Saúde

Cannabis e Glaucoma: a planta pode ajudar?

Quando o assunto é glaucoma e cannabis medicinal, a planta é apontada há anos como um possível tratamento. Mas o que diz a ciência? Descubra aqui!

Dor intensa e vermelhidão nos olhos, dores de cabeça e náuseas são apenas alguns dos sintomas comuns do glaucoma. Relativamente comum, estima-se que pelo menos 1,5 milhões de brasileiros sofram com essa condição – que, com o tempo e sem o tratamento adequado, pode levar à cegueira. Sabendo tudo isso, nos perguntamos: será que a cannabis medicinal realmente pode ajudar?

Para você ter uma ideia, a maconha é pesquisada como possível tratamento (ou apoio ao tratamento) do glaucoma desde os anos 1970. Desde então, diversos testes já foram realizados com as mais diversas formas de uso para determinar o que pode ou não funcionar quando o assunto é a saúde ocular e neural. Os resultados mostram avanços, mas ainda não são 100% conclusivos!

Mas o que é glaucoma exatamente, como a cannabis pode ajudar a lidar com os sintomas e quais as principais pesquisas a respeito de tudo isso? Aqui, trouxemos um apanhado de informações para quem deseja saber mais sobre essa temática tão importante.

Vem com a gente!

O que é glaucoma e quais seus sintomas?

cannabis e glaucoma
Hoje, a gente sabe que glaucoma é uma doença degenerativa!

Glaucoma é uma condição ocular relativamente comum que causa danos ao nervo óptico e, como mencionamos, pode levar à cegueira quando não tratada. No mundo todo, o número de pacientes que vivem com esse problema está próximo de 60 milhões. Além disso, o glaucoma é reconhecido como uma das principais causas de cegueira irreversível.

De acordo com a Mayo Clinic, existem diferentes tipos de glaucoma, que podem ser identificados através de seus sintomas. São eles:

De ângulo aberto

  • Sem sintomas nos estágios iniciais;
  • Gradualmente, pontos cegos irregulares em sua visão periférica;
  • Em estágios posteriores, dificuldade com a visão central.

Agudo de ângulo fechado

  • Dor de cabeça severa;
  • Dor intensa nos olhos;
  • Náusea ou vômito;
  • Visão embaçada;
  • Halos ou anéis coloridos ao redor das luzes;
  • Vermelhidão nos olhos.

De tensão normal

  • Sem sintomas nos estágios iniciais;
  • Gradualmente, visão turva;
  • Em estágios posteriores, perda da visão periférica.

Em crianças

  • Em bebês, olho opaco ou nublado, piscar aumentado e ágrimas sem choro;
  • Visão embaçada;
  • Miopia que piora;
  • Dor de cabeça.

Pigmentar

  • Halos ao redor das luzes;
  • Visão turva com exercício;
  • Perda gradual da visão lateral.

O que causa o glaucoma?

Embora afete majoritariamente os olhos e comprometa a visão, atualmente já é amplamente aceito que o glaucoma é uma condição neurodegenerativa. Aparentemente, a doença tem uma conexão com outras doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Inclusive, hoje sabe-se que o glaucoma parece ser um preditor do Alzheimer! 

Entretanto, é difícil entender qual a causa por trás do glaucoma, ou quais fatores falam mais alto para o desenvolvimento dele.

Como a pressão intraocular (PIO) influencia o início e a progressão do glaucoma, os oftalmologistas prescrevem tratamentos que visam reduzi-la. Inclusive, essa é a única maneira conhecida de prevenir a perda de visão ou eventual cegueira por decorrência da doença. 

Dependendo da gravidade e progressão, os oftalmologistas podem tratar o glaucoma com medicamentos como colírios prescritos ou até cirurgia.

A cannabis pode ser usada para tratar glaucoma?

cannabis e glaucoma
A maconha possui diversas propriedades que podem ser úteis para pacientes com glaucoma. Imagem: Girls in Green.

Como a gente falou lá no início, a maconha é estudada como tratamento para o glaucoma desde a década de 1970. Na época, estudos mostraram que os canabinoides podem aliviar os sintomas relacionados ao glaucoma porque diminuem a pressão intraocular (PIO) e têm ações neuroprotetoras. Por exemplo, este estudo de 1971 descobriu que a ingestão de cannabis reduz a PIO em 25-30% por seus efeitos vasodilatadores.

