Cultura

COMO JULGAR UMA COPA DE HAXIXE? ALICE RESPONDE!

Entrevistamos nossa CEO, a professora Alice Reis, e trouxemos um compilado de informações importantíssimas sobre como é julgada uma Copa de Haxixe. Vem ver!

Julgar uma Copa de Haxixe pode até parecer fácil—afinal, quem é que não baba ao ver uma mesa cheia de amostras dos mais renomados hash makers de diferentes partes do mundo? Mas a verdade é que esse universo é cheio de detalhes e especificidades que tornam cada competição única. Por isso, todo jurado ou jurada precisa saber como se preparar para não cometer erros no próprio processo.

Mas também é essencial entendermos que cada jurado ou jurada também tem suas próprias técnicas. E elas nem sempre vão fazer sentido para os outros! Assim como cada Copa é diferente das demais, cada membro do júri vai ter um paladar e um olhar bem subjetivo na hora de analisar as amostras. Ou seja: não é uma ciência exata, e sim algo tão complexo quanto o próprio sabor dos nossos concentrados favoritos!

Então, para tirar nossas maiores dúvidas sobre a temática e responder tantas perguntas que recebemos lá no Instagram, chamamos a CEO do Girls in Green, a professora Alice Reis, para bater um papo bem legal sobre como é julgar uma Copa de Haxixe na prática. Vem entender tudinho!

 

Como é o processo de ser chamado para julgar uma Copa de Haxixe?

O processo de ser chamado para julgar uma Copa de Haxixe é multifacetado, como ressalta a professora Alice Reis, que já julgou diferentes competições ao redor no mundo. Cada uma delas apresenta suas próprias nuances e critérios de avaliação. Isso torna o processo interessante—porém complexo!

Por conta disso, a própria seleção do juri também é subjetiva. Cada evento tem os seus critérios na hora de convidar alguém. “Normalmente, são chamadas pessoas da cena, que usam [haxixe] e são de certa forma como sommeliers, têm um nariz treinado. Ou pessoas que são makers e aí lidam com qualidade e diferenciação de qualidade ao mesmo tempo”, explica Alice.

No entanto, ela observa que nem sempre os critérios para seleção de juízes são ideais. Às vezes, algumas copas acabam priorizando a fama ou visibilidade de cada jurado na mídia em detrimento da experiência e expertise no assunto. Para a professora, a credibilidade e integridade das competições dependem da seleção cuidadosa dos juízes. Eles devem ser escolhidos com base em seu conhecimento, não só sua popularidade.

 

Existem alguns pré-requisitos que normalmente são comuns aos jurados e juradas?

Entender diferentes qualidades e as sutilezas de cada amostra são requisitos importantes! Imagem: Girls in Green.

Os pré-requisitos comuns para jurados e juradas em competições de haxixe variam de acordo com cada evento. No entanto, Alice aponta alguns critérios são frequentemente valorizados:

  • Em primeiro lugar, é essencial que os jurados sejam capazes de consumir o produto em questão;
  • Além disso, uma alta tolerância ao consumo pode ser vantajosa. Especialmente em competições que exigem que os jurados avaliem uma grande quantidade de amostras em um curto espaço de tempo, o que demanda uma tolerância considerável;
  • Outro pré-requisito importante é o conhecimento aprofundado do produto e a capacidade de diferenciar sua qualidade;
  • Ter um paladar e olfato apurados é crucial para identificar nuances sutis de sabor e consistência. Essas características podem passar despercebidas por pessoas com menos sensibilidade sensorial. 

Embora nem todos os jurados possuam essas qualidades, Alice ressalta a importância de que todos tenham pelo menos um alto nível de apreciação e compreensão do produto que estão avaliando. É a base para começar a ter sucesso nesses espaços!

 

Como são recebidas as amostras em uma Copa de Haxixe?

Para falar sobre isso, a professora Alice contou um pouco da sua experiência em diferentes competições. Na Emerald Cup, por exemplo, os jurados recebem um kit contendo mais de 80 amostras, geralmente com um grama de cada. Essa abordagem permite que os jurados tenham tempo suficiente para estudar e comparar as amostras ao longo de um mês. Isso facilita mudanças de opinião e troca de resultados. 

Em contraste, em competições como a Ego Clash, os jurados enfrentam uma dinâmica diferente. Eles recebem amostras em potes compartilhados pelos hash makers, onde apenas um dab pode ser retirado de cada pote. Isso exige decisões rápidas e dão dá muita oportunidade de revisão. Ou seja: votou, acabou!

Já no Masters of Rosin, os jurados têm cerca de 6 a 7 dias para julgar, e recebem aproximadamente um grama de cada amostra. 

A quantidade de produto que os produtores devem fornecer para as competições varia entre 5 e 28 gramas. Vai depender do número de juízes envolvidos. Por exemplo: em competições menores como o Masters of Rosin, onde há menos juízes, são fornecidos cerca de 10 gramas. Já na Emerald Cup, que conta com mais juízes e inclui packs destinados a pessoas famosas, a quantidade pode chegar a 28 gramas. 

 

Quais os critérios usados para julgar?

Assim como os critérios utilizados para convidar os juízes, o que eles irão observar quando julgarem as amostras em uma Copa de Haxixe varia conforme cada competição. Geralmente, os mais comuns incluem aparência, cheiro e sabor. 

Mas vários outros pontos podem ser adicionados dependendo do tipo de concentrado que será analisado. Em competições específicas de ice water hash, é comum considerar também o derretimento do melt, observando a presença de matéria vegetal e a coloração do produto. 

