umas férias mais longas até que seu estado mental esteja mais tranquilo.

Para a Alice, os motivos principais foram:

  • Para entender como o corpo reage e se comporta sem o uso diário de cannabis;

  • Resetar a tolerância, já que seu uso também é medicinal/terapêutico;

  • Lidar com a ansiedade.

    Protocolo da Alice

As #feriasdamaconha da Alice funcionaram da seguinte forma:

  • Duas semanas sem maconha em qualquer formato (seja fumada, vaporizada, ingerida, em óleos, em cremes ou adesivos transdermais para dor;

  • Com a ajuda das microdoses de psilocibina para diminuir sintomas possíveis da abstinência, que incluem dificuldade em dormir e/ou sonhos muito vívidos; ansiedade; irritabilidade e outras mudanças de humor; dores de cabeça; e pouco apetite;

  • Contando também com a ajuda da sua terapeuta ao longo da jornada.

  • Contando com a ajuda das colegas de trabalho do Girls In Green caso haja qualquer reflexo na mudança de humor (time da empatia máxima!)

Foto da Alice mostrando uma microdose de psilocibina na lingua
tomando microdose de psilocibina

Expectativas e medos

Antes de começar, a Alice pesou um pouco as suas expectativas positivas e negativas para a experiência. Segundo ela:

  • Achava que seria mais fácil do que no ano anterior, pois no momento da pausa não fumava mais tabaco (lembrando que, se você fumar tabaco, terá de entender de onde está vindo a sua abstinência, já que a do tabaco é muito mais forte).

  • Também não estava mais tomando café, algo que associava muito com o consumo de maconha e tabaco.

  • Acreditava que seria mais difícil dormir e ter menos apetite.

  • Acreditava que teria mudanças no humor.

  • Pensava que, por estar trabalhando de casa (em home office), seria mais desafiador ficar sem fumar já que é parte do contexto de uso.

O seu maior medo, além dessas expectativas, era voltar a sentir dor. O motivo pelo qual ela consome cannabis diariamente é, além de amar chapar, claro, para aliviar dores crônicas provenientes de processos inflamatórios. Outra questão que tornava a pausa mais preocupante era a insegurança grande de não ter tanto controle sobre o corpo e as próprias vontades e desejos. Mas um dos motivos de ficar sem, para Alice, era exatamente observar o seu corpo e as suas reações sem essa planta tão especial!

Vamos ler o diário de bordo dessa experiência?

Foto de uma plantação de maconha com Alice de fundo
plantação de maconha

Primeiro dia (1/15)

Sobre fissura: segundo ela, no primeiro dia, não houve sensação de fissura como na pausa do último ano – e a explicação pode ser tanto a microdosagem quanto o fato de ter largado o tabaco.

Sobre apetite: ao longo do dia, Alice sentiu pouco apetite. Ela já tinha sentido essa diminuição nos outros dias, mas ela se aprofundou sem o uso da cannabis – afinal, como sabemos, ela mexe com nosso sistema endocanabinoide e nos dá a famosa larica.

Sobre humor: ela relata ter estado de bom humor o dia todo. Yay!

Sobre sono: de acordo com ela, o sono demorou mais para vir. Ela percebeu que foi dormir 2h depois do normal.

Sobre sonhos: “sonhei tanto que acordei cansada. Foram sonhos extremamente vívidos.” Se você bem se lembra, a cannabis afeta bastante os nossos sonhos – já que ela inibe a fase do sono REM, quando normalmente nossa atividade cerebral é mais ativa.

Segundo dia (2/15)

O diário de bordo foi mais curto nesse dia – mas ela contou que estava se sentindo bem, de forma geral. Sensações similares ao primeiro dia. Vale lembrar que ao longo do processo de pausa, Alice estava consumindo uma micro dose de 0.2g de psilocibina.

Sobre o apetite: menor apetite e a sensação que a comida era meio sem gosto.

Terceiro dia (3/15)

Sobre fissura: no terceiro dia de suas férias da maconha, Alice não sentiu nenhum sintoma de fissura!

Sobre apetite: a falta de apetite no terceiro dia foi bem agravada, e ela relata que se alimentou meio mal durante o dia.

Sobre humor: as mudanças de humor começaram. No primeiro e segundo dia ela contava estar bem animada, mas o terceiro foi marcado por uma sensação de irritabilidade e frustração (que a redatora aqui pode confirmar).

Sobre sono: seu sono seguiu mais agitado como nos últimos dias.

Sobre sonhos: segundo ela, seus sonhos foram tão malucos que pareciam um filme de ação. Isso fez com que Alice acordasse cansada – o que também pode ter gerado o sentimento de irritabilidade.

Quinto dia (5/15)

Nesse dia, nossos seguidores do Instagram foram surpreendidos por um story da Alice 100% sofredora. Mas depois ela explicou direitinho o que estava acontecendo!

Sobre fissura: fissura? Nunca nem vimos! Para ela, a questão do hábito estava muito mais presente do que a fissura em si. “Ontem eu tava vendo um seriado e levantei para ir preparar um pra fumar e aí lembrei ‘caraca Alice, mas você tá #deferiasdamaconha’.”

Sobre apetite: antes o apetite estava só diminuindo – mas, no quinto dia, ela sentiu que isso começou a melhorar, agora já estou comendo com mais prazer e com um tempo menos espaçado.

Sobre humor: “não dá para negar que ele anda meio bagunçado. Ontem à noite eu estava limpando a casa feliz cantando rock and roll e hoje acordei aos prantos. Hormônios podem ter influência, mas definitivamente a saudade do Brasil, da minha família e de amigos e amigas falam mais alto!”

Sobre sono: a lavanda passou a ajudar muito Alice a dormir melhor durante as férias. Além disso, ela sentiu que o sono demorava muito para bater, mas quando deitava conseguia adormecer logo.