Porém, poucos médicos indicam a planta. Por seus efeitos serem de curto prazo, os pacientes teriam que consumir cannabis com frequência – uma vez a cada três ou quatro horas. Pesquisas afirmam que, como o glaucoma precisa ser tratado 24 horas por dia, os pacientes precisariam usar maconha de seis a oito vezes ao longo do dia para atingir níveis de PIO consistentemente reduzidos. Essa frequência é difícil de manter.

No entanto, quando se trata de glaucoma em estágio avançado, os oftalmologistas estão mais inclinados a adotar a cannabis para ajudar na condição. Nos estágios posteriores do glaucoma, trata-se menos de atacar diretamente o glaucoma e mais de aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente. Como a planta ajuda com as dores e náuseas, pode ser um suporte bem válido!

No mês de abril, a Fiocruz divulgou uma nota técnica sobre maconha medicinal, ressaltando seus efeitos para consições e sintomas como dor crônica, espasticidade, problemas neuropsiquiátricos e outros. Entretanto, sua relação com o glaucoma, para a fundação, carece de evidências científicas. E é por isso que a ciência e a investigação são extremamente importantes. 

E uma dessas pesquisas está sendo desenvolvida no Brasil! A Fundação Ezequiel Dias (Funed) está desenvolvendo um novo tipo de colírio à base de cannabis para o tratamento do glaucoma.

Desafios no tratamento do glaucoma com cannabis

Para entender os desafios da relação entre cannabis e glaucoma, precisamos compreender melhor qual seu mecanismo de ação na condição. O sistema endocanabinoide (ECS) é um dos nossos sistemas fisiológicos mais importantes. Quase todos os aspectos de nossa saúde, incluindo inflamação, resposta imune, neuroproteção e modulação da dor, dependem dele. 

Pelo papel vital do ECS, principalmente na neuroproteção e na inflamação, os medicamentos à base de maconha podem ser imensamente úteis no tratamento e prevenção do glaucoma. 

Isso porque os receptores canabinoides são bastante proeminentes nos tecidos oculares responsáveis ​​pela regulação da pressão intraocular. Sendo assim, medicamentos com canabinoides podem ser desenvolvidos para cumprir duas funções essenciais: diminuir a PIO e proteger as células da retina.

No entanto, os desafios persistem: as preparações orais não são boas porque a biodisponibilidade é baixa e a absorção imprevisível. A inalação não é ideal, porque, como falamos anteriormente, os efeitos não duram o suficiente. Isso deixa as preparações tópicas. Mas os colírios de cannabis, embora superiores à administração oral e inalatória, ainda não fazem um trabalho bom o suficiente para penetrar nos tecidos intra-oculares.

5 cepas indicadas para os sintomas de glaucoma

cannabis e glaucoma
A maconha pode ajudar com sintomas como náuses, fadiga e dores de cabeça. Imagem: Girls in Green.

Embora fumar não seja uma cura, existem algumas cepas que podem ser indicadas para aliviar alguns sintomas do glaucoma! Algumas delas são:

Chemical Sunset: dominante sativa com efeitos calmantes. Indicada para combater fadiga, dor e inflamação.

White CBG: com 0% de THC e até 10% de CBG, essa cepa calmante ajuda com dores, ansiedade e depressão.

Oregon Diesel: essa cepa pode ajudar com ansiedade, depressão e estresse, e é indicada para pacientes com glaucoma.

Bubblegum Gelato: essa cepa híbrida chega a 16% de THC, e ajuda a combater a depressão, a ansiedade e o estresse.

Godfather OG: indicada para insônia, estresse e dor, essa cepa tem altos níveis de THC – que podem chegar a 28%.

Confira a lista completa no Leafly.

E aí, gostou dessas informações? Esperamos que elas ajudem você a entender melhor a relação entre a cannabis e o glaucoma, e que possa oferecer um alívio se você sofre da condição. Lembre-se de procurar um médico e avaliar todas as possibilidades de tratamento, e tome decisões informadas para não se deparar com consequências negativas no caminho para a cura.

Para mais conteúdo canábico de qualidade, não esqueça de nos seguir no Instagram @girlsingreen710.

Até a próxima!

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