Além disso, Alice aponta um critério bem polêmico: a potência! Afinal, como julgar o quão potente é uma amostra em uma competição na qual você precisa dar mais de 20 dabs seguidos? 

“Faz sentido quando você está em uma Emerald Cup da vida, onde você tem 30 amostras. Você dá o seu primeiro dab do dia cada dia de uma amostra diferente e compara com o dia anterior”, desenvolve a professora. “Por exemplo, quando está numa copa de numa indústria da uva, a competição não é se uma uva te deixa mais bêbado ou menos bêbado. A gente está falando de sabor, cheiro, complexidades, nesse universo. Então, eu estou muito mais voltada para esse processo do que essa chapação”, complementa.

Outros critérios que podem ser encontrados incluem a categoria exótica. Essa é interessante para quem curte experimentar sabores menos convencionais! Mas toda competição tem seus próprios objetivos e focos de investigação, resultando em critérios diversos que refletem essas diferenças. Para quem deseja participar, é essencial estudá-los!

 

Como se julga um haxixe?

De spliff a bongs e vaporizadores eletrônicos: cada jurado escolhe como julgar! Imagem: Girls in Green.

A forma de julgar e os equipamentos usados, segundo a Alice, também vão depender do juíz. E existe um motivo bem simples para isso: cada um vai se sentir mais à vontade e julgar melhor usando o método de consumo com o qual está mais acostumado. O que isso significa? Que a Mila Hash Queen, nossa querida rainha do haxixe, julga bolando spliffs. Enquanto isso, uma galera mais nova na cena usa até vaporizadores eletrônicos.

Para ela, o método preferido é utilizar um bong de vidro e um nail de quartzo, pois isso permite uma análise mais detalhada do produto. “Para mim, isso me possibilita enxergar muitas coisas e eu acho que a forma que eu limpo os equipamentos me traz uma base mais estável”, confima. 

Mas ela também conta que o vaporizador eletrônico pode fazer sentido quando o assunto é temperatura. Eles oferecem mais consistência nesse campo, que pode ser bem suscetível a erros humanos quando se usa o combo bong, nail e torch. Entretanto, esses vaporizadores podem ser mais difíceis de higienizar entre um dab e outro. Isso atrapalha na hora de perceber as sutis notas de sabor de cada concentrado.

Quanto à troca da água do bong, Alice recomenda trocá-la idealmente a cada dab para evitar influências indesejadas. Ela reconhece que, em competições como a Ego Clash, onde o tempo é limitado, essa prática pode não ser viável. No entanto, em casa, ela prefere limpar o bong entre cada dab para eliminar qualquer variável que possa interferir na avaliação. Essa abordagem visa garantir uma avaliação mais consistente e imparcial. 

Ou seja: é essencial eliminar variáveis. Isso é o que vai garantir uma avaliação justa e precisa das amostras durante as competições, seja qual for o método de consumo e os equipamentos escolhidos.

 

Como faz pra não chapar tanto julgando? 

A Alice conta que busca não ficar excessivamente chapada durante o julgamento de uma Copa de Haxixe, e isso reflete uma busca por profissionalismo e imparcialidade. Ela reconhece a importância de permanecer focada em seu papel de avaliar as amostras, em vez de se deixar levar pelos efeitos de cada uma delas. Ela enfatiza: “Meu papel ali é julgar amostra do outro, não necessariamente julgar a minha experiência com a amostra do outro.”

Inspirada na prática de degustação de vinho e café, Alice adota uma abordagem mais controlada. Ela explica que não necessariamente leva a fumaça (ou vapor, no caso) para seus pulmões, especialmente ao avaliar uma grande quantidade de amostras. Ela prefere concentrar-se em aspectos como sabor, aftertaste, derretimento no nail e aparência. Por isso, traga apenas amostras que, em sua opinião, mostram maior promessa.

A professora e hash maker reconhece que ficar excessivamente chapada pode ter efeitos negativos que afetam sua habilidade como jurada, como ansiedade e desconforto. Isso tudo acaba prejudicando sua capacidade de avaliar as amostras de forma justa e objetiva. Portanto, é bem importante trabalhar internamente essa questão e superar a ideia de que é necessário ficar chapadão para ser um bom jurado. 

Para ela, profissionalizar o processo de julgamento de haxixe, assim como acontece na indústria do vinho, é essencial para garantir avaliações precisas e consistentes— independentemente do estado de chapadeira!

 

FAQ

O que é uma Copa de Haxixe?

Uma Copa de Haxixe é um evento onde diferentes produtos de haxixe são submetidos a julgamento por um painel de especialistas, com base em critérios como aparência, cheiro e sabor.

Quais são os critérios usados para julgar o haxixe em uma Copa?

Os critérios comuns incluem aparência, cheiro, sabor e derretimento do melt. Outras são potência e até mesmo a categoria exótica de sabores menos convencionais.

Como os jurados são selecionados para uma Copa de Haxixe?

Os jurados são geralmente selecionados com base em sua experiência e conhecimento na área. Isso inclui habilidades de degustação e apreciação de qualidade.

Qual é a abordagem de Alice Reis para julgar o haxixe em uma Copa?

Alice Reis prefere utilizar um bong de vidro e um nail de quartzo para avaliar as amostras. Ela também prioriza a análise sensorial sem necessariamente ficar excessivamente chapada.

Como evitar ficar excessivamente chapado durante o julgamento?

Alice recomenda uma abordagem mais controlada, não necessariamente trazendo a fumaça para os pulmões. Especialmente ao avaliar uma grande quantidade de amostras, para evitar efeitos negativos na habilidade de julgamento.

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