Sobre sonhos: sonhos vívidos como nunca. Ela explica que, ao longo do dia, lembrava de vários sonhos que foram acontecendo. Antes, ela lembrava apenas dos mais marcantes e que majoritariamente aconteciam pela manhã.

Sétimo dia (7/15)

Sobre fissura: no sétimo dia das férias da maconha, ela ainda estava sem nenhuma sensação de fissura: “sinceramente, não ando tendo tantos desejos de fumar. Tá mais fácil do que eu imaginava. Lembrando que já havia tirado o tabaco, algo que ajuda nesse processo.”

Sobre apetite: o apetite já ficou mais próximo do normal. Mesmo estando de TPM, ela conta que não ficou com tanta vontade de comer doces.

Sobre humor: ela conta que se sentiu mais estável, sem sensações de irritação ou mesmo tristeza espontânea.

Sobre sono: o sono também começou a ser mais tranquilo. A lavanda virou melhor amiga: seu método era pingar sempre duas gotas no travesseiro antes de dormir (fica a dica migues).

Sobre sonhos: os sonhos continuam loucos, vívidos como nunca e tendo inclusive, segundo ela, um grande potencial para trabalhar materiais do inconsciente em terapia.

Fator preocupante!

“Dores: essa é a parte negativa e que eu estava com medo. Minhas dores nas costas estão reaparecendo. Vou seguir firme e ver como acordo amanhã.”

Dica: Toda vez que ela sentia vontade de fumar, começava a cantar. “Vem sendo uma ótima estratégia para mim, mas isso porque eu amo cantar!” Como já falamos no nosso post de dicas para parar de fumar maconha, encontrar novos hobbies e coisas legais para fazer podem ser um bom apoio.

Nono dia (9/15)

Sobre fissura: mais de metade das férias se foram, e Alice seguiu sem fissuras!

Sobre apetite: nesse dia, ela relata que sente que seu apetite voltou ao normal.

Sobre humor: tudo segue bem – sem alterações drásticas de humor, as coisas ficaram mais tranquilas nesse setor.

Sobre sono: o sono ficou mais tranquilo nessa altura da pausa.

Sobre sonhos: o subconsciente seguiu bombando e mandando vários sonhos doidos para Alice analisar com a terapeuta. Gostamos!

Fator preocupante!

“A única questão que deu uma preocupada foi que as dores nas costas voltaram. Seguindo na abstinência pura e completa!”

Décimo quarto dia (14/15)

Nesse dia, tudo estava mais controlado: tanto apetite quanto humor, sono e sonhos. A fissura também não apareceu, o que foi uma grande vitória!

Fator preocupante!

Nesse dia, Alice ficou menstruada. Como pessoas que menstruam, a gente sabe o quanto esse período pode ser dolorido, e como a cannabis pode ajudar muito no controle dos22. Para ela, foi uma noite bem mal dormida, já que as cólicas incomodaram bastante!

E qual foi a conclusão de todo esse processo?

Depois dessas duas semanas sem fumar, a Alice sentiu que o momento de volta foi marcado por uma tolerância bem baixa aos canabinoides – ou seja: ela precisava de muito menos quantidade de maconha para ficar chapadérrima. Isso pode ser interessante não só para quem faz uso adulto da substância e sente que está precisando de muito mais para sentir a brisa, mas também para pacientes terapêuticos ou medicinais que convivem com a planta como medicação e precisam voltar a sentir os mesmos efeitos.

Também é interessante observar que, grande parte das vezes, você não precisa de férias tão bruscas para resetar a sua tolerância: diminuir o uso, mudar as vias de administração, procurar strains com teor mais baixo de THC e preferir o CBD podem ser boas saídas para quem deseja fazer uma desintoxicação mais leve! As da Alice geralmente são mais restritivas pelo real desejo que ela sente em entender como o seu corpo fica sem os canabinoides – já que, na maior parte do tempo, ela vive em um corpo 100% habitado pela maconha todos os dias.

Outra observação bem curiosa é que é pior tirar o café do que a maconha da rotina. A cafeína tem sintomas de abstinência muito mais fortes e, às vezes, até mesmo debilitantes.

E aí, bateu a inspiração e a vontade de tirar suas próprias férias da maconha? Esperamos que esse relato e as dicas dadas possam ajudar a tornar esse processo mais tranquilo. A gente sabe que nem todo mundo gosta da alternativa, mas nós acreditamos muito que é super importante refletir o uso, entender o seu corpo e tentar encontrar meios de melhorar ainda mais sua relação com a planta.

Bora pras #feriasdamaconha?

Se fizer, marque a gente no Instagram @girlsingreen710 ou poste a hashtag por lá para a gente acompanhar sua experiência também.

Até a próxima!

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bastos_fa@hotmail.com
1 ano atrás

Meninas eu gostaria de agradecer mto pelo Post Ferias da Maconha e Relato das Ferias.
Vcs foram o meu gatilho para iniciar meu processo de abstinencia da erva!
Obrigado pelo relato, pelas infos e pelo conteudo extremamente importante!
Jah Bless!

Fabio
Fabio
1 ano atrás

Meninas eu gostaria de agradecer mto pelo Post Ferias da Maconha e Relato das Ferias.
Vcs foram o meu gatilho para iniciar meu processo de abstinencia da erva!
Obrigado pelo relato, pelas infos e pelo conteudo extremamente importante!
Jah Bless!

Andrea
Andrea
9 meses atrás

Eu fico péssima…
Não tenho $ pra comprar, então a abstinência está sendo na marra.
Dia 03 – irritabilidade, fissura, crises de choro, dor de cabeça e sonhos bizarros, somado à falta de apetite.